Saúde

SAÚDE A LONGO PRAZO

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Marcos Andrade: “O desafio passa também por discutir aquilo que pode deixar de ser realizado”

 

Painéis do Conexão Empresarial Ouro Preto discutem os excessos da medicalização, o papel do exercício físico e acompanhamento individualizado

 

Prevenção, longevidade e uso mais conscientes dos recursos da medicina pautaram o Momento Saúde, Bem-Estar e Qualidade de Vida, programação do Conexão Empresarial Ouro Preto. Ao longo do encontro, médicos e especialistas em saúde defenderam uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em hábitos sustentáveis, autonomia do paciente e menor dependência de exames e tratamentos excessivos.

No painel “Como lidar com medicamentos e exames sem perder a saúde física”, o cardiologista Marcos Andrade Jr. apresentou a iatrogenia, fenômeno cada vez mais comum. “O termo é utilizado para designar danos ou complicações provocados por intervenções médicas, mesmo quando esses procedimentos são corretamente indicados”, explica o médico. Segundo ele, o modelo atual está excessivamente condicionado à lógica de que mais exames e mais remédios significam melhor cuidado, ignorando os efeitos colaterais físicos e emocionais que também acompanham esse processo.

Andrade abordou os conceitos de polifarmácia, caracterizada pelo uso simultâneo de múltiplos medicamentos; e prevenção quaternária, que visa proteger o paciente da medicalização excessiva. “Em vez de concentrar o debate apenas sobre o que precisa ser feito, o desafio passa também por discutir aquilo que pode deixar de ser realizado sem prejuízo ao paciente.” Segundo ele, a resposta automática a qualquer sintoma com medicamentos pode comprometer mecanismos naturais de autorregulação do organismo, tornando-o excessivamente dependente de intervenções que nem sempre são necessárias.

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A discussão no painel avançou para a importância da atividade física como instrumento terapêutico na apresentação da fisioterapeuta Débora Úrsula Fernandes, que reforçou a necessidade de atuar sobre as causas dos problemas de saúde e não apenas sobre seus sintomas. A especialista apontou evidências científicas que demonstram associação inversa entre a prática regular de exercícios e quadros de polifarmácia, indicando que o movimento do corpo pode reduzir a dependência de medicamentos e ampliar a qualidade de vida em diferentes fases da vida.

Ao longo da palestra, Débora destacou que o exercício físico vai muito além do gasto calórico e exerce papel central na regulação inflamatória do organismo. “Os músculos, além de força, ajudam a reorganizar esse ambiente interno, reduzindo fatores ligados a doenças metabólicas, cardiovasculares, artrites e outras enfermidades associadas ao excesso de gordura visceral”, explica a fisioterapeuta.

Ela também combateu mitos sobre o envelhecimento, especialmente a ideia de que idosos devem evitar exercícios de força. “Pelo contrário”, argumentou, “exercícios de resistência ajudam a reduzir a perda das funções musculares, diminuem o risco de quedas e preservam a autonomia funcional ao longo do tempo.” Entre os principais obstáculos à adesão, ela apontou fatores como dor, medo, falta de tempo, baixa motivação e insegurança, defendendo que a constância depende de uma combinação entre prazer, significado e segurança.

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Na sequência, as médicas Carla Tavares, coordenadora dos serviços de medicina do es porte e medicina preventiva da Rede Mater Dei, e Patrícia Tavares Marcatti, coordenadora de cardiologia da instituição, apresentaram o painel Saúde integral, promoção e prevenção. As especialistas defenderam uma mudança de paradigma na forma como as pessoas lidam com rotina, desempenho e autocuidado, associando performance duradoura à construção de hábitos sustentáveis de longo prazo. Segundo elas, a crescente incidência de burnout tem evidenciado que produtividade exige não apenas capacidade técnica, mas também preservação da saúde física e mental.

Em sua fala, Patrícia destacou que câncer, doenças cardiovasculares, enfermidades metabólicas e doenças neurodegenerativas permanecem entre os principais fatores que comprometem a longevidade com qualidade, reforçando a importância de prevenção contínua por meio de alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle metabólico, sono adequado e rastreamento precoce.

Carla, por sua vez, acrescentou que novos marcadores vêm ganhando relevância nas estratégias de acompanhamento individualiza do, entre eles capacidade cardiorrespiratória, massa muscular, qualidade do sono, frequência cardíaca em repouso e indicadores captados por dispositivos vestíveis. “Acompanhar a evolução longitudinal desses parâmetros permite intervenções mais precisas e aumenta as chances de preservar autonomia e funcionalidade nas décadas mais avançadas da vida”, afirmou.

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