Espetáculo permite reviver a emoção de Amália Rodrigues de forma nova
Maestro de Amália Rodrigues Sinfônico fala sobre a construção do espetáculo que homenageia a cantora portuguesa
O espetáculo Amália Rodrigues Sinfônico chega a BH no dia 26 de maio, homenageando a cantora símbolo do fado e da alma portuguesa. Em parceria com a Fundação Amália Rodrigues, o projeto tem direção artística do maestro francês Laurent Rossi, músico, produtor e diretor musical com sólida carreira internacional. Ele é responsável pela concepção musical e pelos arranjos que transportam o repertório de Amália para a dimensão sinfônica, preservando sua identidade e ampliando sua potência sonora.
Rossi é quem fala à Viver Brasil sobre o espetáculo, que une a voz original de Amália, selecionada a partir de gravações históricas, a uma orquestra sinfônica de formação clássica, além de um trio tradicional de guitarras portuguesas e da interpretação da cantora Anabela. A produção incorpora, ainda, projeções audiovisuais que combinam imagens de arquivo da artista com recursos visuais contemporâneos, criando uma experiência imersiva que amplia a conexão do fado com a linguagem sinfônica.
O ESPETÁCULO NASCE NO CONTEXTO DOS 25 ANOS DA MORTE DE AMÁLIA. QUAL FOI SUA AMBIÇÃO INICIAL?
Criar algo verdadeiramente especial, à altura do seu legado. Uma artista única, que marcou profundamente a cultura portuguesa e continua a emocionar públicos no mundo inteiro. A nossa ambição não era apenas fazer um tributo, mas construir uma experiência artística completa, capaz de unir música, imagem e emoção de forma coerente e envolvente. Que o público não apenas escutasse o fado, mas que o sentisse de uma maneira nova. Ao mesmo tempo, havia a vontade de criar uma ponte entre gerações — respeitando a memória e a autenticidade da Amália, mas apresentando o seu repertório num formato contemporâneo.
O QUE A DIMENSÃO SINFÔNICA TRAZ AO FADO?
O fado já é profundamente emocional. A dimensão sinfônica vem ampliar isso, com uma escala mais ampla, quase cinematográfica. Ao mesmo tempo, tivemos sempre o cuidado de respeitar a essência do fado — a sua intimidade, a sua verdade — sem nunca a perder. Os arranjos foram pensados nesse equilíbrio: preservar a alma do fado, mas abrir novas possibilidades sonoras e emocionais, tornando-o acessível a novos públicos, sem trair a sua identidade. Queríamos criar um diálogo entre passado e presente. A presença da Amália, através de imagens de arquivos, cria momentos muito fortes e emocionantes em cena.
POR QUE ESCOLHER ANABELA?
Além da própria voz gravada da Amália, sincronizada com a orquestra ao vivo, temos Anabela, com uma voz muito verdadeira, muito expressiva, interpretando com identidade própria. Ela não tenta imitar a Amália — ela interpreta com identidade própria.

O ESPETÁCULO REÚNE DIFERENTES ESTILOS MUSICAIS. FOI UM DESAFIO?
Sem dúvida. As orquestrações são diversas, exigindo muito da direção musical e dos músicos.
COMO FOI A REAÇÃO DO PÚBLICO NAS PRI MEIRAS APRESENTAÇÕES?
Foi muito emocionante. Confirmou que o projeto funciona e toca as pessoas. É uma oportunidade rara de reviver a emoção da Amália de uma forma totalmente nova.
HÁ ALGUM MOMENTO DO ESPETÁCULO QUE O EMOCIONA PARTICULARMENTE?
A fala do ator francês Jean-Claude Brialy, que diz a Amália que uma grande cantora lhe confessou: “A única cantora de quem eu tenho ciúmes é Amália Rodrigues.” E essa cantora era Edith Piaf. Um momento simples, mas extremamente poderoso, que coloca a sua arte numa perspectiva universal.
