Turismo

Inclusão chega aos parques mineiros por meio de cadeiras adaptadas

parques adaptados

Pessoas com mobilidade reduzida e deficiência têm acesso a trilhas e outras belezas naturais

Pessoas com Deficiência (PCD) e mobilidade reduzida podem ter acesso a trilhas, cachoeiras e belas paisagens dos parques mineiros. Desde novembro do ano passado 18 unidades de conservação do estado possuem cadeiras de rodas adaptadas para atender a esse público. A iniciativa leva em conta que a conexão com a natureza é um direito de todos, levando o Governo de Minas a investir nos equipamentos que tornam os parques estaduais cada vez mais inclusivos.

As cadeiras, do tipo Julietti e anfíbia, foram adquiridas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), por meio de emenda parlamentar recebida pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), no valor de R$ 120 mil.

Os equipamentos estão presentes em unidades de conservação de grande atrativo turístico, como os parques do Rio Doce, Rola-Moça, Biribiri e o Monumento Natural Estadual Serra da Piedade, dentre outros (veja lista abaixo).

As 18 cadeiras são adaptadas para permitirem o acesso a terrenos irregulares e montanhosos, e foram desenvolvidas especialmente para que PCD possam fazer atividades nesses locais, como montanhismo.

“As Pessoas Com Deficiência (PCD) têm o direito ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Cabe à administração pública desenvolver estratégias para que esse direito seja cumprido. Assim, essa iniciativa não apenas promove a inclusão, como também estimula a conscientização sobre a importância da acessibilidade e da preservação. Quanto mais pessoas têm essa conexão com as áreas protegidas, maior é a consciência ambiental da população”, afirmou o diretor-geral do IEF, Breno Lasmar.

No Parque do Ibitipoca, a aquisição das cadeiras veio por meio de jantar beneficente feito pela administração do parque e moradores da região. Atualmente, há duas cadeiras disponíveis na unidade e Pessoas Com Deficiência percorrem os principais pontos, como o mirante Janela do Céu.

Experiência

Em março, o Parque Estadual do Rola-Moça ganhou as atenções das redes socais após a artista Bianca Azevedo, que tem deficiência, estrear a cadeira Julietti e curtir as atrações do parque. A experiência foi postada nas redes sociais da artista.

“Com a ajuda de um grupo de trilheiros, que dá suporte a essas pessoas para que elas vivam novas experiências, Bianca foi até o mirante Três Pedras, no Alto do Parque, e percorreu dois quilômetros até a cachoeira do Pitangueiras, e depois voltou para a sede do parque. Com a cadeira é possível fazer o passeio na parte de baixo do Rola-Moça, onde é mais plano e tranquilo. Com a ajuda desse grupo, ela conseguiu ir além com a cadeira e foi fantástico”, disse o gerente do Parque Rola-Moça, Henri Collet.

Warley Gomes de Oliveira é um dos trilheiros que ajudou Bianca nesse passeio. Ele contou que faz parte desse grupo e sempre quer incluir alguém nas trilhas que faz. “Essa cadeira em nossa Serra do Rola-Moça é uma grande conquista, uma vez que é bem prática para incluirmos em trilhas leves. Duas pessoas conseguem transpô-la tranquilamente”.

Sobre a experiência com Bianca, ele disse que o conforto da cadeira fez a diferença. “Foi uma energia surreal”. Opinião compartilhada por Bianca. “Foi uma experiência que nunca imaginei passar. Eu amei”, disse a artista.

Oportunidade econômica

Para além da garantia de direitos, a inclusão deste público se constitui ainda uma grande oportunidade econômica, segundo estima o IEF. De acordo com dados do ICMBio, mais de 1 milhão de visitas anuais por pessoas com deficiência poderiam se somar aos cerca de 15 milhões já registrados anualmente nas unidades de conservação federais.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, o público que busca destinos acessíveis já chega a 12% da população de países como Austrália e Reino Unido. Nos EUA, uma das referências mundiais na promoção da acessibilidade, estima-se que o consumo por parte dos visitantes com deficiência seja da ordem de US$ 129 por dia, e o turismo acessível tem potencial de geração de US$ 3,6 bilhões em receita anual nos parques americanos, conforme divulgado pelo Instituto Semeia.

Confira as Unidades de Conservação que possuem cadeiras adaptadas:

Parque Estadual do Itacolomi (Ouro Preto e Mariana)
Parque Estadual da Serra do Rola-Moça (Belo Horizonte, Brumadinho, Ibirité, Nova Lima)
Parque Estadual Mata do Limoeiro (Itabira)
Estação Ecológica Água Limpa (Cataguases)
Parque Estadual do Rio Preto (São Gonçalo do Rio Preto)
Parque Estadual Pico do Itambé (Santo Antônio do Itambé, Serro e Serra Azul de Minas)
Parque Estadual da Lapa Grande (Montes Claros)
Parque Estadual do Rio Doce (Marliéria, Dionísio, Timóteo)
Parque Estadual do Pau Furado (Araguari e Uberlândia)
Parque Estadual do Biribiri (Diamantina)
Parque Estadual Serra do Brigadeiro (Araponga, Divino, Ervália, Fervedouro, Miradouro, Muriaé, Pedra Bonita, Sericita)
Parque Estadual Nova Baden (Lambari)
Parque Estadual da Baleia (Belo Horizonte)
Parque Estadual Serra do Papagaio (Alagoa, Aiuruoca, Baependi, Itamonte, Pouso Alto)
Parque Estadual de Grão Mogol (Grão Mogol)
Parque Estadual Serra Nova e Talhado (Rio Pardo de Minas, Serranópolis de Minas, Mato Verde, Porteirinha, Riacho dos Machados)
Monumento Natural Estadual Serra da Piedade (Caeté)
Parque Estadual Serra Verde (Belo Horizonte)
Parque Estadual do Ibitipoca (Lima Duarte) – com recursos próprios.

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