Cultura

OS BASTIDORES DA VIDA E DA MORTE

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Heberton Lopes: “No plano pessoal, mudou a forma de encarar a vida

FOTOS/DIVULGAÇÃO

 

Jornalista produz conteúdo sobre o setor funerário e viraliza nas plataformas digitais

 

“A morte mudou a minha vida.”

O que começou como uma forma de driblar o ócio provocado pela pandemia se transformou em realização pessoal e profissional para o jornalista Heberton Lopes. Há seis anos no ar, o canal do YouTube Vim te Mostrar encontrou na curiosidade sobre os bastidores da morte um nicho de público fiel e crescente. São 324 mil inscritos no YouTube, 178 mil no TikTok, 112 mil no Kwai, 80 mil no Instagram e 91 mil no Facebook. Somadas, as plataformas contam cerca de 70 milhões de visualizações.

Jornalista há 16 anos, Heberton passou pela TV e está à frente de uma agência voltada para cultura e turismo. Quando o isolamento social interrompeu eventos e shows, ele decidiu produzir conteúdo por conta própria. Equipado com uma câmera e um microfone, começou a gravar de forma autônoma. As pautas iniciais foram variadas: cobriu ocupações sociais, voou de asa-delta e explorou um antigo sanatório abandonado.

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Vídeos mostram bastidores da vida e da morte

O primeiro “susto” veio ao gravar no Viaduto das Almas, em Itabirito, sobre as tragédias locais. O vídeo ultrapassou 200 mil visualizações. Mas o divisor de águas ocorreu quando, com autorização da Santa Casa, acompanhou procedimentos que costumam ficar ocultos do público. A resposta foi imediata: milhares de acessos em poucos dias.

A partir desse marco, o canal especializou-se no que chama de “os bastidores extremos da vida e da morte”. Conteúdos sobre IMLs, cemitérios, sepultadores e doação de corpos viraram pauta. Para aprofundar o rigor técnico, o jornalista estudou tanatopraxia, procedimento técnico para higienizar, conservar e preparar um corpo para o velório.

“O meu fazer jornalístico foi transformado: me desenvolvi, estudei mais, busquei mais conhecimento. No plano pessoal, mudou a forma de encarar a vida. Passei a vivê-la de forma mais plena, a valorizar mais o agora. Também passei a enxergar o mercado funerário com outros olhos, valorizando os profissionais que trabalham ali, que se empenham no acolhimento às famílias”, conta ele.

A seriedade do trabalho deu ao conteúdo produzido por Lopes um caráter educativo. Seus vídeos servem de material de apoio em treinamentos funerários e cursos acadêmicos. O impacto também é humano: após abordar a doação de corpos para a ciência, o canal acompanhou a destinação do corpo de uma seguidora para a UFMG, cumprindo o desejo manifestado por ela em vida.

Há cinco anos o Vim te Mostrar se sustenta financeiramente com receitas próprias e parcerias com marcas do segmento. O sucesso do projeto abriu portas e o canal cobriu o Summit Brucker 2026, um dos maiores encontros do setor funerário da América Latina, realizado em Votuporanga (SP). Também conquistou parceria com uma operadora de telefonia que fornece sinal para transmissões ao vivo de qualquer lugar do Brasil.

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“Estamos sendo procurados por outras marcas, mas somos muito criteriosos: para estar conosco, é preciso haver alinhamento de propósito. Avaliamos muito bem quem quer se associar ao canal, porque construímos essa credibilidade com o nosso público e não estamos dispostos a abrir mão dela”, afirma.

Com três reportagens semanais no YouTube e publicações diárias nas redes, a meta é atingir 1 milhão de inscritos. Heberton Lopes conta que o público que assiste aos conteúdos é, geralmente, acima dos 30 anos, ávido por curiosidades e formado por profissionais do segmento funerário, da área da saúde, Polícia Civil, Polícia Científica e IMLs.

“Inclusive, tenho a alegria de receber feedbacks de cursos de tanatopraxia e de treinamentos em funerárias que utilizam os vídeos do canal em suas atividades. Isso é muito gratificante.”

Ao entrar em universos onde poucos se aventuram, Heberton Lopes expõe a finitude sob uma perspectiva humanizada pelo trabalho de sepultadores e técnicos, demonstrando que a morte pode ser uma maneira transformadora de ver a vida.

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