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Pilares para o conhecimento.Sequência de palestras

Palestras enfocam investimentos, oportunidades, novas tecnologias e desafios para o desenvolvimento do país e de Minas

 

        Confira, a seguir, a sequência do ciclo de palestras realizadas no Conexão Empresarial Anual, realizado pela VB Comunicação, de 13 a 16 de junho, no Grande Hotel Termas de Araxá.

Eleições e polarização

         As eleições municipais foram o tema da palestra do presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo. Ele assumiu a presidência nacional da legenda há pouco tempo e, desde então, percorreu 21 estados para conhecer a radiografia do país e do partido. “E, ao contrário do que muita gente supunha, o PSDB não morreu. Está desidratado”. Para ele, ganhar as eleições é muito importante, “porque a gente materializa sonhos, esperanças, transforma projetos em realidade, mas perder, também é importante, até para que a gente fique mais humilde um pouco.” Marconi Perillo disse que o partido quer trabalhar nas eleições municipais com alguns projetos adotados nos governos tucanos, como o de capacitação profissional e garantir competitividade ao país. Para ele, é preciso investir no trabalho e na atividade produtiva.

       A polarização política deixou a classe média, muito desiludida no mundo inteiro e “é um sentimento cada vez mais aguçado, mais aflorado de extremismo, e no Brasil não é diferente. A gente tem hoje uma polarização forte e, na minha opinião, não há outro remédio, não há alternativa que não seja a gente fazer uma profunda Reforma Política, começando pelo voto distrital misto”.

Investimento em tecnologia e inovação

          No painel “Inovação e Venture Capital”, coordenado por Rodolfo dos Santos, presidente do BMG UpTech e Diretor de CVC da Bossa Invest, foram apresentados os investimentos que têm sido feitos nesse setor, tendo como foco principal as startups que estão iniciando com um projeto na área de pesquisa e inovação. Eduardo Dominicale, presidente do Grupo BMG, ressaltou a importância do grupo que, com seus 94 anos, sempre teve a inovação em seu DNA. “Já passei por várias instituições, inclusive bancos estrangeiros, até chegar no BMG, estou aqui já há quase 20 anos.

         Conheci minha esposa aqui, casei, tenho dois filhos, o que me deu direito ao ‘green card’ e, até, o de brincar de ser mineiro. Hoje eu posso entrar e sair do estado a hora que eu quiser”. Segundo Dominicale, essa característica no grupo, de inovação e, em especial, esse aprendizado nos últimos anos nesse mundo das startups, tem sido importante. Ele observa que não sabia que Minas Gerais era um celeiro de startups e da importância que o estado tem nessa área de inovação em vários setores, como no agropecuário.

        Paulo Tomazela, presidente da Bossa Invest, se diz um mineiro de São Paulo, e com mais direitos a ter o seu “green card”, pelos seus cinco filhos mineiros. A Bossa, que tem o BMG como sócio, tem uma gestora só para atuar no mercado do chamado “capital semente”, ou “investimento anjo”. “É o primeiro gestor fora da Faria Lima que montou uma estrutura no estado, em 2009. A Bossa está sempre buscando empresas inovadoras de base tecnológica.

        Quando eu comecei, o termo startup nem existia ainda”, contou. Ele observa que a empresa é a maior investidora nessa cadeia de investimentos em venture capital: “já fizemos mais de 1.600 investimentos em startups. Anualmente, a gente analisa 3 mil planos de negócios para investir em torno de 2%, 3 % desse número. Além disso, somos considerados o maior investidor da América Latina em termos de número de transações, somos oitavo no mundo em termos de transações também nesse setor. Então, essa é uma empresa que tenta juntar a inovação lá na ponta, àquelas startups no início, com soluções muito disruptivas.

 A importância da reforma tributária

       O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, falou da importância da Reforma Tributária para a economia brasileira. Segundo ele, só no primeiro ano, as mudanças nas regras tributárias devem significar um aumento de 12% na arrecadação federal. “Setores se queixam que poderia ter um ponto ou outro na reforma, mas sem dúvida, essa é muito melhor do que as anteriores. Essa não é uma agenda do governo, mas da sociedade brasileira”, afirmou.

         Agora, o foco está na regulamentação da matéria, com o detalhamento das alíquotas e dos procedimentos. “Tenho certeza de que iremos aprová-la até o final deste ano. Os presidentes da Câmara e do Senado estão empenhados nisso e querem deixar essa votação como um legado dos seus mandatos”, avaliou. “Teremos uma estrutura tributária bem melhor do que temos hoje. A expectativa é de aumento de 12% do PIB já no início, com essas mudanças. Temos que acabar com a balbúrdia da carga tributária que é cobrada hoje”. O ministro ressaltou o potencial que o país tem para ser o protagonista na transição energética. “Temos uma agenda no Congresso Nacional e um novo marco de crédito de carbono, estamos investindo para sermos protagonistas nesse setor”, finalizou.

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 Carreiras diferentes

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, falou da “Atuação do Ministério da Defesa no atual cenário brasileiro e os principais pilares de sua gestão”. O ministro fez uma reflexão das diferenças regionais do país, não só culturais como política, e destacou que o Brasil, que sempre foi conhecido por sua fraternidade, precisa se unir. José Múcio, que já foi ministro das Relações Institucionais, nos primeiros governos do presidente Lula, assumiu o Ministério da Defesa em um momento de tensão na política brasileira, com a invasão dos prédios dos Três Poderes.

         A situação, que para ele, está pacificada, trouxe a discussão da proibição dos militares participarem dos processos eleitorais. Segundo ele, em nenhum país é permitido que o militar seja candidato, “porque são carreiras diferentes, um tem mandato, o outro faz carreira. Na hora que o militar sai do quartel para fazer campanha, ele cria grupo no WhatsApp, faz reuniões e se perde, volta contrariado”. José Múcio também falou do tamanho das Forças Armadas, que para ele, não é compatível com o tamanho do Brasil, um país que tem 17 mil quilômetros de fronteira.

       São 230 mil homens no Exército, 70 mil na Aeronáutica e outros 70 mil na Marinha. Atualmente, 20 mil homens estão ajudando nos trabalhos no Rio Grande do Sul, outros cinco mil estão ajudando nos incêndios no Pantanal e em outras urgências. Segundo o ministro, “vivemos em guerra, mas nossa guerra é aqui”.

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O mercado da mídia out of home

        O CEO da OOH Brasil, Felipe Davis, abordou “o mercado de mídia como valor para marcas e empresas”. Ele começou falando sobre a importância de se incorporar o velho ao novo, citando como exemplo a banda inglesa Rolling Stones, que continua sendo uma das maiores bandas do mundo. Eleito para a Central de Out Doors, Felipe Davis, ressaltou a importância do Out of Home. A participação de mais três empresas do setor no Conexão Empresarial, como a Neooh, Grupo Fredizak e a Urbana, são uma prova do avanço dessa modalidade de mídia. “Ela cresceu alinhada à digitalização.

       Com o conhecimento da audiência, chega-se ao pragmatismo, da importância dos outdoors das ruas. A OOH Brasil é uma empresa mineira e nas últimas décadas cresceu no estado e leva essa mídia Out of Home para outros estados”. A empresa, segundo ele, está em plena expansão. Felipe Davis diz preferir ser tratado não como CEO, mas como “criador exponencial de oportunidades”.

       Carolina Andreola, CEO da Customer Future, complementou a palestra de Davis abordando como as empresas fidelizam seus clientes. Ela afirmou que mais de 80% dos clientes têm disposição de investir na empresa contratada, depois de uma experiência positiva. Mas 60% deixam a empresa quando têm uma experiência ruim. Na palestra “A metodologia focada em Clientes: Pessoas, Processos, Dados & Tec “, Carolina abordou o relacionamento das empresas com os seus clientes e de como fidelizar essa relação. Ser criativo e inovador são fatores importantes.

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Mineração sustentável

        A presidente da Anglo American no Brasil e presidente do Conselho do Ibram, Ana Sanches, mostrou aos participantes do Conexão, a “Minas-Rio: Uma Jornada de Sucesso e 10 Anos de Transformação”. “É um setor essencial, mas que não sabe contar a sua história. De contar para a sociedade o que é a mineração e que é possível fazer uma mineração responsável”, afirmou. “É importante ter uma escuta ativa, saber o que a sociedade quer e espera de nós”, defendeu.

       A Anglo American completa 10 anos do Minas-Rio, logística integrada da Mina Conceição do Mato Dentro e trabalha com um mercado muito específico.

       A previsão é de investimentos de R$ 12 bilhões, com atenção para filtragem de rejeito, que será compactado. Só esse projeto terá um investimento de R$ 4 bilhões. A Anglo American também está em Goiás, onde trabalha com o níquel. Ela ressalta que a Anglo American tem muitos ativos bons, mas o principal são as pessoas. A segurança também é um fator importante e, segundo Ana Sanches, o que se quer é que as pessoas cheguem a Anglo American e voltem para casa em segurança.

Justiça negociada

         O procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares Júnior, teve como tema da sua palestra a “Justiça Negociada – Oportunidades e Segurança Jurídica”. Ele observa que, em determinado momento, o Ministério Público se distanciou das empresas e dos empresários, tratando-os como inimigos, mas que agora o Ministério Público quer ser um parceiro do setor produtivo. Jarbas Soares Jr. ressalta que há um denuncismo sem fim contra empreendedores, mas é preciso separar o problema e cuidar da solução.

        A segurança jurídica é uma das questões que mais preocupa o empresário no país e essa é uma questão que tem que ser levada a sério, deixando claro que é diferente o empresário sério do que sonega impostos, do corrupto, e é preciso construir uma nova mentalidade para que o Ministério Público seja aquele que acolhe e busca a solução, pondo fim ao punitivismo exagerado.

      Para o procurador-geral, é preciso ter um ambiente maduro, consciente para buscar soluções necessárias para os problemas que vão se apresentando. Jarbas Soares Jr aproveitou para anunciar o acordo da Rodovia do Minério, que vai tirar os caminhões da BR- 040, e que deve ser assinado nos próximos dias, e o acordo para a região do parque linear, no bairro Belvedere.

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Direito ao clima

       O direito ao clima está se sobrepondo ao meio ambiente. A constatação é do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Mario Velloso. Ele falou do “Meio Ambiente, Justiça Climática e Litigância Climática”. Estudos em vários países constatam a necessidade de medidas para evitar o aquecimento global. O Brasil está em sétimo lugar como os maiores poluidores do planeta, atrás da China, EUA, Índia, União Europeia, Indonésia e Rússia. Se nada for feito, para evitar essa mudança climática, a renda global deve cair 19%. Carlos Velloso citou a situação no Rio Grande do Sul como um dos exemplos da consequência dessa degradação do meio ambiente.

        Para Velloso, a ação do Judiciário, desde que provocado por órgãos representativos, como o Ministério Público, poderia prevenir incidentes causados pelo aquecimento global. O ex-ministro observa que a devastação do cerrado é maior do que a floresta amazônica e que a mata atlântica foi praticamente destruída.

         Enquanto isso, Velloso lembrou que tramita no Congresso Nacional uma proposta que privatiza as praias brasileiras. Por todas as ações contra o meio ambiente, é importante o trabalho do Ministério Público para tratar desse tema, que para o ex-ministro, também é uma questão de direitos humanos.

Clique aqui e veja a primeira parte desta matéria publicada em 27 de junho