Gastronomia

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

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Moqueca de camarão é carro-chefe do restaurante

 

Alguidares completa 30 anos trazendo o sabor legítimo da Bahia para as terras de Minas

 

Lá se vão 30 anos desde que a culinária do Recôncavo aportou nas Minas Gerais, direto do entorno da Baía de Todos-os-Santos para a esquina das ruas Pium-í com Cristina, no Sion, Zona Sul da capital. Era dia de Iemanjá, o 2 de fevereiro de 1996. E ficou marcado quando os primos Deusa Prado e Hidelbrando Mota, o Brando, abriram as portas do restaurante Alguidares.

Desde aquela época, viram desfilar gerações de apreciadores da cozinha baiana servida, inclusive, por dois dos garçons que vieram da Bahia e estão até hoje na casa: Pedrinho e Alfredo.

Sob as bênçãos da Rainha do Mar, sai fumegante da cozinha da chef Deusa a receita mais queridinha do público: a moqueca de camarão, batizada de Dona Flor, nome da personagem de uma das obras mais conhecidas de Jorge Amado, servida com pirão e arroz branco.

A decoração descontraída convida ao aconchego que é quase um colo de mainha. Na entrada, muitas cores de fitinhas do Senhor do Bonfim, fuxicos coloridos feitos de retalhos de tecidos e almofadas. Já no salão, para 189 lugares, aproxima-se a baiana em seus trajes típicos, símbolo da ancestralidade e do poder feminino: bata de rendas com saia ampla rodada e o ojá, nome dado ao turbante das quitandeiras e baianas do acarajé, parte da identidade cultural, usado nos rituais de religiões de matrizes africanas.

É nesse pano de fundo inspirador e ancestral que o freguês recebe o cardápio. Hora de pedir as entradas. “As prediletas são o acarajé desmontado e a casquinha de siri”, aponta Deusa Prado.

A chef é criteriosa quanto aos ingredientes que vão para a sua cozinha do Alguidares. “A farinha de copioba vem de Nazaré das Farinhas, terra de Vampeta”, diverte-se. A castanha também vem de lá e Deusa justifica: “Tem que dar muito leite para o preparo do vatapá e do bobó. Por isso, importamos a castanha boa da feira de São Joaquim, de onde vêm também as panelas de barro. Já o siri catado a gente traz de Ponta Grossa, vila de Itaparica. Um caminhão frigorífico traz as nossas cargas de ingredientes. Os camarões 31/35 da moqueca e demais frutos do mar vêm do Rio Grande do Norte e de Belém e o filé de lagosta, do Ceará”, lista a chef.

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O camarão seco, vem da Feira de São Joaquim, em Salvador, para rechear o acarajé, que também pode ter como opção o recheio com camarão fresco. Completam as opções baianas na entrada, a isca de peixe, o camarão a dorê, o camarão ao alho e óleo e a lula à dorê. “Colocamos no cardápio apenas mais uma novidade de entrada que é a casquinha de bacalhau. Não mexemos muito no cardápio porque o cliente quer os pratos típicos da Bahia. Fizemos clientes amigos nessas décadas todas. Vimos pais chegarem com seus filhos nos carrinhos de bebê aos domingos e hoje são esses filhos que trazem os seus nos carrinhos de bebê”, ressalta Deusa.

Dentre os pratos principais, além do carro-chefe, que é a moqueca de camarão, conforme já citado, tem o filé de lagosta ao molho de manteiga e arroz, o grelhado de lagosta, peixe e camarão e outra paixão dos mineiros: “Mais mineiro talvez do que baiano, que é o camarão com catupiry”, destaca.

O bobó de camarão é outra paixão da freguesia. E as moquecas são servidas também em outros sabores. E tem o siri mole. Das sobremesas, destaque para a cocada.

O cardápio também visa a agradar os alérgicos, podendo ser servido um filé de boi. Os veganos não são esquecidos e, para eles, a chef desenvolveu duas receitas de moquecas, uma de palmito e banana-da-terra e outra de banana-da-terra e coco verde. “A intenção é democratizar ainda mais a culinária baiana e mostrar que ela não é voltada só para os apreciadores de frutos do mar”, justifica Deusa.

Alguidares, para quem ainda não sabe, é plural de alguidar, um vaso de barro bastante comum na Bahia, cuja borda tem um diâmetro muito maior que o fundo. O alguidar é usado nas tarefas domésticas, mas quanto mais perto da cozinha, pode ter certeza, melhor.

“O restaurante é fruto de um sonho da Deusa, que abraçamos juntos. Fizemos com o foco no cliente. Usamos os mesmos ingredientes que usamos em casa. Com a mesma qualidade que cozinhamos em nossos lares”, aponta Brando, o sócio que gerencia a casa, que emprega 17 funcionários.

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Nesses 30 anos de Alguidares, o momento difícil foi o do período da pandemia. Aí é que o baiano mostra que tem o molho. Com a casa fechada, Deusa e Brando aproveitaram para fazer um retrofit no estabelecimento e inovaram com o atendimento take away. “Sentimos a queda no movimento em torno de 80% e aí apostamos em embalagens para o cliente que encomendava e vinha buscar. Depois veio o delivery, que hoje representa até 15% das vendas”, relata Brando.

Nesses 30 anos, preocupados com a qualidade, com a tradição, Deusa e Brando contam que já sabem bem o gosto do mineiro, que aprecia a pimenta caseira curtida na cachaça e no azeite, que nem sempre o coentro é bem-vindo e que, por vezes, passa longe do exagero do dendê.

 

SERVIÇO

Restaurante Alguidares Rua Pium-í, 1037 – Sion

Telefone: (31) 3221-8877

Instagram: @alguidares

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