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Eduardo Fernandez

Celebrar o crescimento do consumo?

Foto de Artem Beliaikin na Unsplash

 

          É o que quase todos fazem: celebram notícias que informam do aumento das vendas. Há razão para tanto, pois fomos ensinados a crer que com mais vendas haverá mais lucros, consumo, investimento, empregos, melhor qualidade de vida. Só que nem sempre a cadeia funciona assim, menos ainda quando os ditos sapiens superaram oito bilhões, munidos de instrumentos poderosos, capazes de mover montanhas, e usados sem os cuidados necessários para evitar que elas se movam sem avisar, como atestam a Vale, a Samarco, Mariana, Brumadinho, o bairro que afunda em Maceió, e a ilha que submerge sob o peso dos seus prédios: Manhattan, símbolo do “sucesso” da civilização ocidental! Este afundamento faz lembrar Ghandi: quando perguntado o que achava da civilização do Ocidente ele respondeu: “Seria uma boa ideia”!

 

  A continuidade desse processo é certeza de desastre humano global

 

            Pesquisa recente apresentada no Circle Economy mostra que a quantidade de materiais consumidos anualmente pela humanidade quadruplicou desde 1970, superando 100 bilhões de toneladas, e a proporção reciclada tem caído. As muitas emergências ambientais resultam da insustentável extração de tanto material, que não se traduz em melhor qualidade de vida para 70% dos humanos, que vivem com menos de US$10/dia! A continuidade desse processo é certeza de desastre humano global.

           Quase 1/3 do material extraído é usado por mais de um ano, como casas e veículos; apenas 9% são reciclados, e o restante é lançado na natureza (plásticos, lixões e restos de mineração). A irracionalidade corrente e geral é revelada, no Brasil, pelo fato de termos seis milhões de imóveis fechados, quantia igual ao estimado déficit habitacional. Bem mais que construir novas casas, praticamente sem gestão do território, o objetivo da política deveria ser incentivar o uso dos imóveis ociosos.

          Mudar a rota é essencial; há que substituir a busca do “crescimento” pela de melhor qualidade de vida, alterando as políticas e também as mentes!