Saúde

Pesquisa mostra que parte dos brasileiros ainda desconhece formas de prevenir o câncer

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Um levantamento nacional divulgado nesta quarta-feira (3) revela que 25% dos brasileiros desconhecem que o câncer pode ser prevenido. O estudo, realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), ouviu 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal para avaliar o conhecimento da população sobre fatores de risco e hábitos relacionados à doença.

Segundo a Agência Brasil, os resultados mostram que a percepção dos brasileiros varia significativamente conforme o fator analisado. O tabagismo é o mais associado ao desenvolvimento do câncer, citado por 90,5% dos entrevistados. Em seguida aparecem a herança genética, reconhecida por 89,4%, e a exposição excessiva ao sol, apontada por 88,3% dos participantes.

Por outro lado, fatores ligados ao estilo de vida saudável ainda são pouco reconhecidos. Apenas 48,3% relacionam o sedentarismo ao risco de câncer. O percentual também é baixo em relação à obesidade e ao sobrepeso, identificados por 54,1% da população. A baixa ingestão de frutas e verduras foi associada à doença por 53,3% dos entrevistados, enquanto o consumo de bebidas adoçadas foi citado por 55,3%.

Hábitos alimentares e comportamento dos jovens

O estudo também investigou padrões de consumo. Cerca de 45% dos entrevistados disseram consumir alimentos ultraprocessados e tentar reduzir essa prática. No caso dos refrigerantes e outras bebidas adoçadas, aproximadamente 53% afirmaram consumir, mas buscam diminuir a ingestão. Já a carne vermelha apresentou o maior índice de consumo sem tentativa de redução, comportamento relatado por cerca de 45% dos participantes.

Entre os jovens de até 24 anos, a pesquisa identificou os maiores percentuais de consumo de alimentos associados ao risco de câncer sem intenção de mudança. Nessa faixa etária, 32,3% afirmaram consumir ultraprocessados sem pretender reduzir o hábito, enquanto os índices chegam a 24,4% para bebidas adoçadas, 29,5% para embutidos e 49,1% para carne vermelha. O grupo também lidera entre aqueles que consomem bebidas alcoólicas e não pretendem diminuir o consumo.

Outro dado apontado pelo relatório é o desconhecimento sobre fatores de proteção. Quatro em cada dez entrevistados não sabiam que o aleitamento materno ajuda a reduzir o risco de câncer de mama. A pesquisa também identificou diferenças relacionadas à renda: pessoas com maior poder aquisitivo demonstram mais conhecimento sobre a relação entre atividade física e prevenção da doença, além de apresentarem maior proporção de ações voltadas ao controle do excesso de peso.

Segundo o Inca, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, volume 10,9% superior ao estimado para o período anterior. Para os responsáveis pelo estudo, os resultados podem orientar campanhas de informação e políticas públicas voltadas à prevenção, especialmente em temas que ainda são pouco reconhecidos pela população como fatores de risco para a doença.

Créditos: Pixabay

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