Cultura

HISTÓRIA DE VIDA

VB ED299 JANEIRO 26 capa historia de vida

Fotos\Divulgação

 

Biografia de Wilson Brumer chega à segunda edição e convida o leitor a refletir sobre consistência e legado

 

Chega à segunda edição o livro Brumer e a testa fria de Jacó, biografia lançada em 2024, pela editora ArteFato, na qual o executivo Wilson Brumer – conhecido no universo corporativo pela gestão de empresas estratégicas para o Brasil como a Vale do Rio Doce, Acesita e Usiminas, divide com os leitores sua história de vida.

Repare bem, a palavra usada é história, não trajetória. Porque o livro de Brumer nasceu do desejo e insistência da família para que ele deixasse o registro sobre tantas coisas feitas na vida. “Minha esposa insistia que eu escreves se e eu nunca quis. O argumento que me convenceu foi o de deixar contado para os netos”, fala Brumer, referindo-se a Bernardo e Antônio.

Brumer tem o que dizer; é um contador de casos de primeira porque é um observador da vida, que não foi nada fácil para o polonês Szmul Jankiel Brumer, ou “seu Jacó”. O pai de Wilson Brumer veio para o Brasil em 1936, antevendo os riscos da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo à distância, o conflito foi devastador para ele: a primeira esposa, o f ilho, o pai, a mãe, um tio, todos foram enviados aos campos de concentração. Nenhum sobrevivente. Apenas o irmão Girshel não havia morrido porque, à época, estava na Rússia. Belas fotos em preto e branco nas páginas do livro mostram estes parentes: o início de uma árvore genealógica que, mesmo ceifada, deu frutos.

Ao contar um pouco das suas origens, que também passam pelo bairro da Pompéia, onde seu pai abriu uma venda e construiu uma casa, Wilson Brumer dá a conhecer ao leitor de onde vem sua capacidade de agir e fazer a diferença em cenários de alta complexidade: “Quando o movimento da vida surpreende, é preciso saber superar desafios para vislumbrar novos legados.” Talvez o primeiro grande vislumbre de Wilson Brumer tenha sido a decisão de, aos 11 anos, aceitar o convite de um padre da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria para estudar no seminário em Araguari. Cinco anos depois, outra decisão de peso: formação completada, voltaria para a casa dos pais, em Belo Horizonte, e encontraria um emprego para ajudar a família.

VB ED299 JANEIRO 26 1 historia de vida

Brumer e a testa fria de Jacó não é escrito em primeira pessoa; ele e sua família são personagens em um contexto de época. Aliás, este é um mérito do livro: localizar, historicamente, onde ele e a família estão inseridos. Neste movimento o leitor, a depender da idade, divide com Brumer os sentimentos da memória: a importância cultural do cine Pathé, a loja O Grande Camiseiro, situada na rua Rio de Janeiro, a abertura da padaria Savassi.

Enquanto Belo Horizonte crescia, o mesmo acontecia com Wilson Brumer: arrumou um emprego de frentista, fez o técnico em Contabilidade, trabalhou por anos na concessionária Veminas e, enquanto fazia faculdade, foi trabalhar naquela que seria a empresa que lhe daria projeção: a Vale. Administrador de formação, Wilson Brumer trouxe, dos tempos de frentista e técnico em Contabilidade, os grandes aprendizados da “escola da vida” que seriam a base das inovações – uma de suas marcas profissionais – que implementou nas empresas e projetos que liderou. E o livro mostra isso. Fica evidente que não existiria o gestor, o diretor de grandes empresas, o presidente de conselhos da mineração sem este lado profundamente ligado às raízes polonesas: elas forjaram a pessoa que o universo corporativo passou a admirar.

Wilson Brumer consolidou sua carreira combinando experiência executiva com atuação institucional. Ganhou projeção nacional, liderou a indústria brasileira em períodos de transformações econômicas, mudanças regulatórias e trouxe novos conceitos.

Brumer e a testa fria de Jacó é bem mais do que o livro sobre a trajetória de sucesso de um executivo: é um belo resgate de memória capaz de entreter o leitor enquanto lhe são apresenta dos fatos e personalidades do Brasil.

Compartilhe