Política

MAIOR LEGITIMIDADE

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Responsável por implantar a urna eletrônica no país, há 30 anos, ministro Carlos Mário Velloso destaca que medida pôs fim às fraudes

 

Um dos nomes mais reverenciados no Supremo Tribunal Federal e que revolucionou a eleição no Brasil durante a sua presidência no Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Carlos Mário Velloso agora assiste, entre estarrecido e preocupado, a crise sem precedentes no Judiciário brasileiro.

De uma época em que a política não fazia parte das decisões da Suprema Corte, Carlos Velloso se empenhou em transformar a eleição no Brasil.

Da primeira urna eletrônica lá se vão 30 anos, que significou o fim do chamado “voto de cabresto”, da fraude e da força dos “coronéis da política”, que manipulavam os votos ao seu bel prazer.

 

“O voto era com cédulas de papel e colocados em urnas de lona e a apuração, pelas mãos humanas, propiciava fraudes”, relembra.

Retomar com o voto de papel, como defendem alguns, representa um grande retrocesso, no seu entendimento e seria o retorno à possibilidade de fraude, como ocorria antes da implantação do voto informatizado.

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Carlos Mário Velloso: voto mais fácil e independente

As primeiras urnas eletrônicas foram utilizadas pela primeira vez nas eleições de 1996 e foram, segundo Velloso, “um sucesso”.

“A urna eletrônica deu maior legitimidade às eleições porque acabou com as fraudes havidas com as cédulas de papel, extinguiu o ‘mapismo’, praga que elegia e ‘deselegia’ candidatos”, disse.

“A urna eletrônica também é garantia da independência do eleitor e o voto ficou mais fácil, porque votar pelo número é mais fácil do que votar pelo nome, além de ter conferido maior garantia ao sigilo do voto e de proporcionar a apuração dos votos em poucas horas. Anteriormente, neste país continental, demorava dias. Ora, todas essas vantagens tornam mais legítima a democracia que praticamos”, enfatizou.

Velloso argumenta que o voto digital também tornou verdadeiro o direito do voto do analfabeto e do semialfabetizado, o direito dos pobres.

“O voto informatizado materializou, tornou verdadeiro, como foi dito, o direito do voto que existia a partir da Constituição de 1988 apenas formalmente”, contou.

Além disso, Carlos Mário ressalta que a urna eletrônica passou por rigorosos exames, principalmente na eleição de 2022, quando houve um forte ataque ao sistema eleitoral brasileiro.

“Tem gente que ainda fala nisso, ou porque não está bem-informada ou age de má-fé, servindo a interesses escusos. A urna eletrônica é auditável antes, durante e depois das eleições”, avisa.

Para Velloso, o retorno do voto impresso “ensejaria recontagem manual do voto, fazendo retornar ao sistema anterior e suas fraudes. E pior: representaria quebra do sigilo do voto, que constitui garantia constitucional e de independência do eleitor. Os maus políticos que ‘compram’ votos, corrompendo eleitores, poderiam pedir recontagem e conferirem se os eleitores realmente votaram nos candidatos para os quais os votos foram ‘comprados’. E mais: seria o restabelecimento do ‘voto de cabresto’.”

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