Marcos Koenigan, Leonarto Bortoletto e Alexandre Guerra,sócios da franquia do Clube de Permuta em São Paulo
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Maior plataforma de permuta multilateral da América Latina desembarca em São Paulo com a promessa de transformar produtos e serviços em poder de compra
Permuta = dinheiro, grana, bufunfa. Este é o princípio do Clube de Permuta, empresa nascida em Belo Horizonte que se instala este mês na cidade de São Paulo, por meio de uma franquia liderada por três empresários, o mineiro Leonardo Bortoletto e os brasilienses Alexandre Guerra e Marcos Koenigkan. O modelo de negócio consiste em uma elaborada rede de permuta multilateral, capaz de transformar produtos e serviços em créditos aceitos por toda a rede associada.
Na prática, o modelo transforma a capa cidade produtiva das empresas em poder de compra dentro de uma rede estruturada. Uma agência de marketing, por exemplo, pode atender um hotel e, ao invés de receber em dinheiro, gerar créditos — os Pz$ Permutz — com valor equivalente ao de mercado. Esses créditos passam a funcionar como uma verdadeira conta-corrente corporativa, permitindo que a agência utilize esse saldo para contratar, dentro da própria rede, serviços como uma consultoria jurídica, preservando caixa e mantendo a operação eficiente.
Desde sua criação, em 2012, o Clube de Per muta já movimentou cerca de R$ 600 milhões em transações entre empresas associadas. Somente em 2025, esse volume supera R$ 70 milhões — um salto relevante quando com parado a 2016, ano em que a plataforma registrava R$ 18 milhões, pouco mais de 20% do patamar atual. Na época, a rede contava com cerca de 340 empresas; hoje, reúne mais de 2 mil participantes, que vão desde negócios locais até marcas de alcance nacional, como Bio Mundo, Fast Escova, Depyl Action, consolidando a força e a escalabilidade do modelo de permuta multilateral no Brasil.
Ao longo da década, o número de franquias foi de cinco para 22, distribuídas em cidades mineiras como Governador Valadares e Juiz de Fora e capitais como Brasília, Porto Alegre, Recife, Natal e Vitória, além de uma unidade internacional, em Lisboa.
“São Paulo sempre esteve no nosso radar, mas acreditamos muito em timing estratégico. Para funcionar bem, o negócio precisava construir uma base sólida de governança e atingir maior maturidade operacional, atributos que só se se consegue com o tempo”, diz Leonardo Bortoletto, cofundador do Clube de Permuta. Segundo ele, a decisão reflete a consolidação da operação em outras cidades paulistas, como Campinas, Ribeirão Preto, Franca e Jundiaí, e a leitura de que o ambiente econômico atual abre espaço para alternativas ao crédito tradicional. “As em presas estão mais pressionadas por eficiência e preservação de caixa”, observa.
Bortoletto reconhece, contudo, algumas resistências, dado que o mercado paulistano é mais orientado a transações financeiras tradicionais – embora também concentre em presas mais abertas à inovação. “O principal desafio não é a concorrência, é a mudança de mentalidade”, afirma. “O empresário precisa entender que adotar a permuta multilateral pode transformar capacidade ociosa e margem de custo em poder de compra, sem depender exclusivamente do caixa. Mas isso demanda adaptação cultural e entendimento do funcionamento da rede.”
Nos primeiros ciclos, a prioridade do Clube de Permuta nas rodas paulistanas é estruturar uma base sólida de empresas capazes de gerar liquidez. Na prática, isso significa trazer players que negociem e consumam dentro da própria plataforma, especialmente em setores como comunicação, construção civil, eventos, hotelaria, saúde, estética, educação e serviços corporativos. Como bom mineiro, Leonardo Bortoletto faz mistério a respeito de metas. “Trabalhamos com projeções agressivas de crescimento, pois São Paulo é um terreno fértil para escalar, com tíquete médio relevante e grande potencial B2B. Mas a consistência do modelo tem mais importância que a velocidade de crescimento”, avalia.
Marcos Koenigkan tem uma visão mais arrojada. “Buscamos formar um ecossistema relevante e equilibrado entre setores. Naturalmente, isso se traduz na transação de algumas dezenas de milhões de reais já nos primeiros ciclos na cidade e uma base crescente de empresas paulistanas com perfil ativo e recorrente”, afirma. A projeção otimista vem de sua trajetória à frente do Grupo Mercado & Opinião, plataforma de relacionamento empresarial que reúne mais de 900 líderes, CEOs e fundadores de grandes corporações. “Essa curadoria influencia diretamente no sucesso do negócio em São Paulo, já que o Clube de Permuta depende da confiança e da reputação dos participantes. Estar conectado a empresários que lideram seus mercados acelera a adoção, reduz a fricção e equilibra oferta e demanda.”
Ex-CEO da rede de lanchonete Giraffas e franqueador de multimarcas, como a própria Giraffas e a Bio Mundo, Alexandre Guerra adiciona experiência em escala e expansão. Ele já detém a franquia do Clube de Permuta em Brasília. “A permuta multilateral é um modelo muito estruturado: ela insere novos clientes, de outros segmentos, para o negócio dos as sociados e multiplica o potencial de venda”, diz.
Ele explica que o Clube de Permuta ajuda a escoar estoques ou serviços parados, trans formando o que seria prejuízo em crédito para novas operações. “Tanto a franqueadora quanto os franqueados podem ser membros e se beneficiar das trocas, seja para expandir unidades, sem queimar o capital em caixa, ou para movimentar as relações de compra no varejo em períodos mais ociosos. Mas friso que é um sistema que pode ajudar todas as empresas, não só as franquias”, pondera.
O trio de executivos defende que a permuta multilateral tende a ganhar espaço como instrumento de gestão financeira. “Acredito que esse tipo de operação financeira deixe de ser alternativo e passe a ser ferramenta de gestão básica”, projeta Koenigkan. Ele também aposta na tecnologia para consolidar o negócio dentro da economia “real”, possibilitando mais previsibilidade às operações. “O Clube de Permuta oferece uma solução inovadora para um dos maiores desafios das empresas: crescer, investir e se estruturar sem pressionar o fluxo de caixa.”
Bortoletto compartilha essa visão. Para ele, a assimilação digital se dará por mecanismos como inteligência de dados para recomendação de negócios, automação de processos e análise de comportamento da rede de associados. “Há também uma conexão muito forte com o mercado financeiro, não no sentido de substituir bancos, mas de complementá-los. No fundo, estamos falando de uma nova matriz econômica, mais colaborativa e eficiente”, conclui.
EU TROCO, TU TROCAS, ELES TROCAM
Diferentes tipos de permuta empresarial Permuta bilateral
– Apenas dois envolvidos- Interesse mútuo
– Troca acontece em um só momento
– Mesmo valor em produtos Permuta multilateral
– Mais empresas ou pessoas envolvidas- Aceita interesses diferenciados
– Troca pode acontecer em vários momentos
– Produtos de valores diferentes, gerando o crédito da diferença

