A expansão populacional nos últimos 230 anos acompanhou o progresso econômico. A população mundial pulou de 1 bilhão, em 1800, para 8 bilhões, hoje. Essa expansão seguiu uma trajetória muito particular, conhecida como “transição demográfica”. Em sua primeira fase, devido à queda da mortalidade, principalmente nos primeiros 12 meses após o nascimento, combinada com o alto números de filhos que cada mulher tinha, a população cresceu formando uma estrutura etária jovem. Na segunda fase, diminui-se o número de filhos por mãe e, portanto, o ritmo de crescimento da população, embora compensado pela redução da mortalidade. Nesse período, a estrutura etária foi se envelhecendo, como comprova o aumento da idade mediana que dobrou de 17, em 1970, para 35 anos, em 2022, no Brasil.
Atualmente, a população com idade acima de 60 anos é o grupo que cresce mais rapidamente. É o que se chama de “envelhecimento populacional”. O segmento de 60 anos e mais, que, em 2000, representava cerca de 9% da população brasileira, neste ano, alcançou 16% e, em 2070, chegará a 38% do total, ou cerca de 75 milhões de pessoas. As preocupações com o envelhecimento populacional focam, quase sempre, nos seus impactos sobre a ampliação das políticas sociais, como SUS, Previdência Social, programas de benefício de prestação continuada (BPC) e de cuidado aos idosos.
O PAÍS SOFRERÁ, EM 25 ANOS, A PERDA DE 31 MILHÕES DE POTENCIAIS TRABALHADORES
Poucos se preocupam com o outro lado do processo de transição, qual seja, a redução absoluta do contingente potencial de trabalhadores (população entre 20 e 59 anos). No Brasil, em 2000, havia 89,4 milhões de pessoas nesse segmento, que vai atingir o seu máximo, 123 milhões, em 2035. A partir daí, cairá, em termos absolutos, chegando em 2070 a 91 milhões, ou, aproximadamente o mesmo volume do início do século. O país sofrerá, em 25 anos, a perda de 31 milhões de potenciais trabalhadores. Uma brutal tragédia em apenas uma geração, com parável às mortes civis na Segunda Guerra Mundial (o conflito militar mais mortal da história), que chegaram a 50 milhões de vidas.
O principal desafio do futuro para o bem-estar de todos é garantir forte expansão da economia. Preparar os idosos para essa tarefa é imperioso, porém não suficiente. Como fazê-lo é compromisso e tarefa dos homens e mulheres. Não espere por uma graça divina.
