Saúde

INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO

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Alexandre Padilha: principal política de redução da desigualdade

 

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fala dos esforços para sanar tempo de espera no SUS, uso da IA e da cirurgia robótica

 

O ministro da Saúde, o infectologista especializado em saúde coletiva, Alexandre Padilha, ocupa posição central nas agendas do governo federal. À frente da pasta, ele conduz programas estratégicos de acesso à saúde, campanhas nacionais de vacinação e iniciativas voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). As ações do Ministério da Saúde geram impactos que ultrapassam hospitais e alcançam o ambiente político nacional. Nesta entrevista, Padilha fala sobre os resultados, os avanços que pretende consolidar e o papel da saúde como instrumento de desenvolvimento, inclusão e estabilidade social em um país que ainda convive com desigualdades.

AGORA TEM ESPECIALISTAS

De acordo com Alexandre Padilha, “é a maior mobilização da saúde pública da história do SUS para sanar o tempo de espera para cirurgias e exames de consultas especializada.” O programa está em funciona mento há um ano e já dá os primeiros resultados: Segundo o ministro, em 2025 foi registrado o recorde de cirurgias eletivas pelo SUS, 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que em 2022.Em Minas Gerais houve aumento de mais do que 60% nas cirurgias eletivas graças a parcerias com municípios, Santas Casas, e com a rede estadual.

“Minas Gerais está aproveitando este programa que faz a remuneração por uma nova tabela, que chega a ser três vezes maior do que a antiga tabela SUS. Permite que hos pitais privados também possam participar. E o que a gente quer é ir cada vez mais forte. Ampliar o atendimento às cirurgias eletivas, mais consultas especializadas, este é o nosso desafio.” Desafio que Alexandre Padilha quer deixar como legado de sua gestão. “O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que assumiu um sistema público de saúde.”

CARRETAS DE SAÚDE

Segundo Alexandre Padilha, o programa Agora tem especialistas coloca carretas de saúde circulando em todo país e mais de 2.800 municípios já foram atendidos. “Em Minas, estamos incluindo na região do Vale do Rio Doce três carretas permanentes: a da saúde da mulher, a de tomografia e ultras som e uma para a cirurgia oftalmológica, zerando as filas na região.”

 

“O BRASIL É O ÚNICO PAÍS DO MUNDO COM MAIS DE 100 MILHÕES DE HABITANTES QUE ASSUMIU UM SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE”

 

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

“A saúde é, talvez, a principal política de redução da desigualdade, pela capilaridade”. Ele frisou que o setor é um dos que mais emprega no país, com 12 milhões de profissionais atuando em diversas especialidades Brasil afora. Alexandre Padilha ressalta que a saúde é uma das agendas prioritárias quando o assunto é o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda do país. “A política de saúde é decisiva, salva vidas, mas é muito mais do que isso.” O ministro da Saúde foi enfático ao dizer que nenhuma nação se tornou rica sem ter um complexo econômico industrial da saúde.

IA E TECNOLOGIA NO SUS

 “A Inteligência Artificial está nos ajudando a reduzir o prazo para fechar o diagnóstico do câncer. Aquilo que às vezes demoraria duas semanas – fazer o exame de imagem, a biópsia e a leitura pelo profissional especialista – a IA reduz para dois dias.” Com níveis de acerto em mais de 96% dos diagnósticos de imagem, o uso da IA no SUS promove o que o ministro considera uma “revolução digital, que na área da Saúde, o Brasil já iniciou. A gente quer, no próximo período, dar um salto ainda maior nisso.”

As ferramentas de IA também ajudam a diminuir filas cruzando dados que identificam critérios de prioridade e risco e também no registro de produtos na Anvisa. “Neste primeiro trimestre de 2026 é a primeira vez na história da agência que foram registrados mais novos produtos do que pedidos de novos registros”, o que mostra agilidade do sistema.

Padilha afirmou que a cirurgia robótica já é uma realidade e novas tecnologias já estão incorporadas ao SUS, assim como o sistema de telessaúde e a rede de hospitais inteligentes, nos quais há coleta de dados por sensores, integração via internet e processamento para ação automatizada. A rede é fruto de parceria entre Brasil, Índia, China e Alemanha, com apoio do Brics. O objetivo, segundo ele, é maximizar o uso de recursos tecnológicos em função da economia de tempo associada ao alto índice de eficiência, segurança e assertividade.

“Em 2023, nossa rede nacional de dados de saúde tinha cerca de 700 milhões de registros de pacientes brasileiros. Terminamos 2025 com mais de 5 bilhões de registros entre dados clínicos e prontuários. Na saúde suplementar mais 1 bilhão de registros de planos de saúde. Hoje, mais de 85% das equipes de saúde da família espalhados pelo país usam o prontuário eletrônico do Ministério da Saúde, o E-SUS.”

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

 “Ingressamos no seleto grupo dos países com IDH muito elevado”, aponta Padilha. Em sua análise o IDH brasileiro é reflexo do crescimento da expectativa de vida, o aumento das coberturas vacinais e redução da mortalidade infantil.

VACINAS

 O ministro da Saúde destacou a nova vacina contra bronquiolite, que desde dezembro de 2025 foi disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde. Na rede privada a dose custa cerca de R$ 1.500. Segundo ele, com o imunizante disponível no SUS e integra do ao calendário vacinal para gestantes e bebês de risco, foi possível reduzir em 60% as internações por conta da doença. “Cada novo produto que é incorporado ao SUS significa alívio no bolso das famílias. Para a Copa do Mundo, devido à explosão de casos de sarampo nos Estados Unidos por conta do negacionismo vacinal, a Pasta fez, com apoio da CBF, ação para vacinar os torce dores brasileiros em viagem para assistir aos jogos.

Padilha quer “derrotar de vez os negacionistas na saúde. Chegamos à maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, queremos crescer cada vez mais e acabar com esta história de fake news, de mentira, de desserviço do movimento antivacina no nosso país e no mundo.”

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