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O corpo é vivido de formas muito singulares por cada um de nós. Já “desnaturalizado” por nosso psiquismo, que o afasta da biologia que o suporta, ele passa a existir aquém e além da realidade que nos cerca.
Mesmo na população saudável, entre quem não precisa fazer uso de medicamentos, apenas a minoria (cerca de 20%) não tem alguma queixa física a declarar. Certos desconfortos podem fazer parte da vida de muita gente: dores de cabeça, má digestão, dores musculares – coisinhas miúdas e transitórias, que passam rapidamente. Sentir dores nem sempre significa doença física, da mesma forma que a ausência delas não é garantia de saúde perfeita.
No entanto, algumas pessoas são afetadas por um quadro conhecido como hipocondria. Para elas, o corpo se torna sede de grandes e diversos desconfortos resultantes de um misto de fatores psicológicos, ambientais e biológicos, frequentemente ligados a vários aspectos existenciais como: histórico familiar de ansiedade, doenças sérias no passado, traumas infantis, superproteção parental, alto nível de estresse, certos traços de personalidade (como demanda de perfeição extrema ou desejo de controlar tudo) e determinados padrões cognitivos que confundem sensações corporais normais com sintomas de doenças graves. Existe um nível de “ruído somático” em nossos corpos. Talvez os hipocondríacos sejam mais sensíveis às comoções corriqueiras do funcionamento de seus órgãos.
CONTRÁRIO À CRENÇA POPULAR, O SOFRIMENTO DESSES INDIVÍDUOS NÃO É FINGIDO
Contrário à crença popular, o sofrimento experimentado por esses indivíduos não é fingido, mas sim vivido como mal-estar genuíno. Quem assim padece diuturnamente costuma procurar ajuda médica e com frequência se frustra quando nada de errado é encontrado. Essa busca pode se tornar excessiva – ponto que deveria servir de alerta para que esse tipo de paciente seja encaminhado à psicoterapia ou à psicanálise, caso contrário suas chances de encontrar profissionais de honestidade duvidosa o colocará em risco de ter danificada a saúde que tem (apesar de ele próprio não acreditar nisso).
Quem se sente mal, mesmo sem ter alguma doença, está sofrendo. Se existem pessoas que fingem ou mentem, este não é o caso dos hipocondríacos, que não são manipuladores, nem mentirosos.
A psicoterapia, à qual costumam resistir, lhes oferece a chance de ressignificar suas dores.
