Educação

MINAS LIBERAL

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Imagem criada por IA – Microsoft COPILOT

 

A celebração da Inconfidência Mineira sempre me põe face a face à minha própria identidade. Vindo à luz na avenida Alvarenga Peixoto, em Inconfidentes, então distrito de Ouro Fino, hoje prazerosa cidade do Sul de Minas, trago comigo os complexos e, muitas vezes, indecifráveis sentimentos da mineiridade, que não se restringem apenas a hospitalidade e prudência, mas abarcam ousadia e rebeldia. Como advertiu Drummond, “a aparente docilidade esconde reservas de insubordinação, às vezes convertida em ironia, e, de algum modo, chocada na pachorra de esperar, que tanto ilude o observador apressado, incapaz de perceber a chama latente do borralho. As revoluções liberais em Minas ilustram isso”.

Contemporâneo das revoluções americana e francesa e da Revolução Industrial, o movimento insurrecionista de Minas nasceu dos ideais de liberdade, de democracia, de separação e independência dos poderes e de participação popular. Avanços civilizatórios que somente chegariam ao Brasil bem mais tarde.

Repito o que registrei no discurso que proferi como orador oficial, por ocasião das comemorações da Inconfidência Mineira, em 21/4/1998: os inconfidentes souberam captar essas transformações em curso e traduzi-las em um programa moldado à realidade em que estavam inseridos. Fizeram-no, vale notar, sob uma perspectiva nacional. O Brasil surgiu, então, pela primeira vez, como realidade própria, distinta de Portugal.

O BRASIL SURGIU, ENTÃO, PELA PRIMEIRA VEZ, COMO REALIDADE PRÓPRIA

A força transformadora da liberdade, desencadeada naquele instante, seguiu seu curso. Desde então, em todos os momentos agudos de confronto entre a liberdade e a opressão, entre a democracia e o autoritarismo, o momento inaugural da Inconfidência ressurgiu como referência fundamental.

JK disse que Ouro Preto se distingue mais pela vocação da liberdade, Milton Campos registrou que liberdade não existe sem igualdade e Tan credo Neves proclamou que o segundo nome de Minas é liberdade.

Nos tempos sombrios de agora, quando a luta central é travada entre os que acreditam nos valores democráticos e os que não acreditam — sejam eles populistas, pseudoautoritários ou ditadores —, os ideais e a luta dos inconfidentes não podem ficar em vão. Em seu clássico Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles indaga: “Que tudo acaba! Quem diz que montanha de ouro não desaba?

 

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