Saúde

Atendimento na saúde em BH é ampliado para enfrentamento da dengue

posto de saude

Prefeitura anuncia abertura de postos de saúde nos fins de semana e reforço de 600 profissionais nas equipes

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai investir R$ 16,5 milhões no enfrentamento ao Aedes aegypti neste ano. O Plano de Enfrentamento às Arboviroses 2024 anunciado nesta quarta-feira (31/1) inclui ações complementares para garantir a assistência médica às pessoas com sintomas de dengue, chikungunya e zika e controlar a transmissão das doenças na capital. Dentre elas, a abertura de seis centros de saúde durante os fins de semana e reforço com mais de 600 profissionais nas equipes de saúde.

Os dados mais recentes de 2024 mostram 947 casos confirmados de dengue e 59 de chikungunya em BH. No momento, não há registros confirmados de zika.

A partir desta quinta-feira (1º/2) começa a funcionar um Centro de Atendimento às Arboviroses (CAA) na UPA Centro Sul, na Rua Domingos Vieira, 688, de 7h às 19h. O CAA será voltado exclusivamente para o cuidado de pessoas sintomáticas.

No sábado (3/2), será aberta uma unidade do CAA em Venda Nova e, na segunda-feira (5/2), uma Unidade de Reposição Volêmica (URV) na região Centro-Sul, destinada à hidratação dos pacientes, com funcionamento 24 horas por dia. A URV vai receber exclusivamente os usuários encaminhados de outras unidades de saúde. Novas unidades poderão ser abertas de acordo com o cenário epidemiológico e de forma gradual, priorizando os cuidados aos usuários.

As medidas foram anunciadas pelo secretário municipal de Saúde, Danilo Borges. “A gente percebeu um aumento da demanda por atendimento e é por isso que nós incrementamos as equipes nas UPAs, abrimos os centros de saúde e a próxima fase é abrir centros especializados de atendimento a dengue em várias regionais do município. Porém, com a escalada do número de casos prevista para as próximas semanas, especialmente entre o final de fevereiro e começo de março, esses serviços também serão muito demandados”, afirmou.

Lições aprendidas

O secretário disse que todos serão atendidos. “Isso é uma garantia que nós damos, com muita segurança, com a experiência de ter atravessado outras epidemias que nos pressionaram muito. Esse plano que está sendo apresentado é fruto de lições aprendidas de anos anteriores e a nossa equipe é veterana nesse tipo de enfrentamento”, completou o secretário de Saúde.

Os profissionais foram capacitados quanto ao manejo clínico das doenças, seguindo os atuais protocolos do Ministério da Saúde. Os estoques de insumos e medicamentos das unidades de saúde da capital também estão abastecidos.

Para ampliar o atendimento aos pacientes com quadros mais graves de dengue ou outras arboviroses, a Secretaria Municipal de Saúde mantém uma articulação com os 24 hospitais que atendem a rede SUS na capital. O objetivo é garantir a retaguarda de leitos hospitalares e a disponibilização de serviços assistenciais.

A Fhemig se prontificou a disponibilizar as dependências do hospital Júlia Kubitschek (HJK) para abertura de uma Unidade de Reposição Volêmica (URV) e ampliação de leitos. Já o Hospital Infantil João Paulo II e o Eduardo de Menezes (HEM) atenderão pacientes com suspeita de dengue, chikungunya e zika.

Exames PCR

Para agilizar os diagnósticos de dengue, chikungunya e zika, a Prefeitura de BH inicia, em fevereiro, a realização de exames PCR para essas doenças no Laboratório Municipal de Biologia Molecular. Com isso, as amostras que atualmente são colhidas em todos os 152 centros de saúde e UPAs da capital e encaminhadas para processamento na Fundação Ezequiel Dias (Funed) serão analisadas em unidade própria da PBH, garantindo resultados em tempo oportuno para a melhor condução clínica dos casos.

Uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Exército Brasileiro vai garantir um reforço de pessoal às equipes, caso seja necessário.

De acordo com o cenário epidemiológico, o serviço de teleatendimento poderá ser prontamente disponibilizado para as pessoas com sintomas de dengue, chikungunya ou zika. A estratégia é uma oferta complementar à rede de saúde do município e, para utilizar o serviço, o usuário deverá ser morador de Belo Horizonte e cadastrado em um centro de saúde da capital.

Quando reativadas, as consultas poderão ser realizadas por aqueles que apresentarem sintomas como febre, dores musculares e nas articulações, manchas vermelhas na pele, dor de cabeça ou atrás dos olhos, náuseas e vômitos.

O objetivo é identificar áreas que poderão se tornar criadouros do mosquito da dengue e notificar os proprietários para que tomem as medidas cabíveis.

De olho nos focos

Outra importante medida é o monitoramento de focos por meio do uso de drones, que são utilizados para a captação de imagens e aplicação de larvicida diretamente nos locais de risco. A partir da semana que vem, a Guarda Municipal vai intensificar os sobrevoos com drones. Foram realizados mais de 104 sobrevoos no ano passado. Em 2024 foram 12 sobrevoos, até o momento.

Já a Procuradoria-Geral do Município (PGM) seguirá acionando judicialmente os proprietários de imóveis que descumprirem a determinação da Prefeitura de Belo Horizonte para colocar fim a focos de dengue. As vistorias são realizadas pela Subsecretaria de Fiscalização e Vigilância Sanitária. Para contribuir com as ações, a população pode denunciar as situações nos canais oficiais, sendo o Portal de Serviços, PBH APP e 156.

Prevenção

Vale lembrar que o município realiza durante todo o ano ações de combate e prevenção ao mosquito Aedes aegypti. Para manter a vigilância e controle dessas doenças na capital, é necessário que a população também reforce os cuidados. De acordo com o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro de 2023, 86,9% dos focos estão nas casas. Os criadouros predominantes em cada área são: 33,1% em pratinhos de plantas, 21% em inservíveis (embalagens de algum produto) e 8,9% em recipientes domésticos.

Por isso, a Prefeitura de Belo Horizonte iniciou em dezembro de 2023 uma campanha de prevenção que propõe missões que devem ser seguidas por toda a família para a efetiva eliminação dos possíveis criadouros. As dicas podem ser verificadas neste link.

Durante todo o ano, os Agentes de Combate a Endemias (ACE) percorrem imóveis reforçando as orientações sobre os riscos do acúmulo de água, já que esses locais podem se tornar criadouros do mosquito. Nessas visitas também são repassadas orientações sobre como eliminar os focos e, se necessário, é feita a aplicação de biolarvicidas. Em 2023 foram realizadas mais de 5 milhões de vistorias. Já em 2024, com a intensificação das ações, 176 mil imóveis já foram visitados pelas equipes.

Há também a aplicação de inseticida a Ultrabaixo Volume (UBV) para o combate a mosquitos adultos em áreas com casos suspeitos de transmissão local e também após avaliação ambiental pelas equipes da Zoonoses. Em 2023 foram realizadas ações em mais de 45 mil imóveis e em 2024 já foram contabilizados 6 mil locais.

Armadilhas

Houve também a instalação de mais de 1,7 mil ovitrampas, que são armadilhas em pontos estratégicos das nove regionais para monitorar a circulação do Aedes aegypti e intensificar ações preventivas em áreas com maior número de mosquitos. As estruturas simulam o ambiente ideal para a reprodução e possuem uma substância que atrai as fêmeas. Em 2023 foram realizadas mais de 84 mil visitas para o monitoramento. Após a intensificação das ações na capital, em 2024 foram cerca de 1.700 vistorias.

Após sete dias de instalação das armadilhas, são feitos o recolhimento e a contagem de ovos no Laboratório de Entomologia da Prefeitura. A partir desses resultados, são realizadas análises para o direcionamento estratégico das ações em campo, como por exemplo o sobrevoo de drones para a aplicação de larvicida diretamente nos pontos de risco, mutirões de limpeza e ações de bloqueio.

Mutirão de limpeza

Mutirões de limpeza são realizados pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) durante todo o ano e, em 2023, foram realizadas 257 ações, com mais de 346 toneladas de materiais recolhidos em cerca de 88 mil imóveis. Em 2024 já foram feitos 14 mutirões, com o recolhimento de mais de 17 toneladas de resíduos, em cerca de 3.200 imóveis. Para mobilizar a população, dias antes do mutirão os agentes percorrem as ruas onde será realizada a ação, informando à população a data e horário.

O método Wolbachia é complementar às demais ações de controle e prevenção da dengue, zika e chikungunya. Trata-se de uma bactéria que não pode ser transmitida para humanos ou animais. Os mosquitos que carregam esse microrganismo têm a capacidade reduzida na transmissão das arboviroses, diminuindo o risco dessas doenças. Esse método não envolve qualquer modificação genética do vetor Aedes aegypti. Somente em 2023 foram liberados mais de 31 milhões de mosquitos.

Há ainda uma ação educativa da Secretaria Municipal de Saúde, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, que é o projeto EducaZoo. O objetivo é levar orientações aos alunos de escolas municipais da capital para que eles atuem como multiplicadores das informações. A abordagem a esses assuntos é realizada de forma divertida e descontraída, com jogos de trilha do saber e memória, dominós, cruzadinhas e caça-palavras. Também são feitas ainda apresentações do grupo Mobiliza SUS. Em 2023 foram realizadas mais de 1,7 mil ações educativas.

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