A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa e gerou benefícios econômicos estimados em R$ 1,16 trilhão para o mundo. Os dados são de um estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado pelo economista Bráulio Borges e divulgado nesta semana.
Segundo a Agência Brasil, o levantamento comparou os índices de desmatamento dos dois biomas entre 2019 e 2022 com os registrados de 2023 a 2026. No primeiro período, a área desmatada somou 78,9 mil quilômetros quadrados. No segundo, caiu para 56,7 mil quilômetros quadrados, uma diferença de aproximadamente 22,3 mil quilômetros quadrados, área superior à do estado de Sergipe.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na sexta-feira (16), apontam que o desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026 recuou 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado. A área desmatada na Amazônia foi de 3.335 quilômetros quadrados, o menor índice desde 1998. No Cerrado, foram 5.516,69 quilômetros quadrados, a menor extensão desde 2001.
Danos climáticos evitados
Para calcular os benefícios econômicos, Borges utilizou estimativas do Custo Social do Carbono, indicador que atribui um valor monetário aos prejuízos provocados pelas emissões de gases de efeito estufa. No cenário central, o estudo considera um custo médio de US$ 145 por tonelada de dióxido de carbono equivalente. Com base nesses parâmetros, o valor dos danos climáticos globais evitados chega a R$ 1,16 trilhão. Em uma projeção mais conservadora, o montante é de R$ 621 bilhões, enquanto o cenário mais otimista alcança R$ 9,8 trilhões.
Para a economia brasileira, os benefícios estimados variam de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões. Segundo o economista, os ganhos incluem perdas agrícolas menores, redução do estresse térmico sobre a produtividade do trabalho e menor impacto de eventos climáticos extremos. O estudo considera os períodos de 12 meses encerrados em julho e compara os resultados recentes com uma projeção em que o ritmo de desmatamento de 2019 a 2022 teria sido mantido.
Floresta também garante chuvas
A análise não contabiliza todos os benefícios da preservação. Borges observa que a floresta amazônica influencia o regime de chuvas, a temperatura e a disponibilidade de água em diferentes regiões do país. Os chamados rios voadores, correntes de umidade alimentadas pela evapotranspiração da floresta, transportam vapor d’água para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul, contribuindo para atividades como a agropecuária, a geração hidrelétrica e o abastecimento urbano. Estudos citados pelo pesquisador estimam que as chuvas geradas pela Amazônia brasileira valem cerca de US$ 20 bilhões por ano, considerando o preço da água utilizada na irrigação.
O economista também avalia que os benefícios da floresta em pé superam os recursos recebidos pelo Brasil por meio de iniciativas internacionais de financiamento ambiental. Entre os mecanismos citados estão o Fundo Amazônia, o mercado de créditos de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo Brasil na COP30, em Belém. Borges defende que o Custo Social do Carbono seja incorporado às análises de custo-benefício de políticas públicas, incluindo obras de infraestrutura na Amazônia, expansão do setor elétrico e definição de tributos e subsídios.
Créditos: Pixabay
