Márcio de Lima Leite: “Precisamos avançar em política de competitividade”
FOTO \ TIÃO MOURÃO
O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, diz que Brasil tem posição confortável na transição energética
A indústria automobilística no Brasil viveu um ano mágico em 2024, com um crescimento de 14,2%, enquanto na Europa o índice ficou um pouco acima de 2%, segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea e vice-presidente sênior de Relações Institucionais e Jurídico na Stellantis South América. No almoço-palestra do Conexão Empresarial, evento promovido pela VB Comunicação, revista Viver Brasil e Jornal O Tempo, ele falou da importância do processo liderado por Cledovirno Belini ao trazer os fornecedores para perto da fábrica da Fiat em Minas porque hoje está claro que o conceito de montadora é ultrapassado.
O executivo afirma que o importante é a indústria, a fábrica, com a participação em todos os processos na linha de produção. Por outro lado, o governo precisa garantir a competitividade do setor. “Precisamos avançar em política de competitividade. 2024 foi o ano de maior venda de veículos da nossa história e as divergências políticas devem ficar em outro lugar para permitir o desenvolvimento da nossa indústria”, afirmou.
Além disso, ele observa que o programa Mover, para o desenvolvimento do setor, está sendo muito importante e envolve recursos significativos. São R$ 180 bilhões, sendo que R$ 130 bilhões são direto dos fabricantes e outros R$ 50 bi das indústrias de autopeças. A produção de veículos cresceu 10% e gerou 120 mil empregos, números bastante significativos. Márcio de Lima Leite observa que o aumento das linhas de crédito ajudou a impulsionar as vendas, e mesmo com os juros altos, o nível de inadimplência é baixo, de apenas 4%, um dado considerado por ele como muito significativo.
Os investimentos em tecnologia e desenvolvimento também têm sido fundamentais, como no etanol e nos biocombustíveis, que se mostraram acertados, colocando o Brasil em uma posição privilegiada no desenvolvimento dessa tecnologia, que começou para diminuir a dependência do Brasil no petróleo e hoje se tornou o seu grande trunfo. “Fizemos o desenvolvimento do etanol com brilhantismo e de quebra, acertamos na descarbonização.” Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegam a R$ 60 bilhões, o que mostra que a indústria automobilística passa por uma grande transformação. O etanol, segundo o executivo, coloca o Brasil em uma situação confortável, aumentando a sua importância nessa transição energética.
A situação do Brasil é diferente dos países que investiram para acelerar a eletrificação dos veículos. Alguns estão vivendo um momento desafiador, como os Estados Unidos, União Europeia e China. Márcio de Lima Leite disse que os Estados Unidos investiram US$ 50 bilhões e o resultado foi a redução do parque industrial e aumento do desemprego. Países como Alemanha e Espanha também sofrem com esse processo, que tem causado um sério desequilíbrio em suas economias.
Das muitas reuniões que teve com o presidente Lula e com representantes do setor, Marcio Lima Leite argumentou que o desenvolvimento do carro elétrico é fundamental, mas “não podemos ter pressa e colocar em risco a nossa indústria. Temos fornecedores de padrão internacional e o mundo precisa do que nós temos hoje”. Ele lembra que 85% da energia produzida no Brasil é limpa. Na palestra que fez para empresários, políticos e representantes da sociedade, o executivo ressaltou que tudo o que está relacionado ao biocombustível é uma realidade no país, como o desenvolvimento de novas tecnologias. O que o Brasil tem que fazer é se preocupar consigo mesmo e enfrentar o custo Brasil, esse sim, um assunto urgente.