Política

EM TEMPO DE CONVENÇÕES

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Neste mês, o Brasil entra na fase final que antecede as eleições: as convenções partidárias, que escolherão seus candidatos. Depois, virão as campanhas eleitorais de fato, quando os eleitores, cuja maioria está indefinida, tomarão suas decisões.

A disputa eleitoral deste ano, como nas eleições passadas, será polarizada entre o que se convencionou chamar de esquerda e direita. Mas esta não é a principal chave para compreender a política brasileira. Como toda a América Latina, o Brasil ingressou em outra fase: a da volatilidade eleitoral. Os eleitores premiam e punem governos de turno com rapidez crescente, menos por fidelidade ideológica e mais pela incapacidade de eles entregarem serviços de qualidade, crescimento econômico e segurança pública.

Também chama atenção as margens estreitas nos resultados das eleições presidenciais, no segundo turno, que reduzem o capital político do presidente eleito e ampliam o poder das oposições. Vencer uma eleição não significa mais dispor de legitimidade suficiente para promover mudanças profundas. Eis o dilema.

O BRASIL INGRESSOU EM OUTRA FASE: A DA VOLATILIDADE ELEITORAL

O maior desafio da democracia tampouco é o retorno dos golpes militares que marcaram o século passado. A ameaça assume formas mais sutis: perda de confiança nas instituições, enfraquecimento dos partidos, conflitos per manentes entre os Poderes, disseminação da desinformação e crescente influência do crime organizado sobre a vida política.

Daí decorrem três grandes desafios políticos simultâneos: reduzir a polarização sem sufocar o pluralismo democrático; reconstruir a confiança nas instituições, condição indispensável para que governos consigam formar maiorias e implementar reformas; e recuperar a capacidade do Estado de enfrentar a violência organiza da e garantir segurança aos cidadãos.

A política brasileira não está, pois, definida apenas pela fronteira entre esquerda e direita. Mas, sobretudo, pela incapacidade dos governos de transformar votos em governabilidade e responder às demandas de população cada vez mais impaciente e desiludida. Enquanto dois grupos duelam pelo poder, a sociedade sofre com a ausência de opções para fazer melhore escolhas.

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