Economia

CAMINHOS DA MOBILIDADE

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Concessão de rodovias: CNT acredita em melhoria significativa no tráfego  

 

CNT defende renovação de frota, aumento da eficiência do transporte público e investimentos em ferrovias e aquavias

 

Aumentar a eficiência do transporte público, reativar a malha ferroviária do país, articular com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário um novo cenário para o transporte brasileiro têm sido alguns dos desafios do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, à frente da instituição desde 2019, cumprindo o segundo quadriênio do mandato até 2027.

“A gente tem acompanhado o investimento em infraestrutura. É válido pontuar o es forço para as concessões de rodovias para poder receber o capital privado. Já são diversos leilões e teremos mais alguns ainda neste ano. Mas é preciso o investimento público, principalmente nas regiões mais carentes, para promover o desenvolvimento econômico e social”, pontua.

Vander Costa observa que a CNT já acompanha há bastante tempo o esforço para concessão de trechos rodoviários. “Nos últimos três anos houve uma evolução muito grande na iniciativa de transporte, principalmente nas rodovias. Mas há que se observar também que está havendo uma resistência do Ministério do Meio Ambiente para o trans porte aquaviário, uma resistência biológica. Uma dragagem para manter o rio navegável tem um efeito ecológico, mas é um impacto muito menor do que fazer uma rodovia para transportar as safras do Centro-Oeste, Nordeste. A gente defende o diálogo. As negativas não promovem o desenvolvimento”, sustenta.

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A CNT publicou, durante a COP 30, no final de 2025, o Inventário CNT de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Setor de Trans porte. “Através dele, chegamos à conclusão de que a melhor maneira de reduzir a emissão de poluentes é incentivar o transporte cole tivo em detrimento do individual. Um ônibus transporta 40 pessoas e vai emitir muito menos que um automóvel transportando uma pessoa só. Para que o cidadão deixe o carro em casa e passe a usar o transporte público, ele precisa ter tranquilidade, segurança. A gente está caminhando agora com o marco regulatório de mobilidade urbana, indo nesse sentido de incentivar o transpor te coletivo. É sempre mais eficiente e emite menos gases de efeito estufa”, compara o presidente da CNT.

Entre as críticas feitas ao governo está a isenção do IPVA para veículos com mais de 20 anos. Para Costa, trata-se de uma medida populista que dificulta a renovação da frota e aumenta a emissão de poluentes. “Quanto mais velho o veículo, maior de veria ser o IPVA, porque ele possui menos tecnologia e emite mais gases de efeito es tufa”, afirma.

Outro desafio é pensar a oferta de combustível em momentos de crises pontuais. “O petróleo subiu por causa da guerra EUA e Irã, mas é preciso pensar em uma política de combustível para longo prazo. Uma alternativa muito boa que está crescendo é o biometano. Tirar o gás que sai, principalmente dos lixões e refinar o gás para virar combustível bem mais limpo que o óleo diesel”, sugere.

É importante a mudança de conceito de matriz energética, mas Vander Costa lembra que não tem a solução para todos os modais. “Então, é preciso trabalhar com diversas soluções”, considera.

O presidente da CNT entende os desafios do transporte em todos os modais no Brasil, mas elogia o que está, segundo ele, “sendo possível de se fazer”. Costa diz entender que o gasto público no Brasil já está comprometido e que não adianta aumentá-lo, “porque isso pode manter a Selic alta e atrapalhar a economia como um todo”. “Minas Gerais foi contemplado com muitas concessões. Eu acredito que em um ano ou dois teremos uma melhoria de tráfego significativa. Agora, estamos em um canteiro de obras no estado inteiro com relação às rodovias”, comemora.

Vander Costa lembra, porém, que é preciso um incentivo para retomar ferrovias que não estão sendo utilizadas. “Há 50 anos a gente tinha 40 mil quilômetros de ferrovias utilizadas no país, hoje não chegam a 15 mil. Houve um retrocesso”, diz.

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Na parte hidroviária, a ideia é retomar a hidrovia do São Francisco, de Pirapora para a Bahia. “É um projeto que está andando. É uma fronteira agrícola grande, interessante, e nós esperamos que até o ano que vem seja feita a licitação”, aguarda.

O PIB do setor de transportes, com todos os modais, é bem próximo dos 10%. A maior parte dos trabalhadores do transporte está no setor rodoviário, dividido entre carga e passageiro. “O rodoviário é importante, mas é preciso desenvolver mais o aquaviário, quanto a cabotagem. Temos um litoral muito grande, que é muito pouco explorado para a navegação”, destaca Costa.

Valter Souza, diretor de relações institucionais da CNT, lembra que o transporte é essencial para o funcionamento do país e por isso mesmo precisa estar presente nas mesas de debate para auxiliar na construção de boas políticas públicas. “A CNT atua exatamente nisso: estar nas mesas de negociação, nas audiências públicas, nas consultas regulatórias e nos tribunais, porque sabemos que segurança jurídica e previsibilidade não se conquistam por decreto. Isso só se constrói com presença, técnica, articulação e muita persistência. Essa é a razão de ser das relações institucionais: fazer com que a realidade do setor seja conhecida e considerada por quem decide”, conclui.

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