Gastronomia

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Foto/Milene Marques

Buffet Casa Moretzsohn comemora 20 anos com foco na qualidade e longe das redes sociais

 

O extinto Café da Usina Unibanco de Cinema, que resistiu dos anos 1990 até o final da primeira década do milênio, na rua Aimorés, em Lourdes, foi a incubadora de um grande trabalho culinário. Entre 2002 e 2003, a empresária Alessandra Moretzsohn fez daquele pequeno espaço um exercício de curadoria tanto para quem aprecia um bom lanche, quanto para quem gostava de blues e de jazz. À época, ela encomendava os melhores salgados e doces porque no Café só existia a copa. Não demorou, ela começou a produzir delícias na cozinha de casa, e daí o sucesso não parou mais. E é essa história que ela conta agora, quando seu buffet Casa Moretzsohn, completa 20 anos.

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Alessandra Moretzsohn: “A cozinha exige paciência, o evento exige antecedência”

“Naquela ocasião, eu tinha um público socio cultural bem elevado, com pessoas exigentes, mas eu não tinha cozinha nenhuma. Comecei a buscar livros de receitas e fazer os salgados e doces na cozinha da minha casa, congelar e levar para o Usina. Ali, assava no forninho. Não tinha fritura”, descreve a hoje, CEO da Casa Moretzsohn, que não nasceu por acaso.

Ainda no Usina, partiu o convite para Alessandra aceitar a concessão do restaurante do Rotary Club, no edifício da rua Guajajaras. “Foi a partir daí que comecei o buffet, porque os próprios rotaryanos me pediam para fazer as reuniões fa miliares, de suas empresas, festas e confraternizações. Foi entre 2004 a 2010, quando fiquei como concessionária do Rotary, que o buffet se desenvolveu”, lembra Alessandra. “Os frequentadores do Rotary me pediam o telefone para encomendar serviço de buffet e eu anotava em um guardanapo e passava ao cliente. Minha irmã, que é designer, percebeu que a demanda estava crescendo e criou a logomarca da Casa Moretzsohn e tratou de confeccionar centenas de cartões para que eu pudesse distribuir”, conta.

 

Não demorou, em 2011, o médico Ricardo Guimarães ofereceu a concessão do restaurante do Lumière Place, no Vila da Serra, prédio onde ele mantém o Hospital dos Olhos, para que Alessandra Moretzsohn tocasse o buffet. Não era pouco trabalho, mas ela havia aceitado deixar o Rotary para atender o novo cliente, sem deixar de ser infinita mente grata aos rotaryanos que lhe abriram a porta.

Alessandra teve uma importante participação no Café do Divino, no Belvedere, que foi uma virada de chave na sua carreira. Ali, a convivência com os chefs Marcos Caetano e Ângela Bottrel, descortinou um novo panorama para ela. “O dia a dia com eles me trouxe novos aprendizados. Foi um mergulho na alta gastronomia”, reconhece.

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Alessandra pode contar com a Luísa, filha única, de 27 anos, que acompanha a carreira da mãe desde sempre. Não é exagero dizer que a Luísa, formada em comércio exterior e inglês, trabalha duro o ano inteiro e é o braço direito da orgulhosa mãe. “Ela é decisiva na equipe da administração e dos negócios do buffet. Ela, hoje, é uma das quatro executivas empenhadas em direcionar a área comercial da Casa Moretzsohn”, defende a mãe orgulhosa.

Sempre contratando, pessoalmente, os bons chefs, Alessandra mantém a amizade com muitos dos que passaram e passam pela cozinha do seu buffet. Com equipe azeitada, e hoje com 20 colaboradores, alguns com 20 anos de casa, seguem como os clientes que ela conquistou em duas décadas. “Atrás da mesa em que são servidos, e à frente dela, tem expectativa, trabalho, empenho, carinho e dedicação”, orgulha-se.

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Alessandra Moretzsohn investiu muito na bibliografia e revistaria que reúne no escritório de sua casa para atender a qualquer desafio de buffet internacional, contando com a equipe afinada, ouvindo famílias alemãs e francesas que repassam suas receitas caseiras para que ela possa atender os pedidos de buffets de clientes exigentes. Sorte dela, que sempre foi muito curiosa, como ela mesma mesmo diz.

Da amizade com uma húngara, nos tempos do Rotary, aprendeu a fazer o goulash, um ensopado de carne bovina cozida lentamente, com muita cebola e páprica, e o resultado é um prato de sabor rico e aromático. Não somente, o boeuf bourguig non, prato típico da culinária francesa, com carne de vaca guisada em vinho tinto, vegetais e condi mentos, é por ela reproduzido fielmente, conforme ensinada por uma família parisiense.

“Eu sempre tive a preocupação de entregar com fidelidade aquilo que é esperado. Então, hoje, trabalho muito com concessionárias de veículos importados, com entrega de cafés da manhã e lançamentos de carros. Quando fiz o lançamento de carros chineses, eu desenvolvi um cardápio chinês e um mineiro. Fiz uma mesa grande de antepastos com tradução dos nomes, do português para o chinês, e do chinês para o português, dispostos em várias ilhas, para que as pessoas pudessem identificar os dois cardápios”, descreve.

 

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Até chegar lá, nem tudo foram flores. A pandemia merece um capítulo à parte na prova de resistência da Casa Moretzsohn. “No dia seguinte em que o prefeito Kalil fechou a cidade, em março, meu WhatsApp disparou feito buzina de delegacia. Todo mundo cancelando contrato e eu com ingredientes e as bases prontas para as encomendas feitas. Foi aí que ressenti de não ter redes sociais, porque todo mundo foi buscar os clientes nas redes, divulgar seus cardápios para entrega. Eu me agarrei à minha fé. Eu entendi que precisava levantar e ir trabalhar com fé. No dia seguinte coloquei minhas marmitas na rua. Entreguei de porta em porta com minha filha. Divulguei tudo nos meus contatos. Me muni de máscaras e luvas e fui à luta”, relata com orgulho.

Alessandra diz ter profundo respeito pelos buffets antigos, os buffets famosos. “Eu nasci em 1971 e eles já vieram nos anos 1970, inovando. Eles foram os desbravadores e nós fomos no rastro deles. Nesse mercado, não acredito em concorrência. Acho que tem espaço para todos nós. Assim, como fiz eventos grandes, no Minascentro, contei com a parceria do buffet Catharina, que tem tradição, e eu confio. E lá, foi para três mil pessoas também, antes da pandemia, durante dois dias”, lembra.

Quando fala em diferencial, Alessandra cita o fato de não ter divulgação em redes sociais e justifica que gosta de crescer moderadamente. “Eu tenho controle dos meus clientes, eu os atendo e os conheço pessoalmente. Eles têm o meu celular, eu converso com eles, tiro as dúvidas deles, eu moldo o orçamento de acordo com o budget deles”, diz, garantindo que não abre mão disso.

Quando perguntam a ela por que cresceu tanto nos últimos 20 anos, solta logo uma frase que guarda de um amigo querido: “Nada resiste à força do trabalho”. Faz questão de dizer que sempre trabalhou muito, se dedicou muito e, ainda segundo ela, sempre foi muito perfeccionista, sem querer ser melhor que ninguém. “Mas sempre com o compromisso de entregar hoje, um trabalho melhor do que entreguei ontem. Só isso!”.

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Alessandra gosta de dizer que seu buffet tem tudo para entrega de encomendas dentro de padrões de segurança alimentar. Todas as massas são fabricadas pelo Buffet Casa Moretzsohn, artesanalmente, apresentando-se como uma experiência gastronômica exclusiva e ao mesmo tempo prática. São as massas Santtore.

Além do serviço às recepções da clientela, é possível encomendar, para ter em casa, capelletti ou tortellis, com os seguintes sabores: carne seca, queijo Minas, camarão, cogumelo com linguiça toscana, gorgonzola e frutas vermelhas; além de molhos para acompanhar: fonduta de queijos, pomodoro, manteiga de sálvia, champagne e roti, tanto para food service, como para restaurantes. Tudo feito pela equipe da Casa Moretzsohn, supervisionada pelo chef parceiro Carlos Santana, que cuida minuciosamente da produção. “Entendemos o atendimento como uma forma persona lizada, não importa a quantidade”, explica. “Não temos o espaço físico, mas temos parceiros para eventos de variados tamanhos, que sempre recomendo. Espaços de 20, 30, 200 pessoas”, aponta.

“A cozinha exige paciência, o evento exige antecedência”. É assim, para a fundadora da Casa Moretzshohn. Quem sabe, faz. “O que penso para os próximos 20 anos é ser melhor a cada dia, é o que passo à Luísa, que já se empenha, que tem a Casa Moretzsohn com o mesmo carinho e cuida do”, defende a empresária.

 

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