Economia

CRÍTICA ÀS ALTAS TAXAS DE JUROS

vb ed300 fevereiro 26 capa CRÍTICA ÀS ALTAS

Geraldo Alckmin: “A indústria envelheceu de forma precoce”

 

Bem-humorado, Geraldo Alckmin mostrou o seu lado descontraído e de um contador de histórias, surpreendendo empresários, autoridades e políticos que participaram do primeiro Conexão Empresarial de 2026. No jantar-palestra promovido pela VB Comunicação, revista Viver Brasil, Blogdopco e jornal O Tempo, Alckmin só escorregou das perguntas sobre política. Enquanto aguarda o sinal do presidente Lula, que deve anunciar a reedição da chapa Lula-Alckmin, ele segue em seu trabalho discreto e firme na recuperação da economia.

Em São Paulo, onde seu nome chegou a ser cogitado para entrar na disputa, Alckmin afirmou que são muitos nomes bons que estão colocados no campo político da esquerda, citando Fernando Haddad, Márcio França (que foi seu vice no governo de São Paulo), Simone Tebet e até Alexandre Padilha. Na eleição em Minas, arrancou aplausos quando citou o nome do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que também participou do Conexão Empresarial. Ele ressaltou a importância de Minas Gerais no cenário eleitoral, por ser “o estado síntese, fascinante. Na última eleição Lula ganhou em Minas, mas nunca é fácil” e lembrou que “quem vence em Minas, ganha a eleição nacional”.

Na sua palestra, Alckmin reclamou das altas taxas de juros, que para ele não se justificam mais no patamar elevado em que se encontram, com a inflação em 4,2% e com a economia dando sinais claros de recuperação. O vice-presidente lembrou que o dólar sofreu uma forte queda nos últimos dias, passando de US$ 6,30 para US$ 5,18 e com outros recuos. Para ele, o cálculo da Selic deveria seguir o modelo de Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, que deixa de fora o fator alimentos, por sofrer com as questões climáticas, e considera que o petróleo também deveria ficar de fora, por sofrer influência das questões geopolíticas.

Outro ponto que o preocupa é em relação à necessidade de recuperar a indústria brasileira. Segundo ele, houve um processo de desindustrialização do país, que se deu de forma muito rápida: “a indústria envelheceu de forma precoce e severa e temos de suar a camisa para recuperar a indústria nacional”. Ele citou um exemplo de avanço em relação a um setor em Minas, o dos biocombustíveis, e a decisão do governo em aumentar o teor de etanol na gasolina de 27% para 30%.

O vice-presidente e ministro de Desenvolvi mento, Indústria, Comércio e Serviços também respondeu a reclamação dos produtores de leite, que cobram do governo uma solução para a entrada de produtos da Argentina e de outros países com preços que não cobrem nem os custos da produção. Alckmin disse que o governo está usando o antidumping, que são medidas de defesa comercial para neutralizar os efeitos dos valores que prejudicam os produtores brasileiros. A mesma situação se aplica ao setor siderúrgico, que reclama da concorrência desleal da China.

Alckmin lembrou aos empresários do tarifaço imposto aos produtos brasileiros e da viagem que o presidente Lula fará em março para os Estados Unidos para negociar a retirada de mais produtos da lista. No início, eram 37% dos produtos exportados. Dentre os itens retirados estão frutas e até o café e afirmou que um dos focos do presidente Lula é retirar do “tarifaço” o café solúvel, que foi muito prejudicado. Ainda faltam 22%, que entram na pauta da conversa de Lula com Donald Trump.

Mesmo com os impactos do tarifaço, as exportações brasileiras cresceram, com o saldo de US$ 269 bilhões. Minas Gerais cresceu 8%. Ele também ressaltou que o Brasil conseguiu avanços significativos com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Alckmin disse que, mesmo com o processo sendo questionado na Justiça, devido à resistência de alguns países europeus, como a França, o Congresso Nacional aprovando o tratado ele começa a vigorar provisoriamente até que o processo seja concluído na União Europeia, o que pode levar meses.

Na conversa descontraída com os participantes do Conexão Empresarial, Alckmin lembrou de suas raízes mineiras, dizendo-se o mais mineiro dos paulistas. Lembrou de seu parentesco com José Maria Alckmin e da sua relação com as cidades de Baependi e Curvelo. Citou conversas com o ex-presidente José Alencar que o corrigia em relação a pronúncia do seu nome “porque palavra proparoxítona não ganha eleição” e da religiosidade de Tancredo Neves, que recorreu a são Geraldo, no santuário em Curvelo para ganhar a eleição em Minas, porque, segundo um amigo, “São Geral do não abandona os seus”. Tancredo não venceu a eleição, mas meses depois virou primeiro-ministro no governo de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros.

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