Comportamento

FASCÍNIO E SERVIDÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

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Imagem gerada por IA- Microsoft COPILOT

 

A expressão fascínio e servidão encontra-se em Psicologia das Massas e análise do Eu (1921), de Freud. O próprio texto poderia ter sido escrito hoje, pois suas reflexões permanecem atuais. Freud antecipa aquilo que, pouco depois, eclodiria em uma massa humana em torno do que se constituiu como o horror do nazismo. Ao relacionar hipnose e relação de grupo, Freud define a adesão grupal como a reunião de pessoas em torno de um mesmo líder. Por isso, questiona se o homem seria um animal de horda conduzido por um chefe ou líder.

Diante das catástrofes, das intempéries e da morte – realidade da qual apenas o ser humano tem consciência –, a adesão ao grupo pode funcionar como uma forma de enfrentamento do desamparo. O problema surge quando a identificação grupal é tão intensa que transforma seus integrantes em um rebanho, submetido aos caprichos daquele que ocupa o lugar de “Senhor”. Nessa condição perde-se a singularidade e a capacidade crítica.

A PSICANÁLISE PARTE DA IDEIA DE QUE HÁ, EM CADA SUJEITO, UM NÚCLEO QUE SUSTENTA SUA SINGULARIDADE

A psicanálise parte da ideia de que há, em cada sujeito, um núcleo irredutível que sustenta sua singularidade: um ponto inegociável de cada um. Por isso, os laços humanos se constroem um a um, como numa coleção, e não como em uma massa. Freud assinala que, nessa devoção ou cegueira amorosa, a falta de piedade pode ser levada até o “diapasão do crime”.

Quando massificadas, as pessoas adoecem. O tratamento psicanalítico busca restituir a capacidade de decidir e desejar, para além da submissão e da alienação. Mais de 100 anos após sua criação, a psicanálise mantém sua força subversiva ao sustentar um desejo capaz de nos manter verdadeiramente vivos, e não meros repetidores.

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