ZONA DA MATA foi atingida por fortes chuvas
Crédito :AgenciaMinas
O luto pelas mortes na zona da mata mineira incentiva refletir sobre o ocorrido, em busca de evitar sua repetição.
As chuvas contribuíram para a tragédia, mas não foram a causa principal. Esta é a urbanização de risco. Chuvas fortes são problema que tem se agravado, e a urbanização de risco também. BH e Juiz de Fora entre as piores no Brasil, de acordo com o MapBiomas. Isso sem que a quase totalidade dos políticos abordem o tema. Pelo silêncio, são indignos de nos representarem.
Sem dúvida foram chuvas fortes. Sabe-se que essas chuvas “fora da curva” têm sido mais frequentes. Também a quantidade de mortos cresceu. E a quantidade de urbanização de risco idem. Tudo conforme previsto. E, sobre o tema, candidatos a governantes culpam a chuva e ignoram a urbanização de risco, a maior responsável.
AS CIDADES BRASILEIRAS SÃO GERIDAS PARA MAXIMIZAR O GANHO DE PROPRIETÁRIOS DE TERRENOS
Afinal, não ocorrem deslizamentos e tantas mortes em áreas urbaniza das mediante adequada “gestão do território”. Vale dizer, respeitando aclives e declives acentuados, dando espaço para os rios (ao invés de comprimi-los), preservando nascentes, assegurando o uso múltiplo do solo, entre tantas outras características de amplo conhecimento e que são desrespeitadas na prática da gestão urbana!
Muitos atribuem a urbanização de risco e o nosso caos urbano à falta de planejamento. Já pensei assim, mas hoje percebo que o problema é outro: em sua maioria, as cidades brasileiras são geridas e planejadas para maximizar o ganho de proprietários de terrenos amigos dos dirigentes de plantão, mesmo em detrimento da qualidade de vida das pessoas.
É algo que se pode chamar de PPP. Não a dita Parceria Público Privada, que, a depender do caso, pode ou não ser boa. O PPP que prevalece é, na realidade, o “Planejamento Para Poucos”.
Donde se conclui que precisamos, com urgência, democratizar de verdade nosso país, para que políticas públicas beneficiem a todos, não só a poucos! Como fazê-lo? Eis a questão!
