Comportamento

BOM O SUFICIENTE

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Imagem gerada por IA- Microsoft COPILOT

 

Como, onde e como se quer viver, qual profissão escolher, casar ou não – e com que tipo de parceiro… Na vida encaramos vários momentos em que é preciso fazer escolhas significativas, fora as infindáveis decisões no dia-a-dia.

Na sociedade contemporânea existe uma enorme variedade de possibilidades, ao contrário das sociedades pré-industriais, nas quais as pessoas em geral só conheciam aquilo que estava bem perto de onde moravam. Segundo um artigo de autoria de David Epstein no New York Times de 12 de maio de 2026, um economista calculou, em 2006, que as opções atuais a nosso dispor cresceram pela ordem de 100 milhões de vezes em relação ao passado.

Abundância nunca foi sinônimo de satisfação, podendo mesmo constituir um grande complica dor do processo decisório. Sendo quase impossível examinar todas as opções, pessoas por demasiado exigentes muitas vezes se sentem insatisfeitas com suas decisões, imaginando que poderia haver algo melhor que deixaram de considerar.

Herbert Simon, pioneiro da inteligência artificial e da psicologia cognitiva e também ganhador de um prêmio Nobel de economia, dizia que “o melhor é inimigo do bom”. Ele defendia que o processo decisório mais indicado é o que busca o que é suficientemente bom – e cunhou o termo satisficing, contração, em inglês, de satisfatório e suficiente.

PESSOAS POR DEMASIADO EXIGENTES SE SENTEM INSATISFEITAS COM SUAS DECISÕES

Depois da morte de Herbert Simon, um time de pesquisadores criou uma escala para medir onde cada indivíduo estaria no espectro entre os que se satisfazem com o bastante e os exigentes em excesso. Eles descobriram que não é nada bom ser exigente em demasia – eles sempre parecem estar insatisfeitos com sua vida em geral e vivem se comparando com outras pessoas.

O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, o primeiro a usar o termo “fluxo” para descrever a absorção total em alguma atividade, concluiu que as decisões que focalizam em uma escolha, a despeito de outras que poderiam aparecer depois e parecer melhores, permitiriam investir mais energia em simplesmente viver bem, em vez de ficar ponderando o que fazer para viver ainda melhor.

Nos dias de hoje, a mídia social intensificou o problema: tornou-se uma vitrine virtual de ofertas, comparações, competições. A solução? O padrão do bom o suficiente, e a busca por viver sem o estresse trazido por dúvidas sobre as escolhas.

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