O uso diário de dispositivos digitais já faz parte da rotina de metade das crianças brasileiras na pré-escola, segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que analisou dados em Ceará, Pará e São Paulo. Segundo a Agência Brasil, o levantamento indica que 50,4% das crianças utilizam celulares, tablets, computadores ou notebooks todos os dias, percentual acima da média internacional de 46%, enquanto apenas 11,4% quase nunca têm contato com telas.
A pesquisa internacional também aponta que 53% das famílias brasileiras nunca ou raramente leem livros para crianças de 5 anos. Apenas 14% realizam leitura compartilhada com frequência, entre três e sete vezes por semana, índice bem inferior à média dos países participantes, que chega a 54%.
Leitura em casa e papel das famílias
O estudo reforça que o ambiente familiar tem influência direta no desenvolvimento infantil, especialmente na pré-escola. A leitura compartilhada, segundo os dados, ainda não é uma prática consolidada no país, o que afeta o estímulo à alfabetização e ao vínculo com a linguagem desde cedo. Especialistas envolvidos na pesquisa apontam que essa rotina é pouco difundida entre famílias de diferentes níveis sociais.
Apesar disso, o levantamento mostra que o Brasil alcançou 502 pontos em literacia emergente, acima da média internacional de 500. Já na numeracia emergente, que envolve habilidades iniciais de matemática, o país registrou 456 pontos, abaixo da média global, com destaque para diferenças significativas entre crianças de diferentes níveis socioeconômicos.
Tecnologia, atividades e rotina fora de casa
O estudo também observa que o uso de tecnologia entre crianças pequenas no Brasil é frequente, mas pouco voltado a atividades educativas. Cerca de 62% raramente ou nunca realizam tarefas pedagógicas em dispositivos digitais, enquanto apenas 19% usam esses recursos com esse objetivo entre três e sete vezes por semana.
A rotina fora de casa também aparece limitada. Apenas 37% das famílias relatam atividades ao ar livre com frequência, como brincadeiras ou caminhadas, índice inferior à média internacional de 46%. Além disso, 29% dizem nunca realizar esse tipo de atividade ou fazê-lo menos de uma vez por semana.
As interações familiares também variam. Segundo o levantamento, 56% dos responsáveis conversam com as crianças sobre sentimentos entre três e sete vezes por semana, abaixo da média internacional de 76%. Ainda assim, áreas como empatia apresentaram pontuações próximas ou acima da média global, especialmente na atribuição de emoções.
O estudo envolveu 2.598 crianças em 210 escolas, sendo a maioria da rede pública, e avaliou domínios como linguagem, matemática, funções cognitivas e habilidades socioemocionais. A análise também identificou diferenças relevantes na memória de trabalho, com variação de 39 pontos entre crianças de níveis socioeconômicos distintos, além de déficits em funções executivas no comparativo internacional.
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