Educação

UNIVERSIDADE PARA QUÊ?

teste do pisa

O anti-intelectualismo não é novidade na história. E parte desta responsabilidade cabe aos próprios intelectuais, que não conseguem es capar da chaga do corporativismo.

Alan Sokal foi quem melhor expôs esse mal, como um experimento social que relata no livro Imposturas Intelectuais. E não, ele não estava expondo a farsa do ensino superior, mas tão somente seus excessos. Sokal sabe perfeitamente bem que o futuro se faz com mais estudos e não menos.

Isto deveria ser bastante óbvio para os brasileiros que viram a Coreia e a China se transforma rem em potências econômicas ao investir pesado em educação. São conhecidos os relatos da pressão vivida pelos estudantes. O Brasil optou por fazer dos professores um problema orçamentário.

E não é que o problema seja insolúvel. Mas não se resolve com propostas ideológicas sem qual quer respaldo nos fatos. Não é com escolas cívico- militares que vamos resolver alguma coisa. Mas também não é bicho de sete cabeças. O Ceará acumula uma experiência bem sucedida há décadas. Portanto é para lá que deveríamos virar os olhos. O sucesso merece respeito.

Nos faltam planejamento e persistência. E é de nossas universidades que deveriam vir os melhores exemplos. Infelizmente não é assim. Uma conversa franca e livre com quem vive o dia a dia universitário irá sempre revelar absurdos. De certa feita escutei de uma chefe de departamento, com 18 professores que ela tinha, 18 problemas. Nenhum cumpria a escala, todos julgavam ter problemas únicos, que demandavam escalas próprias. E ninguém, inclusive ela, se animava a mexer no vespeiro. Seria um suicídio social e profissional.

Obviamente o corporativismo não é um mal unicamente brasileiro, e em algum grau é até mesmo saudável. Mas, quando seus excessos são expostos, alimentam o sentimento de que existem tão somente para sustentar privilégios.

Não é possível que uma rede de TV possa descobrir em poucos dias médicos que regularmente batem o ponto e saem para trabalhar em outro lugar sem que a administração da universidade tivesse conhecimento. É absolutamente impossível. Nunca foi desconhecimento, sempre foi cumplicidade.

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