Geraldo Alckmin: foco na bioeconomia
Vice-presidente Geraldo Alckmin enumera eixos necessários para fortalecer indústria brasileira
Um bem-humorado Geraldo Alckmin se apresentou no 15º Conexão Empresarial Anual Ouro Preto, contando “causos” e histórias que marcaram a sua trajetória política e da origem da sua família em Minas Gerais. Sem falar em política, que ficou restrita aos bastidores em uma conversa com o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia para uma análise da situação em Minas, o vice-presidente falou para empresários, políticos e representantes da sociedade sobre a condução da economia brasileira e dos impactos que as duas guerras estão tendo na economia brasileira.
Alckmin falou no evento promovido pela VB Comunicação, revista Viver Brasil, blog dopco e jornal O Tempo. Ele ressaltou as seis missões do governo Lula para a nova indústria do Brasil. A primeira, segundo ele, tem a ver com a agroindústria sustentável e digital. O setor, segundo ele, é um dos mais desenvolvidos no mundo e por isso é tão temido por termos “um agro imbatível”, lembrando da importância que o ex-ministro Alysson Paulinelli teve no desenvolvimento da agricultura brasileira.
O segundo seria o complexo econômico industrial da saúde e nisso o país também está avançando, segundo ele, citando a indústria farmacêutica que vem avançando, como a dinamarquesa Novo Nordisk, que desenvolveu o Ozempic e está instalada em Montes Claros no Norte de Minas. Segundo o vice-presidente, a indústria brasileira passou por um período ruim nos últimos 40 anos, mas começa a se recuperar. A área de saúde é, segundo ele, “for temente geradora de emprego e renda”.
O terceiro eixo diz respeito a infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade urbana. Ele citou alguns avanços do governo federal nesse setor. O governo, segundo Alckmin, tem o foco na bioeconomia, descarbonização e transição energética. O país tem avançado muito nesse setor, segundo Alckmin, tendo aumentado o percentual de 30% de etanol na gasolina para segurar os preços devido a alta do petróleo, mas também dentro desse trabalho de descarbonização. Nos próximos dias, o governo vai aumentar ainda mais esse percentual passando para 32% de etanol na gasolina.
O último ponto diz respeito ao avanço das tecnologias. O Brasil segundo ele, era um país jovem e hoje está maduro e será em pouco tempo, um país de idosos, assim como os países desenvolvidos e é preciso se preparar para isso. O Índice de Desenvolvimento Humano melhorou, “a educação melhorou, a saúde melhorou e a renda também melhorou.” O Brasil, também é o terceiro país a receber mais investimentos externos, abaixo dos Estados Unidos e da China. É o sétimo país mais populoso do planeta e tem parte do seu território formado por terras raras, com apenas 30% delas detectadas.
“TODAS AS ELEIÇÕES SÃO POLARIZADAS. ISSO JÁ VEM ACONTECENDO E POLÍTICA NÃO É MATA- MATA, É DE AMOR AO PRÓXIMO”
Outro ponto levantado por ele, diz respeito ao Pix, que tem chamado a atenção devido a sua praticidade. Mas o país dará um passo importante a partir do ano que vem, quando a Reforma Tributária entrará em vigor.
Alckmin também destacou os acordos firmados pelo Mercosul com diferentes mercados e citou o acordo entre Mercosul e União Euro peia como uma oportunidade para ampliar as exportações brasileiras. Segundo ele, a redução de tarifas para produtos agrícolas abre novas possibilidades para produtores nacionais e de Minas Gerais, que é produtor de café, frutas, grãos e é muito forte no agronegócio. No seu entendimento, não há razão para um novo tarifaço dos Estados Unidos.
O governo Trump, segundo ele, tem déficit comercial com 17 países do G20, principal fórum de cooperação eco nômica internacional. Apenas com o Brasil, Austrália e Reino Unido há superávit. Alckmin pondera que, quando um produto americano entra no Brasil, a tarifa média é de 3,1%. E, dos dez produtos que os EUA mais exportam para o Brasil, oito têm uma tarifa zerada. Alckmin também falou para a revista Viver Brasil sobre o processo eleitoral.
ANALISTAS ESTÃO PREVENDO UMA ELEIÇÃO “SANGRENTA”. O EXTREMISMO POLÍTICO VAI SER UM PROBLEMA?
Todas as eleições são polarizadas. Isso já vem acontecendo e política não é mata-mata, é de amor ao próximo. Vai ser uma campanha difícil, mas toda a campanha é disputada assim no mundo inteiro. Essa polarização que falam tanto sempre existiu. É que vão mudando os personagens, os partidos, mas sempre existiu essa polarização e agora não vai ser diferente.
O SENHOR ACREDITA EM ACIRRAMENTO DOS ÂNIMOS?
Não acredito. Vamos fazer uma campanha propositiva.
EVENTOS COMO O CONEXÃO EMPRESARIAL AJUDAM A APROFUNDAR NA DISCUSSÃO DOS PROBLEMAS DO BRASIL?
Ele é importante porque aproxima os governos municipal, estadual e federal do setor privado, agrícola, industrial, serviços e a sociedade civil. Quanto mais a gente aproximar governo, iniciativa privada e sociedade civil, melhor para a sociedade.
QUAL O IMPACTO DAS PAUTAS BOMBA NO GOVERNO?
Temos procurado sempre o diálogo, o presidente Lula tem procurado o diálogo. Nós não temos maioria na Câmara e no Senado, mas temos avançado bastante. A Reforma Tributária é uma reforma estruturante, de pendeu de mudança constitucional, foi uma PEC e conseguimos avançar através do diálogo. Vamos avançar.
Agora, essas pautas bomba não devem ser aprovadas, porque nós já deveríamos estar fazendo 2,5 % de superávit primário para segurar o crescimento da dívida. Não é possível fazer um déficit de 1% do PIB. Então isso não tem o menor sentido.
ESSE MAU RELACIONAMENTO COM O SE NADO TEM SE PROLONGADO MUITO. ISSO PODE TER EFEITOS ELEITORAIS?
Não acredito. Acho que eleitoralmente não pesa nada. Eleição é sentimento. Acho que o Brasil está indo bem. Nós estamos com duas guerras no mundo, fora conflitos regionais, e o Brasil tem sentido menos os impactos e tem enfrentado melhor esse momento no mundo. Um exemplo é nos Estados Unidos, a gasolina e diesel subiram quase 40%, no Brasil subiu entre 5 e 10%.
MAS O PREÇO ESTÁ REPRESADO, A PETRO BRAS ESTÁ REPRESANDO O REPASSE?
O governo tirou imposto, então tirou PIS, tirou Cofins, que é imposto federal, e fez uma subvenção. Para quê? Para evitar a inflação e evitar o aumento de custos muito grandes.
COM QUE DISPOSIÇÃO O SENHOR ESTÁ ENTRANDO PARA A CAMPANHA?
Animadíssimo. Acho que a política bem-feita, é um ato de amor ao próximo. A gente deve estimular as pessoas a participarem. Meu pai dizia que na vida não basta viver, é necessário conviver e participar. Nós estamos otimistas com Minas Gerais. Estamos animados para termos uma boa aliança.
