Bárbara Botega
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À frente da Secult, Bárbara Botega revela que ponto central da política para o setor é entender a cultura como cadeia produtiva
Uma política pública que una identidade e resultado. Esta é a proposta que a secretária de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Barros Botega, pretende implementar em sua gestão, em 2026. Advogada e cientista social, a ex-assessora estratégica da Invest Minas e ex-secretária adjunta de Comunicação do governo do Estado, assumiu a pasta da Secult em 17 de setembro de 2025, substituindo Leônidas Oliveira, com o desafio de transformar potencial em entrega cotidiana: infraestrutura, qualificação, promoção inteligente dos destinos e, ao mesmo tempo, garantir que a cultura tenha ambiente de liberdade, profissionalização e sustentabilidade.
Para a secretária, o ponto central é entender a cultura como cadeia produtiva: artista, técnicos, produtores, espaços, festivais, formação, circulação. “Minas tem força no barroco e no patrimônio, mas também tem música, audiovisual, literatura, artes visuais e uma cena criativa vibrante. Cultura e turismo não podem ser tratados como enfeite: são economia, emprego, território e qualidade de vida”, aponta.

Bárbara Botega quer os projetos da pasta com foco em três frentes, segundo ela: “preservar e ativar o patrimônio, descentralizar investimentos e oportunidades para o interior e fortalecer a economia criativa com instrumentos que tragam previsibilidade para quem produz e para quem investe”, pontua.
Para Bárbara, Minas é um estado com densidade cultural única, com patrimônio, tradição, produção contemporânea e um público cada vez mais interessado. “Belo Horizonte vive um momento forte: grandes exposições, novos espaços e uma agenda cultural que cresce”, acrescenta.
Outro ponto importante, segundo a secretária, são as formações de parcerias público-privadas, que julga ser um caminho importante para tirar projetos do papel com agilidade e sustentabilidade. “Minas tem vocação para parcerias que preservam e ativam”, elogia.
Novas concessões à vista, indica ela, sem adiantar negociações. “Estamos trabalhando modelos que envolvem concessões, permissões e parcerias de gestão para qualificar a experiência do visitante em equipamentos e áreas com potencial turístico, garantindo preservação e bom serviço”, ressalta a secretária de Cultura e Turismo. “A lógica é clara: o Estado define regras, protege o interesse público e o patrimônio, e o parceiro ajuda a entregar qualidade, manutenção e inovação, sempre com transparência e contrapartidas bem definidas”, completa.
No comando da Secult, Bárbara aponta o papel do Estado: criar ambiente. “Preservar o que é nosso, garantir acesso e estimular produção e circulação com profissionalismo, sem tutela e com foco em resultado”, reforça.
Sobre a polêmica da federalização dos equipamentos culturais para equacionar a dívida do Estado com a União, a secretária de Cultura é cuidadosa na resposta: “Esse tema precisa ser tratado com serenidade e responsabilidade. O que importa, acima de qualquer discussão, é garantir três coisas: continuidade dos serviços, preservação do patrimônio e segurança jurídica e administrativa para os equipamentos e para quem trabalha neles”.
A posição da secretaria, lembra Bárbara, “é defender soluções que protejam o interesse de Minas, mantenham a vocação cultural dos es paços e assegurem gestão eficiente e transparente. Quando há diálogo institucional e com promisso com o público, a discussão deixa de ser ruído e vira encaminhamento técnico. Os equipamentos citados (Palácio das Artes, Pa lacete Dantas e Fazenda Boa Esperança) estão superados. Não tem previsão de federalização”, diz.
Quando o assunto é o do momento, Carna val, Bárbara Botega faz questão de reforçar a potência cultural e turística do evento. “Nossa atuação é para garantir que ele aconteça com organização, segurança, valorização cultural e impacto econômico real, especialmente no interior”.
A Secult atua, principalmente, aponta a secretária, em fomento e apoio institucional, com instrumentos de incentivo a programações, valorização de expressões tradicionais, articulação com municípios e integração com outros órgãos do estado. “Nosso compromisso é simples: fortalecer o Carnaval como evento popular, gerador de renda e vitrine de Minas, sem improviso e com responsabilidade”, garante.
O turismo, também no foco da pasta, com destinos importantes como as cidades históricas, o Circuito das Águas, Estrada Real e outros, também de interesse ecológico, Bárbara Botega informa que está trabalhando com uma lógica de turismo que não depende só de propaganda.
“É produto bem estruturado e experiência bem entregue. Nas cidades históricas e na Estrada Real, o foco é integrar patrimônio, serviços e calendário, promovendo rotas com começo, meio e fim, conectando atrativos e estimulando permanência maior do visitante”.
No Circuito das Águas, a secretária aponta estratégia de posicionamento e estruturação da oferta, necessária para reforçar a vocação de bem-estar, saúde e descanso, com melhoria de jornada do turista.
E no turismo ecológico, o eixo, segundo ela, é consolidar Minas como destino de natureza e aventura com segurança, qualificação e ordenamento, além de fortalecer iniciativas de base comunitária e economia local.
Um dos segmentos que mais entusiasma Bárbara Botega é a gastronomia que, para ela, Minas tem não só vocação, mas sim, vantagem competitiva. “A gastronomia mineira é patrimônio vivo e é também um grande motor turístico. O turismo gastronômico cresce quando a gente transforma comida em experiência: origem, história, modo de fazer, hospitalidade, produtos locais e roteiro. Minas reúne tudo isso: queijos, cafés, doces, cachaças, cozinha de raiz, chefs contemporâneos e territórios com identidade forte”, exalta.
Outro aspecto importante por ela destacado é o turismo de fazendas históricas e experiências no campo, que Bárbara Botega vê como potencial enorme para crescer. “Minas tem paisagens, tradição e cultura do acolhimento. O caminho é estruturar produtos, qualificar atendimento, conectar com rotas e garantir padrão de experiência para o visitante voltar e indicar”, esclarece sobre o que precisa ser feito para um maior aproveitamento desse segmento.
“A GASTRONOMIA MINEIRA É PATRIMÔNIO VIVO E É TAMBÉM UM GRANDE MOTOR TURÍSTICO. O TURISMO GASTRONÔMICO CRESCE QUANDO A GENTE TRANSFORMA COMIDA EM EXPERIÊNCIA”
Sobre o turismo de negócios, que Minas também oferece como grande potencial a ser melhor explorado, Bárbara lembra que o estado já tem infraestrutura e ativos relevantes. “O desafio é fazer essa estrutura trabalhar de forma mais integrada e estratégica, com calendário consistente e promoção direcionada”, destaca.
Aproveitar melhor significa, segundo Bárbara Botega, atrair eventos com planejamento, fortalecer parcerias com o trade, estimular a ocupação fora de pico, conectar negócios com experiências de lazer e cultura e vender Minas como destino completo. “A pessoa vem para o evento e fica mais um ou dois dias, consumindo, conhecendo e movimentando a economia local”.
Ela cita como exemplo o Vila Galé em Cacho eira do Campo, nos arredores de Ouro Preto, que ocupa um patrimônio (sede do primeiro regimento de cavalaria portuguesa no Brasil) e cria um produto turístico de alto nível. “Isso mostra que é possível unir preservação, investimento e geração de emprego com qualidade”, finaliza.
