Comportamento

NÃO MATARÁS…

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Se foi preciso criar um mandamento para que os humanos não matem uns aos outros, é porque o campo das pulsões resiste a ser dominado e reprimido. Freud formulou o conceito de pulsão de morte destacando inicialmente sua dimensão destrutiva e sua tendência ao retorno ao inanimado. Ressaltou também que o ódio é mais primitivo que o amor, ligado ao que chamou de rejeição primária.

O que a psicanálise pode oferecer diante de algo tão constitutivo do psíquico? Por se tratar de pulsão – algo entre o somático e o psíquico, portanto corporal, visceral e indomável -, a pulsão de morte escapa às medidas repressivas da civilização que tenta contê-la por meio da força e da violência. Basta observar o âmbito familiar, onde ainda se recorrem ao chinelo, à correia e a outros castigos físicos na educação dos filhos. Tais práticas podem produzir sujeitos submissos e obedientes, ou, ao contrário, identificados com o agressor, que reproduzem a violência e a transmitem às novas gerações.

Se Freud evidenciou a face destrutiva da pulsão de morte, Lacan ressaltou sua dimensão criacionista. Essa virada abre a possibilidade de um saber-fazer com as pulsões. A educação, apoiada nessa perspectiva, pode oferecer, por meio das artes, da música, da dança, do esporte, da formação espiritual e intelectual, caminhos de canalização e expressão da agressividade.

Entretanto, pouco se investe numa educação dessa ordem. Muitas vezes, ela própria transmite a violência, formando indivíduos destinados a se tornarem massa de manobra, e não sujeitos pensantes. A psicanálise segue na contramão dessa lógica: ao liberar as pulsões de representações ultrapassadas e ao destacar sua dimensão criadora, faz emergir um sujeito capaz de bem-dizer suas ideias, sem recorrer à força e à violência para que a vida possa ser BEM DITA!

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