Comportamento

O INEGOCIÁVEL DE CADA UM

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Créditos: Sammy-Sander / Pixabay

Num mundo que nos convoca à uniformização, destaco o direito à diferença sem que isso implique um funciona mento restrito e polarizado que impeça a criação de novas possibilidades e soluções para a humanidade. Para isso, é preciso escutar-se mais além das ideologias e citações exaustivamente repetidas.

Se, por um lado, nossa subjetividade se constitui na relação dialética entre o ser e o mundo, por outro, há um ponto inegociável em cada um – algo que não muda porque não se é sem isso. Esse “isso” que somos no âmago do nosso ser, e que, por seu estatuto de marca no real do corpo, jamais pode ser plena mente sabido, presta-se ao equívoco. Não se trata de explicar-se infinita mente, mas de fazer a experiência de se haver com o inegociável de si – sua diferença radical, reconhecível no vasto campo das identificações.

Não se trata do “narcisismo das pequenas diferenças” de que fala Freud, manifesto nas questões raciais, políticas, sociais, sexuais – tudo aquilo que identificamos na superfície das relações com o mundo. Essas diferenças pertencem ao imaginário: são as roupagens com que cada um se apresenta. São pequenas, não por terem menor valor – pois, geram conflitos, guerras e destruições -, mas por sua estrutura de ficção, sujeitas a mudanças, destinadas a cair e perder o sentido com o tempo.

O que realmente permanece é o ponto que marca o limite do que se pode ceder ao outro: um núcleo que não se reduz a uma ideia ou imagem e cuja renúncia significaria perder-se. Falo do inegociável de cada um – aqui lo que nos permite reconhecer, com serenidade e firmeza, o momento de dizer: Não – Isso não.

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