Saúde

PROTEÇÃO AOS RECÉM-NASCIDOS

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Casos de infecções respiratórias levam pediatras a restringir visitas nos primeiros meses de vida da criança

 

Nos primeiros meses de vida, cada visita, cada colo e cada passeio costumam ser celebrados. Mas pediatras em várias regiões do país têm reforçado um alerta que tem mudado essa dinâmica: menos visitas aos recém-nascidos significam menos risco de infecções respiratórias e, isso, hoje, faz toda a diferença. Em muitos casos, só após os 4 meses as visitas são permiti das, frustrando amigos e familiares, ávidos por conhecer os bebês.

As infecções respiratórias continuam liderando os atendimentos em pronto-socorro infantil. Segundo o boletim InfoGripe, até novembro de 2025, 218 mil casos de síndrome respiratória aguda grave foram registrados no Brasil. A bronquiolite, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), é uma das que mais preocupa quem cuida de crianças com menos de dois anos.

O pediatra e pneumologista pediátrico, André Bicalho, do Hospital MaterDei, explicou que há duas estratégias para imunização contra o VSR. A primeira é a vacina para gestantes entre 28 e 36 semanas de gravidez. Ao ser vacinada, a mãe produz anticorpos e os trans ferem para o bebê, a proteção dura até os 6 primeiros meses de vida. Para os pacientes com maior risco de apresentar um quadro grave de bronquiolite, há a possibilidade de nova dose no 2º ano de vida. É a medida mais prática para reduzir internações. A segunda é com o anticorpo monoclonal aplicado no bebê após o nascimento. Ele recebe o anticorpo pronto e a proteção também por até 6 meses, com possibilidade de reforço. Uma boa e recente notícia é a oferta da vacina pelo SUS. Gestantes com mais de 28 se manas já podem ser vacinadas gratuitamente nos postos de saúde do país. No particular, as vacinas chegavam a R$ 1.800. Embora o VSR seja o protagonista da bronquiolite, outros vírus e bactérias continuam trazendo complicações importantes, como pneumonia, sinusite, otite, meningite, influenza e coronavírus. “A boa notícia é que a imunização cobre grande parte desses riscos”, destacou o médico.

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A médica residente em pediatria Ananda Botelho explica que, embora adultos e crianças maiores também possam ser infectados, os bebês têm vias aéreas muito mais estreitas e um sistema imunológico ainda em formação. O resultado é um risco maior de gravidade, especialmente nos primeiros seis meses de vida. Além da imaturidade imunológica, a sazonalidade tem peso. Em Belo Horizonte, por exemplo, o pico ocorre entre abril e junho, mas o cuidado deve existir o ano todo.

Ananda Botelho atua no Hospital Regional de Taguatinga e acompanha os casos e a ansiedade das famílias no dia a dia. No entanto, ela reconhece que, na maioria das vezes, as famí lia já chegam munidas de informação. “Antes mesmo da nossa orientação, muitos já sabem o que fazer pois, com a internet, informações circulam rápido. O importante é averiguá-las”. Ela destacou os principais sintomas de alerta. A bronquiolite começa com sintomas semelhantes aos de um resfriado: tosse, coriza, espirros e, às vezes, febre leve, mas a evolução pode ser rápida, e merece atenção. Procure atendimento se houver respiração acelerada, esforço para respirar (barriga afundando, costelas marcando), gemência, recusa alimentar, prostração, queda de saturação. O tratamento costuma envolver oxigênio e lavagem nasal. Outros medicamentos têm pouca eficácia.

A publicitária Marina Lages viveu e está vi vendo essa fase. Ela tem um filho de 11 meses e está grávida novamente. Na primeira gestação, a vacina era novidade, ela estudou bastante, mas o filho nasceu antes da imunização. O jeito mais eficaz de evitar as doenças foi seguir as orientações dadas pelos médicos.

Agora, na segunda gravidez, com tempo e com a vacina já conhecida, ela irá se imunizar e proteger o bebê. “Na primeira gravidez, todos que fossem conviver com o bebê se vacinaram contra difteria, tétano e coqueluche. A da bronquiolite era uma novidade”, conta. Em casa, reforçou a higiene das mãos, o uso de álcool e até reduziu o contato das cachorras nos primeiros meses do bebê. Mesmo sem a vacina, Marina protegeu seu bebê e se informou. Para ela, o importante é equilíbrio: “Tomem cuidado. São muitos vírus, mas não é um bicho de sete cabeças. Nós damos conta.”, brincou.

A chegada de um bebê sempre pede ajustes, mas não precisa vir acompanhada de pânico. A ciência avança e oferece novas camadas de proteção, como a vacina contra o principal vírus da bronquiolite. E as recomendações dos especialistas são claras: informação, não medo; prevenção, não isolamento; cuidado compartilhado com quem convive com o bebê.

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