Educação

CIDADE LITERÁRIA

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Ônibus Biblioteca sediou atividades como oficinas e contação de histórias

 

Feira em Tiradentes reúne quase 100 autores para refletir sobre Escrevo, logo existo: vozes que narram o agora

 

A Feira Literária Internacional de Tiradentes chegou à sexta edição no início deste mês de maio. O evento, que aconteceu do dia 6 ao 10, atraiu diversos escritores, jornalistas, músicos, artistas e, é claro, leitores. As atrações ficaram divididas entre a praça da Rodoviária, onde estava a Cidade Literária, e o largo das Mercês, onde ficou o Ônibus Biblioteca Fliti. A curadoria literária ficou por conta de Bianca Ramoneda e Martha Ribas. A curadoria do edital de escritores independentes foi de Igor Duarte.

No primeiro dia, ficou marcado o painel com Flora Gil, Bento Gil e Daniel Kondo, eles reuniram música, livros e imagens em um só lugar. Foi também o dia da primeira oficina de escrita criativa com Bruno Venga, que fez com que diversas crianças se abrissem. Na quinta–feira aconteceu o painel “Se a escrita me chamar eu vou”, com Mariana Salomão Carrara, autora do livro Se Deus me chamar não vou.

A mesa que reuniu Helinho Saboya, autor de O emissário, e o veterano Carlos Eduardo Novaes que publicou, entre outros, A história de Cândido Urbano Urubu, proporcionou momentos divertidos ao falar abordar as crônicas e o cotidiano e refletir sobre a dificuldade em encontrar, hoje, textos com viés humorístico. Para Novaes, que começou como cronista no início dos anos 1970, no extinto e saudoso Jornal do Brasil, as várias crises que o mundo vive, política, social, econômica, de costumes, acaba refletindo também na escrita.

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Já a mineira Flávia Péret falou sobre escrita e memória e seu livro Coisas presentes demais. O ponto de partida foi um ato mar cante da avó, que, iniciando um processo de Alzheimer, destruiu toda a horta que havia cultivado durante toda a vida. “Aquilo me assombrou”, contou. A partir daí, ela tentou refletir sobre quem era aquela mulher, não buscando uma verdade, mas tentando reter a memória. “Não existe uma verdade, ela é uma pessoa caleidoscópica, cada um vê de um jeito”, explicou.

Flávia também contou que existe um filtro entre ficção e realidade e que é possível ver algo significativo em uma vida insignificante. No mesmo painel, a editora Iara Biderman destacou que memória e corpo estão sempre na escrita. “São a base de toda escrita ficcional”, declarou. Jornalista de profissão, ela contou que apura com profundidade os locais e momentos usados em seus livros, passando a sensação de já ter visitado todos os lugares. “São lugares em que não fui, mas pesquisei e transformei”, analisou.

O ator, autor e diretor Paulo Betti falou sobre o livro Autobiografia autorizada, que reúne a peça teatral que estreou em março de 2015, acrescido de relatos e informações que não couberam na montagem. Na obra, ele recorda acontecimentos que marcaram sua infância e juventude em Sorocaba, no interior de São Paulo. Betti contou que foi criado em um quilombo e teve a sorte de ter acesso à educação integral na escola pública. Na família, de origem italiana, ele era o “anotador” e disse que adora ler. “Tenho respeito absoluto pelo autor, sempre tive admiração pelo escritor”, completou.

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Um acidente perto de Barbacena atrasou a chegada de vários escritores, mas não impediu que eles participassem diante de um público ansioso. A escritora Aline Bei, por exemplo, conta que ficou 12 horas no trânsito. Essa longa espera não atrapalhou em nada sua fala no painel Vidas que transbordam, onde contou um pouco de sua trajetória e de seu processo literário. Ela contou que fica anos escrevendo um livro e, às vezes, demora meses para completar um trecho. Para ela, a escrita é o contrário da leitura, que deve ser fluida. Ela disse que tenta escrever cenas e não capítulos e termina antes de começar a explicar demais. Para quem quer começar no ofício, recomenda disciplina. “Tudo conspira para você não escrever”, alerta.

Outro destaque da programação foi a imortal Ana Maria Machado. Aos 84 anos, foi eleita para a ABL em 2003 e presidiu a academia de 2011 a 2013. Em mais de 40 anos escrevendo, publicou mais de cem livros e vendeu mais, mais de vinte milhões de exemplares, publicados em vinte idiomas e 26 países. Um dos mais famosos é Menina bonita do laço de fita. Ela participou de duas mesas, A invenção dos mundos para a infância, com Elisabeth Teixeira, e Ana Maria Machado: literatura e trajetória, com Beatriz Resende.

A feira foi bem voltada para o público infantojuvenil, com presença maciça de estu dantes das escolas municipais e estaduais da região, todos com vouchers na mão para levar livros para casa, uma bela iniciativa de ampliação do acesso à leitura.! Até ano que vem, Fliti!

 

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