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UMA RODADA SEM CELULAR

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Bares de BH investem em jogos de tabuleiro, fliperama e pinball para atrair público que busca nostalgia e diversão fora das telas

 

A sensação é a de entrar em alguma “cápsula do tempo”. Fora das telas, pessoas se divertem em meio às cores e barulhos vivos proporcionados pelas máquinas de fliperama e pinball espalhadas pelo salão. A cena, porém, se passa nos dias atuais dentro do Penidos, na Savassi.

Mais do que um estabelecimento “diferentão”, o local faz parte de uma tendência que tem se fortalecido em Belo Horizonte: bares que, além de comida e bebida, também oferecem jogos eletrônicos ou de tabuleiro para divertir seus clientes.

“É um local que estimula muito a interação. Os clientes começam a puxar papo durante os jogos, muitas amizades já se formaram no bar. Também já aconteceu de pessoas mais velhas se reencontra rem após muitos anos sem se ver, por causa dessa paixão em comum”, relata o dono do local, o empreendedor Marcelo Penido.

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La Tabuleria, no Buritis, reúne mais de 200 títulos
de jogos de tabuleiro

Por lá, não existe mais a antiga ficha – que era inserida na máquina e dava direito a um prazo estipulado de jogo. O cliente paga o valor fixo de R$ 30 e pode se divertir à vontade com jogos como Street Fighter e Cadillacs and Dinosaurs, sucessos dos fliperamas, ou nas diversas máquinas de pinball espalhadas pelo bar.

“É um valor acessível, quero que as pessoas descubram a casa. Nosso público é super diverso, tem tanto a galera nostálgica, que viveu o auge desses jogos, quanto o pessoal mais novo, que nunca havia visto essas máquinas ao vivo e adora descobrir esse universo”, diz.

A decoração do bar também segue a estética norte-americana, incluindo uma bandeira dos Estados Unidos, em homenagem ao país onde o pinball nasceu. No cardápio, os clássicos burgers ajudam a matar a fome, enquanto a parte doce fica por conta dos milk shakes e sundaes. “Também costumamos fechar o espaço de uma a duas vezes por mês, geralmente no domingo, para comemorações de aniversário”, destaca Penido.

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A proposta do Penidos é original ao trazer de volta máquinas que viveram seu auge há algumas décadas. O proprietário garante, inclusive, que “trata-se do único bar de BH que tem má quinas de pinball disponíveis para o público”. A maioria, explica ele, está nas mãos de colecionadores espalhados pela cidade. Se no Penidos a nostalgia ganha forma nas máquinas de fliperama e pinball, em outros estabelecimentos de BH ela se espalha pelas mesas. Desta vez, na forma de jogos de tabuleiro.

Apesar de os videogames e telas ocuparem boa parte do lazer atual, a experiência offline proporcionada por esse tipo de jogo continua firme, forte e movimentando a economia. De acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes de Brinque dos (Abrinq), em 2025 os tabuleiros passaram a representar 13,1% das vendas de brinquedos no Brasil. Em 2017, esse índice era de 9,1%.

Outra pesquisa, feita pela consultoria Statista e publicada na Agência de Notícias do Sebrae, aponta que o mercado global de jogos de tabuleiro registrou um volume de negócios estimado em mais de R$ 53 bilhões só em 2024.

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Um dos destaques nesse segmento é o Bardo Mago, no Horto Florestal, cujo acervo ultrapassa a marca de 650 jogos. O nome é um trocadilho em referência ao bardo, personagem responsável por contar histórias, enquanto o mago representa a magia e a imaginação. Assim como acontece em outros bares de jogos, diversos funcionários treinados, conhecidos como “explicadores”, ajudam os clientes a escolherem o título e entenderem as regras.

“O mais interessante é que, muitas vezes, a pessoa chega dizendo que não gosta de jogos e vai embora querendo voltar para conhecer outros. Nossa proposta nunca foi criar um espaço apenas para jogadores experientes, recebemos famílias, casais e grupos de amigos. Não importa se a pessoa joga há dez anos ou se nunca tocou em um jogo de tabuleiro. Queremos que todos se sintam parte da aventura”, aponta o proprietário Jordan Ferreira.

Para ele, a experiência de sair das telas e se concentrar em uma atividade compartilhada é um dos grandes diferenciais do bar. “É muito interessante notar como as pessoas chegam olhando para o celular e, depois de alguns minutos, estão completa mente imersas no jogo”, observa.

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Já o empresário Henrique Meireles enxergou na “diversão offline” uma chance de empreender em uma região carente desse tipo de negócio. Fã dos videogames desde jovem, se apaixonou pelos jogos de tabuleiro em 2023 e, um ano depois, abriu o La Tabuleria, no Buritis. “Esse conceito de bar lúdico já é conhecido, tanto aqui quanto no exterior. Mas, sentia falta dessa proposta na região Oeste da cidade”, diz.

Com um portfólio composto por mais de 200 títulos, ele conta que os preferidos pelo público são os jogos animados e interativos, como o famoso Taco Gato Cabra Queijo Pizza – que consiste em distribuir cartas viradas para baixo, colocá-las na mesa dizendo palavras em ordem fixa e bater a mão no monte quando houver coincidência.

Para Meireles, quem acha que esse tipo de diversão é “coisa de nerd” ainda não conhece o quão divertido é jogar algum jogo de tabuleiro junto com outras pessoas. “Para essas pessoas, deem uma chance! Vocês irão ver que existem jogos de todos os tipos para todas as pessoas. É igual música, sempre terá um estilo que te agradará”, compara.

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