Reprodução Internet
Presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, expõe planos de investimento após privatização da companhia
O nome de Marília Carvalho de Melo tomou conta do noticiário econômico nos últimos meses. Responsável pelo governo de Minas para realizar o processo de privatização da Copasa, já no início dos trabalhos impactou o valor das ações da estatal, que passaram por uma forte valorização na Bolsa de Valores, a B3.
O processo de privatização também foi considerado um sucesso pelo mercado, com a Equatorial Energia adquirindo 30% do capital social da empresa, marcando um novo momento para a Copasa, que sai das amarras da administração pública para ter mais facilidade para contratar ou dispensar prestadores de serviços que não estão atendendo as demandas da companhia. A participação do Estado foi reduzida de 50,03% para 5,03%, mas com uma ação especial com poder de veto para decisões estratégicas.
Esses são apenas alguns pontos da transformação pela qual a Copasa está prestes a passar e que foram temas do jantar-palestra no Conexão Empresarial, evento promovido pela VB Comunicação, revista Viver Brasil, blog do PCO e jornal O Tempo. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro de R$ 2,128 bilhões, um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado e encerrou 2025 com uma receita líquida de R$ 7,36 bilhões, segundo Marília, que ressalta que a previsão é a de que os investimentos no estado cheguem a R$ 3 bilhões, com crescimento nos próximos anos.
Com as mudanças no comando da Copasa, Marília ressalta que o consumidor pode esperar “uma melhoria no atendimento e na prestação de serviços em todos os aspectos”. Ela lembra que a tarifa, que é uma das preocupações do consumidor, é regulada pela agência Arsae-MG, que tem alguns requisitos para o cálculo tarifário, mas ressalta que a quantidade de investimentos impacta na tarifa, que é única no estado.
A Copasa atua em 636 municípios mineiros e tem um plano de investimento de R$ 21 bilhões até 2030, já dentro da estratégia de universalização dos servi ços para atingir 99% de fornecimento de água e 90% de tratamento de esgoto. São os novos desafios que a Copasa tem a par tir de agora, segundo Marília, que lembra que investir em saneamento é investir em saúde, na valorização imobiliária, no turismo, aumenta a competitividade e muda a perspectiva de investimentos nas localidades atendidas.
Ela lembrou que um dos pontos importantes nesse processo foi o diálogo firma do com as prefeituras, um relacionamento que nem sempre foi fácil na estatal, mas que passou por uma mudança na sua gestão. Esse diálogo permitiu um acordo com a Associação Mineira de Municípios para a negociação dos novos contratos. “Eles dão garantias de universalização de água e esgoto. Tem cláusulas que obrigam a Copasa a investir para atingir 99% de abastecimento público”, ressaltou. Com o esgoto, é da mesma forma. Dos 636 municípios atendidos pela companhia, 309 são atendidas só com o abastecimento de água e 327 com tratamento de esgoto. Um dos problemas que a Copasa pretende atacar é a perda de água, que atualmente está em 35,6% e chegar a 25%, passando por um processo de modernização tecno lógica para ajudar nesse monitoramento.
No Conexão Empresarial, Marília também citou três projetos especiais, que demandam atenção e recursos da Copasa. Um deles é o do Sistema do Rio das Velhas, que envolve recursos de até R$ 2,7 bilhões. O Sistema Rio Manso demanda mais R$ 1 bilhão e a Lagoa da Pampulha vem demandando recursos e projetos para melhorar a qualidade da água, com obras e ações para minimizar os problemas que afetam um dos principais cartões postais de Belo Horizonte. Segundo Marília, o esgoto que era despejado na lagoa foi retirado. Mas o processo de limpeza da água requer tratamento químico e outras ações que já estão em curso.
A companhia também investe em outros projetos como o Pró-mananciais, que conta com a participação de 281 municípios, 4.800 propriedades rurais beneficiadas, e pelo menos 9,7 milhões de pessoas impactadas com essas ações, que envolveram, até 2025, recursos na ordem de R$ 52,4 milhões.
Me encontrei no saneamento”, disse Marília, que tem formação na área de engenharia civil, mas foi nessa área que despontou como uma das profissionais mais bem preparadas e respeitadas no país.

