Política

O ELEITOR DIANTE DO ABISMO

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Crédito: Fonte gerada por IA – Microsoft COPILOT

 

Quando um presidente governa com um olho no Planalto e outro na urna, sendo este o mais vivaz, o orçamento deixa de ser instrumento de Estado e passa a ser ferramenta de campanha. Se vence, consagra-se. Se perde, entrega ao sucessor um campo minado fiscal e aguarda, paciente, o retorno triunfal sobre os escombros. Isso não é ideologia. É manutenção de poder em estado bruto. Nossa República insiste em fabricar líderes que nunca saem de cena. Falta-nos a cultura do limite.

Nos Estados Unidos, dois mandatos e ponto final, embora hoje exista ameaça de rompimento dessa regra. Aqui, o poder é elástico, moldável, sempre à espera de uma brecha jurídica ou política. A cadeira presidencial virou projeto vitalício. Com um PIB per capita que rasteja e cresce a conta-gotas, precisaremos de uma geração inteira para apenas dobrar um número que já é modesto. E mesmo assim continuaremos distantes dos padrões mínimos de prosperidade que o mundo desenvolvido considera básicos. Poucos compreendem as engrenagens fiscais, menos ainda enxergam as causas profundas da estagnação.

 A política tornou-se espetáculo permanente, mas o roteiro é repetitivo: personalismo, polarização, improviso institucional. Partidos sólidos são raridade histórica; exceções confirmam a regra de que aqui as siglas costumam ser veículos, não projetos. Já vimos no passado o que a mistura de vaidade, radicalização e arranjos malfeitos pode produzir. A história nos ensina que instituições frágeis somadas a líderes obstinados geram crises longas. Não é previsão apocalíptica — é aritmética política. Some-se a isso uma desigualdade obscena: uma fração ínfima concentra parcela gigantesca da renda e da riqueza. Não é apenas injusto; é instável.

INSTITUIÇÕES FRÁGEIS SOMADAS A LÍDERES OBSTINADOS GERAM CRISES LONGAS

Democracias desiguais demais tornam-se emocionalmente inflamáveis. O ponto central é simples e incômodo: enquanto tratarmos eleições como plebiscitos de personalidade e não como es colhas de projeto institucional, continuaremos presos ao mesmo ciclo. O Brasil precisa de regras duras, partidos reais e eleitores atentos. Sem reforma política séria, limite claro de poder e responsabilidade fiscal inegociável, o futuro será repetição ruidosa do presente. O alerta está dado. A urna não é altar nem vingança: é bisturi. Ou corta o tumor agora, ou conviveremos com a doença por décadas. Ou, pior, o paciente colapsa.

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