Política

E AGORA, BRASIL?

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E agora, Brasil? Daqui a menos de 90 dias ha verá eleições. Com que roupa iremos votar? — perguntaria Noel Rosa. Neste século, com a economia crescendo em ritmo superior à expansão demográfica, o país chega à sétima eleição presidencial ininterrupta. Seria evidência de democracia sólida e com instituições funcionando? Democracia é mais do que isso.

As pesquisas eleitorais, qualquer que seja sua fonte, mostram duas realidades cristalizadas: a maioria dos eleitores ainda não escolheu seu candidato e a polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo continua evidente, sem alterações expressivas fora das margens de erro. Não haverá espaço para debates profícuos sobre propostas viáveis. Como os candidatos pretendem corrigir os rumos do país à prosperidade e ao bem-estar coletivo? Como planejam lidar com as incertezas globais, os impactos da inteligência artificial e os riscos à soberania nacional? No âmbito doméstico, o que farão para aumentar a produtividade, controlar a expansão contínua da dívida pública, reduzir as taxas reais de juros e responder aos impactos da crise climática?

A campanha eleitoral será marcada por de núncias e acusações, amplificadas por novas tecnologias capazes de distorcer a realidade. No centro do debate pontificarão a ousadia de Vorcaro e o caso do Banco Master. Como um polvo, a quadrilha espalhou seus tentáculos por todos os Poderes da República: distribuiu propinas, fez negócios pouco republicanos, comprou apoios, ofereceu festas, voos e “otras cositas más”, financiou campanhas e — pasmem — tentou calar a imprensa. Nada disso é novo. A novidade está na extensão do esquema, que alcança todo o espectro político-institucional do país.

A POLARIZAÇÃO CONTINUA EVIDENTE, SEM ALTERAÇÕES EXPRESSIVAS

A soberania do Estado está fraccionada. Na política externa, para colocá-lo no segundo turno, há candidato a presidente buscando apoio de Donald Trump. Não sejamos ingênuos: a interferência americana também foi explícita no auge da Guerra Fria. Atualmente, porém, fica a sensação de que se busca o aval de Washington para prejudicar o desempenho econômico e político do próprio Brasil, subjugando os interesses nacionais aos objetivos familiares de reconquistar o poder. No dia da eleição, camisas amarelas e vermelhas aparecerão nas salas de votação. Afinal, como nos ensinou Cazuza, o tempo não para e a piscina está cheia de ratos.

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