Comportamento

BENEFÍCIOS DO SERVIÇO PÚBLICO RUIM

vb ed303 maio 26 b capa BENEFICIOS DO SERVICO PUBLICO RUIM

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Infelizmente, não é exagero dizer que o Brasil se tornou um país onde o Estado é contra o povo. Característica não exclusivamente brasileira, mas aqui, novamente infelizmente, a cada dia mais instituições públicas se tornam mais antipovo, voltadas para a desavergonha da defesa de seus membros.

Embora pareça despropositado dizer que há benefícios em se ter um serviço público precário, há lógica no enunciado. Para percebê-la basta responder à indagação: benefícios – e correspondentes prejuízos – para quem?

Nem todas as famílias brasileiras conseguem matricular seus filhos em escola pública, ou interná-los num hospital, ou obter-lhes um emprego, ou ainda arrumar onde morar. Algumas buscam resolver tal dificuldade apelando a um “pistolão”; um vereador ou deputado, por exemplo. Este se beneficia, ou espera se beneficiar, sendo votado em razão da “gratidão” do eleitor atendido. Já o cidadão resulta prejudicado, mesmo quando satisfeito com a vaga obtida “graças” ao “pistolão”.

Isso porque a satisfação do cidadão, assim como os benefícios auferidos pelo influente agente público, reduzem ou anulam esforços para a melhoria do serviço público, seja este qual for. A lógica do clientelismo se instala e prospera. O prejuízo é público, o benefício, privado.

Há outros benefícios privados. A má qualidade da educação pública levou a tal “classe média” a gastar fortunas para melhor educar seus filhos, dificultando outros investimentos. A precariedade do serviço público criou oportunidades para empresários da educação, saúde, segurança e outros serviços ganharem fortunas em razão da má qualidade do serviço público. Essa situação ajuda a explicar a baixa a taxa de investimento na economia brasileira.

A LÓGICA DO CLIENTELISMO SE INSTALA E PROSPERA. O PREJUÍZO É PÚBLICO, O BENEFÍCIO, PRIVADO

A combinação desses fatores geradores de benefícios privados e prejuízos públicos explica a persistente má qualidade de vida da maioria dos brasileiros. Infelizmente, mais uma vez, os caminhos para superá-los não costumam ser objeto de debate público, nem mesmo em véspera de eleição!

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