Minas Gerais, estado que concentra cerca de 35% das cachaças registradas no Brasil e lidera o país em número de estabelecimentos produtores, promoverá em novembro a terceira edição do Circuito Mineiro da Cachaça Legal. A iniciativa, realizada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), busca ampliar a regularização da cadeia produtiva e conscientizar produtores, comerciantes, transportadores e consumidores sobre a importância da produção e comercialização dentro das normas legais.
A ação integra o projeto “O Legal Merece um Brinde” e prevê uma série de atividades educativas e de fiscalização em todas as regiões do estado. Na edição anterior, realizada em setembro de 2025, a mobilização alcançou aproximadamente 2,8 milhões de pessoas, demonstrando a abrangência da campanha voltada ao fortalecimento do setor.
Ao longo do mês, as 21 Coordenadorias Regionais do IMA promoverão cursos, palestras, rodas de conversa, blitzes educativas, entrevistas em emissoras de rádio, podcasts e outras ações orientativas. O trabalho contará ainda com a parceria de instituições como a Emater-MG, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe).
De acordo com a gerente do projeto, Tatiana Pinheiro, a cachaça mineira possui relevância que vai além da atividade econômica. Segundo ela, o produto representa uma expressão da identidade cultural do estado, preservando conhecimentos transmitidos entre gerações e contribuindo para a geração de emprego e renda em diversas regiões mineiras.
Regularização dos empreendimentos
Além das ações educativas, o circuito também reforçará as atividades de fiscalização. A proposta é orientar os agentes da cadeia produtiva sobre os procedimentos necessários para a regularização dos empreendimentos, ao mesmo tempo em que garante a proteção dos consumidores e a concorrência justa entre os produtores que atuam dentro da legalidade.
O reconhecimento da importância da bebida para a cultura mineira ganhou um novo capítulo em outubro, quando os modos de fazer a cachaça de alambique foram reconhecidos como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). O título destaca a relevância histórica, social e econômica da atividade para o estado e reforça a necessidade de preservação dos saberes tradicionais ligados à produção da bebida.
Para atuar legalmente, os estabelecimentos responsáveis pela produção, padronização ou engarrafamento de cachaça e aguardente de cana-de-açúcar devem estar registrados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O IMA oferece orientação técnica aos produtores para obtenção ou renovação desse registro, auxiliando no acesso ao Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro).
Rotulagem adequada
O instituto também orienta comerciantes e transportadores a trabalharem apenas com produtos regularizados. Aos consumidores, a recomendação é verificar se a bebida possui rotulagem adequada e número de registro no Mapa, o que garante maior segurança, rastreabilidade e procedência do produto.
Reconhecida como um dos principais símbolos da cultura e da gastronomia mineira, a cachaça desempenha papel estratégico na economia estadual, movimentando a produção agroindustrial, fortalecendo o turismo e preservando uma tradição centenária que faz parte da identidade de Minas Gerais.
