Starbucks escolheu a praça da Savassi para voltar a BH
Apesar de velhos problemas, como a coleta insuficiente de lixo e pessoas em situação de rua, região nobre tem atraído novos comércios, como a gigante Starbucks
De um lado, placas anunciando aluguéis e pessoas em situação de rua remetem à sensação de abandono. Do outro, comércios recém-inaugurados e lojas prestes a serem abertas trazem esperança de dias melhores. Assim vive hoje a Savassi, região nobre de Belo Horizonte que, após viver dias de glória e períodos de queda, tenta se reinventar atraindo novos negócios, ao mesmo tempo em que tenta driblar problemas como insegurança, trânsito intenso e lixo nas ruas.
Para Helênio Soares, presidente da “Amo Savassi”, associação de moradores do bairro, o que aconteceu com a região nos últimos anos não foi um caso isolado.
“Assim como aconteceu em todo o Brasil, a pandemia provocou um forte impacto no comércio de rua. A Savassi, por ser tipicamente uma região comercial, com bares, restaurantes, lojas e um verdadeiro shopping a céu aberto, sofreu bastante com esse período”, contextualiza.
Segundo ele, um dos principais problemas atuais da Savassi é o acúmulo de lixo. Justamente por ser uma região com grande concentração de estabelecimentos, a geração de resíduos é muito elevada e o serviço público de coleta não consegue absorver todo esse volume.
“Muitos comércios precisam contratar empresas particulares para realizar esse serviço. Defendemos a necessidade de que a coleta pública também seja realizada aos domingos, considerando o grande movimento e o volume de resíduos gerados na região ao longo do fim de semana”, diz.
Por outro lado, ele nega que a violência seja uma das questões centrais que prejudicam o bairro.
“O que existe hoje é uma preocupação pontual com os furtos de celulares. Por isso, é importante que as pessoas tenham cuidado ao circular pelas ruas. A Polícia Militar faz a sua parte, atuando e prendendo os responsáveis. O problema existe, mas é importante deixar claro: a Savassi não é um bairro violento”, garante.
Apesar dos problemas, ele aponta que a região tem passado por um período de retomada, principalmente no que diz respeito à sua vocação comercial.
“Estamos nos reerguendo e recuperando nossa força, o que pode ser percebido pela chegada de novas e boas marcas e lojas, que continuam escolhendo a Savassi para se instalar”, reforça.
De fato, não são poucos os comércios que chegaram por lá nos últimos meses ou estão prestes a abrir suas portas. Um dos casos mais emblemáticos é o da gigante rede de cafeterias Starbucks. Após passar cerca de dois anos de portas fechadas na capital mineira, a marca escolheu justamente a Savassi para seu retorno a BH. Inaugurada em agosto, a loja fica na esquina da rua Antônio de Albuquerque com a avenida Getúlio Vargas, na praça Diogo de Vasconcelos.
“A abertura reflete o foco contínuo da Starbucks na expansão em importantes centros urbanos do Brasil. A Savassi é um dos bairros mais icônicos de BH, conhecido por sua vibrante cena gastronômica, comercial e cultural”, afirmou a empresa em nota.

Além das grandes marcas, a revitalização da Savassi também é conduzida pelos pequenos empreendedores. Entre eles está Anelisa Amorim, que abriu a casa de cookies Per Elise com o marido Vitor há alguns meses. O negócio, voltado para a venda de cookies para outros comércios, passou a atender o público final em um charmoso espaço na rua Tomé de Souza.
Para a empresária, que é nascida na região, o empreendimento tem significado duplo.
“Há a questão pessoal, eu queria algo que fosse perto de casa. Mas também tem o fator comercial. A Savassi tem um alto potencial de consumo, com muitos moradores e empresas. Costumo falar que, para um negócio dar errado no bairro, é preciso se esforçar”, brinca.
Do outro lado da mesa, ela admite que há pontos a serem melhorados.
“Há desníveis na rua e alagamentos quando chove. Já vimos pessoas em situação de rua fazendo necessidades em público. Sem falar na falta de lixeiras e na ausência de coleta aos domingos”, diz.
Outro empresário que aposta na região é Pedro de Castro Mendes, sócio-fundador da marca Raiz, voltada principalmente para a venda de marmitas saudáveis congeladas. Com uma unidade no Carmo, ele prevê que a nova loja
deva ser inaugurada na Savassi em outubro e vai contar com novas linhas de produtos exclusivos, além de um grande empório de produtos de vários parceiros selecionados.

“A Savassi sempre foi uma das regiões mais importantes de BH, seja pela concentração de negócios ou pela pluralidade de opções de entretenimento. A escolha pela região foi imediata, até pela proximidade com as outras casas do grupo, como Redentor, Moema e Marú, fortalecendo ainda mais nossa comunidade com um serviço diferente do que entregamos nas outras marcas”, explica.
De acordo com Pedro, os problemas da Savassi não são diferentes dos do restante da cidade, e é preciso que poder público, moradores e associações ajam em conjunto para revitalizar a região.
“A Savassi, como qualquer outro local de uma grande metrópole, precisa de um cuidado ativo, com governo e população trabalhando juntos. Ocupar espaços com bons negócios é uma das maneiras que enxergamos de cuidar da região”, defende.

