Gastronomia

QUEIJO DE MINAS

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Queijo é pilar da identidade cultural do mineiro e ganha projeção com rotas turísticas

 

Rota abre seu sétimo circuito da iguaria, além de inaugurar um Circuito de Caves, na Serra da Piedade

 

Quem carrega o DNA do queijo e traz na alma a tradição de consumir o produto, que mais que um item na lista de compras é um pilar da identidade cultural do povo mineiro, pode começar a salivar. A Rota do Queijo de Minas abre neste ano seu sétimo circuito com novidades produzidas por seis fazendas na Zona da Mata. Agora, se a questão é descobrir os segredos deste símbolo de hospitalidade que representa nada menos que 300 anos de história, a boa-nova é a inauguração de um Circuito de Caves voltado à degustação do icônico Queijo Frei Rosário e demais produtos parceiros da Rota, no Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, Região Metropolitana de BH.

As novidades foram anunciadas no encerramento do mini Made in Minas realizado nos dias 20 e 21 de junho no santuário, no circuito Entre Serras da Piedade ao Caraça. Pela primeira vez um evento não religioso aconteceu na casa da padroeira do estado. “Estou muito feliz com a abertura do padre Wagner Calegário, reitor do santuário. Vamos buscar entendimento junto à Mitra Arquidiocesana de BH – instituição que representa o bispado como pessoa jurídica – e à diretoria do santuário para vermos a possibilidade de o evento ser anual”, avalia Jordane Macedo, diretor da Culturar – empresa de valorização da mineiridade.

O primeiro circuito da Rota do Queijo de Minas, idealizada pelo produtor cultural e que reúne hoje 54 queijeiros artesanais, foi criado na região da Canastra, seguido por Araxá, Mantiqueira de Minas, Diamantina e Entre Serras da Piedade ao Caraça. E como não “aguentava mais” ser perguntado onde encontrar o produto “do Zé, do Tião, da Maria”, ele diz que estabeleceu o Templo Sagrado do Queijo Mineiro no Mercado Central de BH. Agora, com o estudo de viabilidade do circuito Zona da Mata: Juiz de Fora e Entorno concluído, iniciou o desenvolvimento do projeto.

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Mini Made in Minas aconteceu no Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade

A Rota teve início há três anos e meio, após uma epifania de Jordane Macedo, quando frequentava a região da Canastra, próximo a Pimenta, cidade natal da família dele. Ali, trabalhou na lida do café, em açougues, estreitou laços com queijeiros locais e decidiu ampliar o leque. “De pois que descobri que vou mesmo morrer um dia, porque a gente não tem esta visão, resolvi viver intensamente. Faz muito sentido estar com estas pessoas e divulgar o trabalho delas, com histórias de superação e amor. É um trabalho que agrega valor ao produto deles”.

Foi assim que os queijeiros de Rio Piracicaba, cidade a 129 km de BH que integra o circuito Entre Serras da Piedade ao Caraça, resgataram uma tradição quase soterrada pelo êxodo rural imposto pelo avanço da mineração e despertaram na população a sensação perdida de orgulho e pertencimento. Durante uma prosa com Jordane Macedo surgiu a ideia de se criar o projeto turístico bate-volta de trem BH-Rio Piracicaba. “Não existe uma experiência mais mineira que sair de trem para dar um rolê e visitar a fazenda de um queijeiro”, garante ele.

O produtor do Queijo Trilhos do Ferro, Pedro Caldeira, foi um dos entusiastas por experiência própria. Ele passou os anos de sua graduação em engenharia na PUC-Minas indo para BH e voltando a Rio Piracicaba de trem. “No dia 20 de junho deste ano desembarcaram na cidade 200 pessoas do trem da Vale. E a rota começou apenas há nove meses. Já recebemos visitantes de todos os estados do Brasil. Só falta o Amapá”, conta Pedro Caldeira, que mantém um registro acurado da procedência dos turistas.

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A taxa de visitação da cidade é de R$ 20. O trem da Vale sai da Estação Central de BH diariamente às 7h e retorna às 17h15. A passagem econômica custa R$ 81 e a executiva, R$ 116. O tempo de viagem é de 2h30.

A história do produtor do Queijo João de Barro, Cristiano Almeida Martins, em Datas, região de Diamantina, é de superação. A tradição do fazer artesanal do queijo começou com o bisavô, que passou para o avô até chegar nele, mas sempre limitado ao consumo próprio. Quando a filha foi para a faculdade, tiveram que produzir também para comercialização. O início foi difícil, lembra Cristiano, que chegou a pensar em desistir. Mas com a divulgação do trabalho pela Rota, somada à dedicação dele e da esposa, Édila Silva, veio o reconhecimento: Prêmio Brasil 2024.

Tanto Cristiano quanto Pedro produzem o Queijo Mineiro Artesanal (QMA), cujo modo de fazer, a partir do leite cru, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2024.

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Com mais tempo de ordenha, prensagem e salga, Adriana e Luiz Antônio, proprietários da Queijaria Almeida Guimarães, há 14 anos produzem o Mantiqueira de Minas em Itanhandu, no Sul de Minas. “É uma história que vem do parmesão que os italianos deixaram na minha região, a Mantiqueira”. Eles produzem Queijo Artesanal de Minas (QAM), categoria que permite o uso de ingredientes exclusivos. Segundo Adriana, são 18 versões.

Depois de todo este tempo em contato com os queijeiros dos cinco circuitos de atuação da Rota, Jordane Macedo aponta a falta de mão de obra especializada como a grande dificuldade enfrentada pelo segmento. “Muitos produtores já têm a tecnologia, orientação técnica e apoio regulatório”. Por outro lado, eles mantêm uma rede de apoio voltada para quem está iniciando o empreendimento.

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