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GESTÃO E LEGADO

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Dario Colares: promover o conhecimento genético da raça está entre as metas

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Dario Colares assume ABCCMM em janeiro com planos para capilarizar a criação do Mangalarga Marchador

 

O pequeno e o médio criador vão ganhar atenção especial na nova gestão da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Mangalarga Marchador (ABCCMM). Em janeiro de 2026, a nova diretoria toma posse, tendo à frente, um dos mais tradicionais produtores da raça no Norte de Minas, o empresário Dario Colares de Araújo Moreira, que vem de uma família com 90 anos de história na raça desse animal e titular do tradicional prefixo Catuni (termo conhecido no meio equestre, referente aos criadores desse perfil). Dario Colares é apaixonado pelo Mangalarga Marchador e representa a quarta geração de criadores da raça.

Seu avô foi responsável por registrar o primeiro animal em livro fechado na ABCCMM. Criador atuante no cenário do agro, possui forte presença no uni verso equino, preside, atualmente, a Cooperativa de Crédito Credinor Ltda. – Scoob Credinor e a Fundação Credinor – Fecred.

Antes de esmiuçar as propostas de sua gestão, de 2026 a 2029, Colares fez questão de elogiar a atual presidente da entidade, Cristiana Gutierrez. “Ela fez um excelente trabalho nos últimos anos em prol da associação”, aplaude disposto a abraçar o legado.

“A ABCCMM reúne, hoje, quase 28 mil criadores e um enorme plantel. São cerca de 300 associados novos a cada mês”, estima Colares, que recebeu 53,31% dos votos válidos, 2.861 votos, concorrendo com duas outras chapas em votação no dia 26 de novembro. Ele estará à frente de 56 núcleos e regionais, com representações na Alemanha, Itália, Estados Unidos e Argentina. Só o calendário, contempla cerca de 300 eventos oficiais pelo Brasil e 350 leilões (entre remates presenciais e on-line) a cada ano.

O novo presidente participou de duas gestões da ABCCMM nos Conselhos Deliberativo Superior e Fiscal, além de fundar e presidir o Núcleo Norte de Minas do Mangalarga Marchador. Ele vai focar também na melhoria da pista, exposição nacional, tecnologia, área técnica, marketing e esporte, entre outros.

Animado com a nova missão, Dario Colares conta que quer fomentar a educação entre os criadores. “A gente quer levar a cultura equestre através de cursos gratuitos. Promover o conhecimento genético da raça, investir em biblioteca virtual, criar um aplicativo próprio para controle de haras, via associado, capacitar jurados e nivelar o conhecimento destes, juntamente com os técnicos de registro, além de atualizar e modernizar o sistema para levar um atendimento mais ágil ao associa do. A ideia é dar mais capilaridade à raça”, sintetiza.

Também está na proposta de gestão de Colares, a potencialização em outras áreas. “Devemos incentivar a autonomia dos núcleos para seus eventos, fazer a expansão da marca, especialmente, no Norte e Nordeste”. Segundo ele, 50% dos criadores estão em Minas Gerais.

A associação está com a concessão da Gameleira há alguns meses, com possibilidade real de mantê-la por 20 anos, após concluir dois anos de concessão comprobatória, o que já está em curso. O trabalho foi iniciado por Cristiana Gutierrez e a ideia é não só fazer eventos agro. “O objetivo é transformar o parque em um verdadeiro centro de referência para o nosso cavalo e para o agro negócio nacional, com mais estrutura, visibilidade e oportunidades. Queremos que muito em breve o parque tenha uma agenda dinâmica de eventos, com foco em realizações de novos negócios na capital mineira”, enfatiza Cristiana Gutierrez.

O presidente eleito endossa as pre tensões: “Queremos promover escola de equitação e equoterapia e transformar em uma área de excelência do Manga larga. São 90 mil metros quadrados dentro de BH para administrar. Fazemos a gestão financeira do parque, e a arrecadação que ele vai gerar voltará para a melhoria do próprio espaço”, aponta Dario Colares, o desafio que tem pela frente.

Ao finalizar seu mandato, a presidente da ABCCMM, Cristiana Gutierrez, faz um balanço de sua gestão à frente da entidade. “Nos últimos quatro anos, a associação avançou significativamente na valorização e no fomento do Mangalarga Marchador em todo o país. Durante esse período, até agosto de 2025, já haviam sido repassados R$ 19,7 milhões aos núcleos regionais da raça para incentivo a eventos oficiais, como cursos, exposições, copas de marcha e provas esportivas”, contabiliza.

A área técnica foi valorizada com investimentos consistentes pela atual diretoria, com destaque para a implementação do Curso de Formação por Competência, voltado à capacitação de mão de obra especializada, realiza do em parceria com o Sistema Faemg/ Senar. O projeto, que já chegou em diversos estados brasileiros, contribuiu significativamente para qualificar profissionais para atuar diretamente no dia a dia dos criatórios.

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Eventos contribuem para fortalecimento do Mangalarga Marchador

O doping mereceu um maior cuida do. O tema, que antes era regulamentado por uma normativa interna, passou a integrar o estatuto da entidade. “Um ponto que muito me orgulha foi ter incentivado a criação da Comissão Antidoping, contribuindo diretamente para o fortalecimento da ética, da transparência e da credibilidade nas competições da raça”, destaca Cristiana Gutierrez.

A área de esportes também ganhou novo fôlego. Foi criado o Campeonato Brasileiro de Esportes, uma iniciativa que tem se destacado pelo terceiro ano consecutivo. As cavalgadas temáticas já somam 28 edições em oito estados brasileiros e duas edições nos Estados Unidos e em todas as suas edições, o projeto já reuniu mais de três mil participantes.

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Na área de promoção, a grande vi trine do Mangalarga Marchador, a Exposição Nacional passou por ampla modernização e cuidados estruturais, beneficiando criadores, visitantes e, especialmente, os animais. Entre as melhorias implementadas, destacam–se saídas intermediárias de animais em dias alternados, modernização da pista principal, construção de pista adicional, aumento do número de baias e adoção de tecnologias como reconhecimento facial dos associados e controle digital de admissão dos animais, modernizando a experiência do evento.

O reconhecimento veio em 2025, quando a Exposição Nacional se tornou o primeiro evento do agronegócio brasileiro a receber uma certificação internacional em Bem-Estar Animal. A modernização também se refletiu na gestão institucional. A atualização do estatuto e a instituição do voto eletrônico tornaram a ABCCMM mais democrática e participativa, permitindo que associados de todas as regiões do país exerçam seu direito ao voto de forma simples e segura.

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