sueli

Sueli

Crescimento robusto

Foto:Divulgação

 

 Presidente do Conselho da Rede Mater Dei fala sobre planos de expansão, sucessão no grupo e do acolhimento que marca o atendimento nas unidades

 

 

             Colecionador de prêmios, como o de administrador hospitalar emérito, destaque na área de administração hospitalar, o 2o Brazil Foundation Gala Minas Gerais e tantos outros mais, o médico e presidente do Conselho da Rede Mater Dei, Henrique Salvador, é destaque entre os 100 mais influentes na área de saúde, no prêmio conhecido como o Oscar da Saúde, promovido pelo Conselho Editorial do Grupo Mídia. Nada disso foi por acaso, e sim fruto de um trabalho que levou o Grupo Mater Dei a ser uma das maiores redes de saúde do país, não só pelo número de hospitais, mas pela qualidade dos seus serviços e pela filosofia do Grupo, que chega a sua terceira geração. Um trabalho, segundo Henrique Salvador, que promete muito mais.

 

 O senhor tem sido um profissional muito premiado. isso mostra que o senhor está no caminho certo?     

            Sem dúvida. Coincide com esse período que o Mater Dei viveu na minha gestão, na minha presidência, de um crescimento muito grande, de uma expansão muito grande. Nós saímos, quando eu assumi a presidência do Mater Dei, de um hospital, que é o Mater Dei Santo Agostinho, e hoje nós somos 10. Nós tínhamos mil leitos e hoje temos 2.500 leitos. Éramos 1,500 colaboradores e hoje são 10 mil empregados, com vínculo CLT. Fora os médicos. Hoje são 10 mil médicos cadastrados no corpo clínico. Talvez isso tenha coincidido um pouco com esses reconhecimentos que, na verdade, são reconhecimentos para o trabalho da Rede Mater Dei.

 

Como é empreender na área de saúde em um país como o brasil?

              A indústria prestadora de serviços, como é a nossa, na área da saúde, que são os hospitais, é indústria muito complexa, porque a gente tem muitos negócios dentro de um só. Você tem a parte de hotelaria, você tem a parte de farmácia, nutrição, relação com o médico, que é um terceiro que, na verdade, direciona muito o nosso trabalho. Higienização específica, com os cuidados de controle de infecção etc., suprimentos, logística, então é uma indústria muito complexa, de muitas nuances.Mas nós fomos aprendendo ao longo desses 43 anos e meio, desde que o Mater Dei foi fundado, a lidar com isso. Nós identificamos há alguns anos que, para tornarmos o projeto Mater Dei perene, tornar o sonho dos nossos fundadores- o doutor Salvador e a doutora Norma- perene, é importante crescermos.

           O objetivo do crescimento é levar para mais pessoas essa maneira única do Mater Dei de entregar serviços que, além de ter muita qualidade e segurança, tem um acolhimento diferenciado, tentando levar para cada cliente um atendimento com base nas suas necessidades, o que chamamos de uma entrega customizada. Empreender na área da saúde não é simples, é um setor muito regula[1]mentado. Sofremos, por exemplo, com a regulamentação da Vigilância Sanitária e de diversas outras agências. Mas o Mater Dei optou por fazer também um investimento muito grande em processos de certificação de qualidade.

            Então, hoje, por exemplo, os nossos três hospitais de Belo Horizonte têm o selo da Join Commission Internacional (JCI), que é a principal certificadora de hospitais do mundo. O nosso hospital da Contorno foi o primeiro de Belo Horizonte certificado pela JCI. Agora em dezembro, o nosso hospital de Salvador, que é um hospital grande, mais ou menos do tamanho do Mater Dei da Contorno, também vai passar por um processo de certificação. O hospital Porto Dias, de Belém, também é certificado pela JCI e os hospitais de Uberlândia têm uma certificação canadense internacional chamada Qmentum.

            Nós investimos muito em processo e qualidade desde os desde o início dos anos 2000. O que significa isso? Significa que vem alguém de fora, são três auditores que avaliam nosso serviço e, com muita frequência, um deles é o auditor internacional. Eles avaliam se estamos seguindo padrões de qualidade que são consagrados hoje internacionalmente, como administramos os medicamentos, como capacitamos as pessoas, como são os nossos processos de atendimento, os nossos controles. São processos de segurança e qualidade e segurança no atendimento.

 

Muitos têm medo ou têm receio de investir em outros estados devido à legislação? esse é um problema para quem quer investir?

          É um desafio porque, realmente, a legislação estadual e até municipal é diferente. E mais até do que a legislação, o desafio às vezes é a cultura porque nós aprendemos muito rapidamente, com esse crescimento, que o Pará é muito diferente de Minas Gerais, que é muito diferente da Bahia, que é muito diferente do Triângulo mineiro, que é diferente de Goiás. São realidades distintas, com culturas diferentes, a maneira como se encara um hospital, como se encara o trabalho, a maneira como se encara a aderência a processos, a demanda. As operadoras de planos de saúde também não são as mesmas. As operadoras de Belém são diferentes das de Belo Horizonte.

        O modus operandi dessas operadoras com os clientes, com os fornecedores, vamos dizer assim, é diferente também. Nós temos que fazer a leitura correta, para poder realmente atender da melhor maneira possível, respeitando a cultura local, mas também levando os nossos princípios, aquilo que acreditamos, que são os nossos valores.

 

 O grupo mater dei é uma empresa familiar. como formar as novas gerações para continuar avançando com o grupo com o mesmo sucesso que tem hoje?

            Acho que através de um planejamento estruturado, da mesma maneira que fazemos um planejamento empresarial, com metas, buscando as melhores práticas, buscando o que há de melhor no mundo e no mercado. Nós nos assessoramos bem e criamos um planejamento muito estruturado para os membros da terceira geração, que agora estão ascendendo aos principais cargos de gestão. O meu filho José Henrique hoje é o presidente da Rede. A Renata e o Felipe, meus sobrinhos, são vice-presidentes, e a Lara também está se qualificando, fazendo MBA fora. Todos eles trabalharam antes de ir para o Mater Dei em hospitais maiores ou iguais aos nossos durante três anos, pelo menos.

           Fizeram MBA nas principais escolas de negócios do mundo e foram expostos a outros cargos de gestão antes de chegarem ao topo da organização. Então hoje, na faixa dos 37, 38 anos, eles são muito preparados. Tiveram também a oportunidade de conviver conosco, que somos da segunda geração, durante esses últimos 15 anos. Eu e minhas duas irmãs, a Maria Norma e a Márcia, estamos saindo da gestão e indo para o Conselho. Estou assumindo a presidência do Conselho e as duas, as vice-presidências. Então, é todo um processo bem estruturado, planejado e executado. Criamos uma organização que é um misto de familiares que trabalham como profissionais, que são muito profissionalizados e, também, de profissionais que vêm do mercado e que são muito relevantes para o negócio, que trazem novas ideias, novos inputs. Na verdade, é um misto de família e de profissionais que vêm do mercado. E que se apaixonam pelo Mater Dei, da mesma maneira que nós.

 

Agora, o mater dei também está também na bolsa de valores, como tem sido essa experiência?

          É, nós entramos no dia 14 de abril de 2021. Abrimos o capital exatamente para suportar esse crescimento. Foi um momento importante para podermos capitalizar a organização, trazer recursos e permitir o crescimento. Depois que nós entramos para a Bolsa, compramos seis empresas de saúde e uma empresa de tecnologia. E não apenas compramos, inauguramos hospitais novos. Nós temos uma experiência grande em construir o hospital do chão, a partir do zero. Nós inauguramos há 5 anos o Mater Dei Betim, inauguramos há nove anos o Mater Dei da Contorno, vamos inaugurar no meio do ano que vem o Mater Dei em Nova Lima. É um movimento que permitiu que viesse dinheiro para poder suportar esse crescimento.