Educação

ESCREVER É PRECISO

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Oficinas de escrita se popularizam em Belo Horizonte e atraem pessoas que desejam iniciar ou se aperfeiçoar na atividade

 

Existe todo um universo composto por escritores que não aparecem nas vitrines das livrarias ou nas listas de mais lidos. Muitos deles, aliás, nunca publicaram um livro sequer. São pessoas anônimas que estudam ou trabalham e dão vazão à sua veia criativa em oficinas de escrita, cada vez mais populares em Belo Horizonte. Em um mundo cada vez mais tomado por conteúdos rápidos e digitais, chama a atenção que muitas pessoas ainda se interessem por uma atividade que requer tempo, introspecção e uma dose de disciplina.

Um dos espaços para praticar esse ofício é o Estratégias Narrativas, localizado no icônico edifício Arcangelo Maletta. Por lá, além das oficinas temáticas, também acontece o ateliê de escrita. São encontros semanais onde o aluno pode desenvolver um projeto específico, como romance, contos e poesias. A partir da leitura em voz alta dos textos, a escritora Laura Cohen Rabelo ajuda os participantes a aperfeiçoar a técnica e a encontrar caminhos.

“A escrita é uma necessidade e algo que nos nutre como seres humanos. Escrevemos não apenas para nos expressar, processar acontecimentos ou por diversão. A importância da escrita é a importância que todo ser humano tem de realizar a criatividade: é uma das nossas necessidades como comer, dormir, ir ao banheiro, ter amigos”, reflete.

Ela também defende que escrever não é questão de dom, mas sim algo que pode ser praticado e aprimorado por qualquer pessoa. “A escrita é desenvolvimento e aprendizado, tentativa e erro. Um exercício que fazemos nos ateliês de escrita é observar os rascunhos de autores. Escrever também é reescrever muito. Meu último romance teve oito versões. É necessário escrever, ler em voz alta, ouvir o próprio texto, comentar, reescrever”, garante.

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Para quem deseja ver seu trabalho publicado, as oficinas também podem ser um primeiro passo importante. Laura relata que, desde o início do Estratégias Narrativas, em 2015, participantes, professores e alunos já publicaram mais de 100 livros e zines somados.

“A oficina ajuda, talvez, catalisando o texto, deixando-o mais pronto para uma editora, ajudando a pensar em formas diversas de tornar público, e esse tornar público pode ser livro, mas também voz, zine, site, cartaz, outras mil coisas menos tradicionais. Nós temos uma ideia estendida da publicação”, afirma.

Porém, engana-se quem pensa que só os chamados “amadores” se interessam pelas oficinas. O escritor e tradutor Diogo da Costa Rufatto já tinha um livro infantil publicado quando se inscreveu para participar dos encontros semanais no Estratégias Narrativas. Formado em letras, ele conta que nunca havia estudado nada relacionado à criação. Assim, as oficinas foram uma oportunidade de compartilhamento e socialização.

“As oficinas podem servir como esse momento de compartilhar angústias, agruras e alegrias da escrita. Também pode servir como ferramenta para inventar modos de sair de impasses, de ‘tomar de empréstimo’ soluções de colegas, coisas assim. São espaços de exercício e troca”, diz.

Hoje, o artista tem diversos trabalhos publicados e fundou sua própria oficina de escrita, o Palavra em Forma. “Basicamente são encontros semanais de duas horas em um grupo de cinco ou seis pessoas. Há grupos presenciais e grupos on-line. Se não é possível ensinar alguém a escrever, é possível estabelecer um espaço para trocas, onde técnicas podem ser desenvolvidas, onde há troca de experiência e pessoas dispostas a escrever e também a ouvir seus colegas de ofício”, define.

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Quem também se dedica ao ofício é o poeta e escritor Kaio Carmona, que ministra oficinas de escrita há cerca de dez anos. Atualmente, ele conduz três turmas distribuídas entre dois centros culturais: a Organização de Aposentados e Pensionistas da UFMG (OAP), com uma turma no Conservatório de Música e outra no campus, além de uma turma no Centro Cultural IDEA. No próximo semestre, vai iniciar também uma nova turma no Centro Loyola.

“Mais do que um curso, a oficina é um território de encontro entre pessoas e palavras. É um espaço de experimentação, descoberta e amadurecimento da escrita, voltado a quem deseja encontrar a própria voz literária. Por meio de exercícios, reescritas, leituras com partilhadas e conversas, cada participante é convidado a descobrir que escrever é, antes de tudo, uma forma de ampliar o olhar sobre si mesmo e sobre o mundo”, define.

Segundo ele, alguns participantes já publicaram livros e procuram aperfeiçoar a própria linguagem. Outros chegam com manuscritos em busca de uma leitura crítica que os ajude a transformar um projeto em livro. E há quem esteja apenas dando os primeiros passos.

“Vivemos cercados por imagens rápidas e estímulos constantes, mas a literatura convida ao movimento oposto. Ela pede pausa, escuta e presença. Escrever exige atenção aos próprios pensamentos, aos sentimentos e às histórias que nos atravessam. É um exercício de profundidade. Enquanto o mundo nos dispersa, a palavra nos reúne. Talvez a escrita seja uma das respostas mais delicadas ao nosso tempo”, conclui.

SERVIÇO

Para quem quer começar a escrever:

> Estratégias Narrativas @estrategiasnarrativas estrategiasnarrativas@gmail.com

> Palavra em Forma @palavraemforma – (31) 99924-3834

> Kaio Carmona @kaio_carmona – (31) 99131-4162

 > Casa Artô @casa.arto

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