Linda e Fábio Machado: vida cheia de viradas
Foto:Arquivo Pessoal
Há 51 anos nos Estados Unidos, mineiro relembra os episódios que marcaram sua vida
O dia 17 de julho de 1974 está gravado na memória do empresário Fábio Machado: nesta data ele chegou aos Estados Unidos com um grupo de viagem. “Tive uma desilusão amorosa no Brasil, vim em uma excursão”, relembra, bem-humorado, após 51 anos de Estados Unidos. Chegando em Miami, foi depois à Disney, Washington e Nova York. No dia de voltar para o Brasil, hospedado no Sheraton, na 7ª Avenida, vieram o impulso e a decisão: não vou voltar, não. Vou ficar!
“Eu tinha US$ 150 e uma jaqueta de couro. Era julho e já estava quente. Vendi a jaqueta para um cara que estava na excursão por US$ 200. A hora que a turma foi embora, vi o ônibus virando, e pensei: meu Deus do céu, o que eu estou fazendo?!”. Ele ficou olhando para a rua, parado, e pensando que não falava inglês. Assim, na cara e na coragem, “sem saber nem o que que era yes”, começa a saga do mineiro em Nova York.
Com 28 anos, um emprego no banco em Belo Horizonte e algumas dívidas que pretendia saldar, Fábio viu passar a moça que reconheceu como a ex-namorada Marlene. Bendita Marlene! Ele contou para ela sua história. Marlene estava acompanhada de Victor, que recebeu Fábio Machado por três meses em casa.
“Arrumei emprego em um restaurante em que só trabalhava brasileiro. Mudei para a sétima avenida, éramos 10 em um quarto. Era complicado!” Viktor ainda apresentou a amiga Linda a Fábio, que afirma: “Se eu não tivesse vindo para cá, a vida dos meus pais teria sido mais difícil. Alguma coisa me botou no caminho”, reflete Fábio sobre os caminhos do destino.
Motivos para acreditar não lhe faltam: 48 anos depois, ele e Linda têm dois filhos: Eric e Jason Machado e quatro netos: Grayson, Cássia, Charlotte e Lilly. As noras são Debbie e Agnieszka. O casal está feliz, olhando a vida pela janela do imóvel que eles mantêm em Miami. Para desfrutar deste visual – que inclui um píer e mansões com barcos estacionados – Machado passou pelo primeiro emprego como lavador de pratos de 18h às 6h, como empregado em uma loja de eletrônicos e, depois, à loja pró pria. “Toda manhã eu ia para a porta do hotel esperar os grupos de brasileiros e levava pra fazerem compras.”
Antes de se casar com Linda, Fábio estava com a brasileira Beth, que se apaixonou por ele, que não correspondeu da mesma forma. Como vingança, ela chamou a imigração: “Eu já conhecia a Linda. Falei com ela: se você não casar comigo eles vão me deportar. Casamos no dia seguinte!” A vida de Fábio Machado é cheia dessas viradas que fazem com que, sim, quem ouve passe a se perguntar sobre o destino e a sorte!
“Ganhei um bocado de dinheiro. Mas uma hora, acabou. Era jovem, tinha gastado tudo o que tinha ganhado.” Se ele não havia se precavido, Linda havia poupado e ela e o marido começaram a vir ao Brasil comprar roupas para vender nos Estados Unidos. Aí, mais uma virada aconteceu: o casal mudou-se para Huntington, “onde tudo de bom aconteceu, por isso sou apaixonado com este lugar”, suspira Fábio Machado.
Se a resposta sobre o destino é vaga, o mesmo não se pode dizer da atuação de Linda, mais uma vez, decisiva: “Se não fosse ela, não tinha nada disso.” Linda ganhou uma comissão de US$ 500 mil na companhia de seguros em que trabalhava. Era dinheiro que não acabava mais, conta Machado. “Ela confiou em mim; hoje nós temos sete prédios, vários inquilinos, lojas, apartamentos, fui comprando. Deus me pôs no lugar certo nas horas certas, por alguma razão. Cheguei a ter 16 restaurantes em Nova York. Hoje tenho somente o Bistrô Cassis, no mesmo prédio há 25 anos. Mantenho porque gosto de comer ali toda noite. Eu amo aquele lugar.”
