Saúde

Rede Mater Dei realiza em MG cirurgia robótica pioneira com apoio médico do Rio e do Paraná

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A Rede Mater Dei de Saúde protagonizou, em Minas Gerais, uma cirurgia robótica inédita no estado, que reuniu simultaneamente médicos de três estados diferentes na tomada de decisões clínicas. A instituição mineira conduziu o procedimento em uma criança de nove anos diagnosticada com miastenia gravis, contando com a participação de especialistas do Rio de Janeiro e do Paraná por meio de telepresença integrada à plataforma robótica.

Diferentemente da segunda opinião médica tradicional, que costuma acontecer antes ou depois da cirurgia, o modelo adotado pela Rede Mater Dei incorporou os especialistas remotos ao próprio ato cirúrgico. Eles discutiram condutas e validaram decisões em tempo real, como se estivessem presentes no centro cirúrgico ao lado da equipe local.

O procedimento realizado foi uma timectomia robótica, cirurgia que remove o timo, glândula localizada na região anterior do tórax responsável por papel importante no desenvolvimento do sistema imunológico durante a infância. A intervenção é indicada tanto para tumores dessa glândula quanto para casos de miastenia gravis, doença autoimune que causa fraqueza muscular progressiva e costuma apresentar melhora expressiva após a retirada do timo.

Equipe da Rede Mater Dei combinou presença física e atuação remota

A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião torácico Dr. Daniel Bonomi, da Rede Mater Dei, com apoio presencial do cirurgião pediátrico Dr. Marco Antônio Gomes e do Dr. Andrey Pimenta, também da instituição mineira. À distância, participaram ativamente das decisões clínicas o Dr. Paulo Boscardim, de Curitiba, e o Dr. Márcio Oliveira Lucas, do Rio de Janeiro.

A plataforma utilizada foi o sistema robótico da Vinci, que possibilita ao cirurgião operar instrumentos articulados com alta precisão a partir de um console. A técnica dispensa a cirurgia aberta, utiliza incisões pequenas e proporciona visão tridimensional ampliada da área operada, características especialmente úteis em pacientes pediátricos, cuja cavidade torácica reduzida demanda movimentos mais delicados.

Segundo o Dr. Daniel Bonomi, a cirurgia robótica já representa um ganho relevante ao reduzir o trauma cirúrgico e acelerar a recuperação dos pacientes. Em crianças, esse benefício se torna ainda mais importante, já que a equipe atua em um espaço bastante reduzido, o que exige precisão redobrada. Para o médico, a combinação entre robótica e telepresença trouxe mais segurança para a realização de procedimentos complexos com qualidade assistencial.

A expectativa da Rede Mater Dei é que esse tipo de colaboração remota se torne cada vez mais frequente, à medida que os hospitais passam a adotar plataformas de telepresença associadas a sistemas robóticos. A tendência amplia o acesso a apoio especializado em tempo real, principalmente em regiões com menor concentração de profissionais voltados a condições raras.

O Dr. Paulo Boscardim destacou que a telepresença permitiu acompanhar o procedimento em tempo real, discutir condutas e compartilhar estratégias com a equipe presencial, apesar da distância geográfica. Segundo ele, a tecnologia também amplia o acesso ao ensino para profissionais em formação e favorece a discussão de casos complexos, o planejamento conjunto e a troca de soluções técnicas entre centros médicos.

A decisão pela cirurgia partiu da avaliação da médica responsável pelo acompanhamento da doença na criança. Buscando a abordagem menos invasiva possível, a família optou pelo procedimento robótico realizado na Rede Mater Dei. Priscilla Avelar, mãe do paciente, relatou que evitar uma cirurgia aberta em um filho tão pequeno trouxe mais tranquilidade à família, mesmo diante do receio natural que qualquer procedimento cirúrgico costuma gerar.

O caso conduzido pela Rede Mater Dei deve servir de referência para outras instituições que avaliam adotar modelos semelhantes de decisão clínica à distância. A expectativa é que a integração entre cirurgia robótica e telepresença se consolide como prática comum em procedimentos de alta complexidade, ampliando o acesso a conhecimento médico especializado independentemente da localização geográfica do paciente.

Crédito: Na Guia

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