
Gilda Vaz
Retornando à realidade
Começar um novo ano é também um retorno à realidade depois das férias. Voltarmos à vida real implica passar pela porta que se abre entre o imaginário e o real. Mas, o que seria o imaginário? O tempo de férias ou o dia a dia de nossas ocupações? Talvez o imaginário seja a fixação em um dos tempos dessa alternância.
Permanecer no imaginário pode ser mortífero tanto num caso quanto no outro, por isso é preciso o corte para se re começar com energia renovada e, depois, um outro corte para se dar um basta. “Uma nova ação psíquica” se impõe, nos alertava Freud.
A entrada pela porta do simbólico permite a retomada daquilo que nos representa nesse mundo, ou seja, o trabalho, as atividades, as relações que estabelecemos. A eficácia simbólica ajuda a suportar o intolerável do mundo.
A eficácia simbólica ajuda a suportar o intolerável do mundo
Ouvimos dizer: “Começar com o pé direito”. Talvez a sabedoria popular mostre que existem dois pés, dois suportes. Freud diria: vamos mancando, claudicando, revelando que não estamos totalmente submetidos àquilo que o mundo diz que somos e nos impõe como verdades.
Não há verdade absoluta é o que a ordem simbólica nos mostra. As verdades só nos representam, nos simbolizam mas não somos o que pensamos ser. O que vivemos num “glorioso intervalo” como mostra a conhecida pintura de Michelangelo também vai nos acompanhar nesse ano trazendo algo novo no universo das velhas repetições