Economia

DE NORTE A SUL

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Constance faz planos para chegar a 400 lojas até o final do ano e ser a maior rede self-shoes do país até 2028

 

Há 20 anos, na avenida Getúlio Vargas, próximo à praça Diogo Vasconcelos, na Savassi, um dos endereços mais nobres da capital mineira, era inaugurada a primeira loja de sapatos, bolsas e acessórios da Constance. A marca, criada pelo empresário Cássio Noronha, caiu no gosto de um país de dimensões continentais como o Brasil, respeitando as peculiaridades de cada região. Cássio e a irmã Alessandra Noronha, diretora de produtos, adotaram como modelo de vendas, inicialmente, as lojas próprias, e acabaram formatando o franchising. Com ele, foi preciso investir em logística. Criaram centros de distribuição no Espírito Santo, Bahia,

Paraíba, e inauguram mais um até o meio do ano, em Palmas, no Tocantins. “Temos uma malha de logística muito bem estruturada para atender rapidamente a nossa rede própria, a de franqueados e os pontos de venda multimarcas, de norte a sul do país”, comemora Alessandra.

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O sucesso das operações se deveu, em parte, ao conceito self-shoes (closets organizados por nume ração, no caso de calçados femininos, que vão do número 33 ao 42. Em cada closet, a compradora tem um universo de 450 variedades, desde uma rasteirinha de praia até uma sofisticada sandália para evento de gala. O sucesso do modelo de negócios levou à inevitável expansão da rede e a planejar um futuro ainda mais promissor. “Nós temos como propósito, até 2028, nos tornarmos a maior rede de lojas no conceito self-shoes no Brasil”, revela Alessandra.

As estratégias varejistas elevaram o patamar da Constance e, em duas décadas, a rede já soma 377 unidades entre lojas próprias e franqueadas. Mas os planos para os próximos anos são ainda mais ambiciosos. “Devemos fechar 2026 com 400 lojas. Outro negócio que vem aumentando a nossa capilaridade é a venda através dos parceiros multimarcas. Há quatro anos entramos com a estratégia e hoje são quase mil parceiros, do extremo norte do país, em Oiapoque, até o estado de Santa Catarina, onde compram de forma recorrente. Por esta razão, colocamos como meta chegar a cinco mil pontos de vendas multimarcas até 2028”, acrescenta a diretora de Produtos da rede, sem descartar a continuação de regras rígidas para não conflitar com os parceiros franqueados, como vem fazendo desde então.

Alessandra Noronha conta que a marca criou um departamento na empresa com os holofotes todos voltados para o mercado multimarca, para fazer eventos de showroom e apresentar os lança mentos das coleções. “O foco é nas lojas de moda, que têm um agregado de vestuário, com artigos que trazem a Constance para dentro da loja”, sintetiza a gerente de produção da Constance, Fernanda Giusto. Ela explica, também, que cada lojista multimarca monta seu mix de produtos.

Quando o assunto é franchising, a rede apresenta duas opções de negócio bem divididas. “Temos o modelo middles, que atende às capitais. São lojas com mais de 150 metros quadra dos, sendo a maioria alocada em shoppings, e nós temos a Constance light, que vem crescendo muito, em que a gente consegue oferecer uma formatação mais compacta. Essa gira de 300 a350 modelos. Ela recebe só os bestsellers. É um sistema que atende muita loja do interior, que a gente consegue montar em 120 metros quadrados”, descreve Alessandra. A rede Constance, contando franqueados e vendedores, soma cerca de 3,5 mil colaboradores. A empresa é de capital fechado. Na rede administrativa, que presta todo o suporte para os franqueados, são mais de 500 funcionários.

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A Constance é uma marca que vem se posicionando cada vez mais no mercado da moda, conforme acredita Alessandra. E Fernanda Giusto aponta o que considera um preço justo para esse posicionamento crescente da marca. “É uma entrega mais justa, porque a gente tem hoje alguns players no mercado que entregam moda, mas que muitas vezes não têm um valor competitivo, um valor que cabe no bolso de todo mundo. A Constance democratiza muito com design de ponta e qualidade a um custo que se pode pagar”, atribui.

“O nosso modelo de negócio é para todas as mulheres, para todos os momentos onde quer que elas precisem ir”, diz a diretora de produto. A cada semana, a rede recebe novos modelos de calça dos. A estratégia é oferecer soluções para todos os momentos, do sapato feminino dos números 33 ao 42 são ofertados modelos de conforto, mas também os de glamour e festa. Do chinelo de borracha, ao tênis, do scarpin à bota. A proposta é ter tudo o tempo inteiro.

Apesar das mudanças climáticas, das estações indefinidas, a Constance não deixa de se preocupar com as grandes viradas de inverno e verão, onde as lojas mudam a cara com vitrines temáticas, “até para a vendedora ter mais argumento. E depois, essas grandes viradas vão sendo complementadas com mais produtos, uma coisa mais contínua, até chegar o período da outra grande virada de estação”, explica Alessandra.

As pesquisas internacionais fazem parte do trabalho. “A gente entende, pela versatilidade de nosso público-alvo, que existe busca por todos os estilos de produto. Tem a consumidora linear, que quer conforto, independentemente da tendência. Já, a pessoa que busca uma moda rápida, uma fast fashion, ela vai querer o que está viralizando. Outro perfil é a daquela cliente que tem como estilo pessoal ser mais valorosa. Ela sempre vai procurar um salto alto, uma sandália de brilho. E o que fazemos é procurar entregar conforto com moda”, reforça Fernanda Giusto.

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A paleta de cores, que até um certo momento da história se limitava apenas ao preto e ao bege, hoje, segundo Alessandra Noronha, apresenta, por exemplo, a estampa de onça, considerada como básica. “Uma mulher, hoje, pode usar uma sapatilha de animal print com uma calça jeans. A moda é se sentir bem. Uma mulher hoje não tem medo de usar um bordô como há anos atrás. Ela sai com um sapato dourado de manhã, por exemplo. Ou seja, a mulher está muito mudada, está muito dona de si”, opina.

O modelo de autosserviço na Constance não elimina o trabalho da vendedora. “Todas as lojas têm uma equipe de vendas para auxiliar. Com certeza, a cliente vai encontrar o que deseja, sentada em um pufe confortavelmente, tendo ao seu dispor, mais de 450 modelos na sua numeração. Difícil sair dali sem encontrar nada que goste”, orgulha-se Alessandra Noronha.

“Trabalhar com fast fashion é muito gostoso, mas é muito cruel. Nós não temos o direito de errar, porque é tudo muito rápido. A velocidade que as coisas andam não é a velocidade que a gente consegue virar uma coleção se a gente não esti ver alinhado com o mercado. Precisamos estar muito alinhados com a tendência de moda que a gente vê lá fora, nós temos que trazer as tendências para a mulher brasileira, que é vaidosa, sensual. Mas não é simplesmente trazer de lá, tem que tropicalizar”, descreve a diretora.

As bolsas são outro segmento de grande empenho do time de designers da rede. “São cerca de 270 modelos de couro e sintéticas. Tem para festa, tem para academia de ginástica, tem para o happy hour, mochila para faculdade, bolsa para laptop, bolsa para carregar só o celular, e tem para aquela mulher que adora carregar a vida dentro da bolsa. Estamos conseguindo nos posicionar muito bem neste mercado também”, diz Alessandra.

Fernanda Giusto lembra que, em razão do fast fashion, vale a pena ter a opção da bolsa sintética. “Por ser moda rápida, nem sempre a pessoa tem disposição de investir alto no couro. A gente oferta para todos os gostos e bolsos e para todas as ocasiões, do trabalho ao happy hour”, endossa.

Além dos calçados e bolsas, a Constance desenvolveu um mix de acessórios para bolsas, como carteiras e, no caso dos sapatos, um mix para gerar mais conforto para os pés, como ajuste de palmilha, proteção atrás em silicone, e uma linha de meias para sapatilhas e tênis.

Nos pés, dentre os clássicos que nunca saem de moda, destaca-se o mocassim, que está em alta. “Tem gente que gosta de ter um de cada cor. O in verno é do mocassim e das botas de cano alto até o joelho”, dá a dica a diretora de produto da Constance.

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