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O número de divórcios tem diminuído em vá rios grupos etários, exceto para aquele acima de 65 anos, tendência apelidada de “divórcio grisalho” e parcialmente atribuída ao aumento da expectativa de vida.
O divórcio foi alvo de persistente estigmatização social e até de proibição legal e/ou religiosa. Até hoje é tema polêmico, que continua a assombrar muitas famílias. Depois da estabilidade do casamento, um salto no escuro?
Casamentos passam por diversas fases: fascínio e alegrias no início, muito trabalho quando chegada a hora de criar filhos, permanente preocupação com a estabilidade financeira da família e, finalmente o ninho vazio, a idade e seus problemas chegando… Para muitos casais, não resta uma conexão real entre eles que garanta satisfação mútua. Eles podem até resolver continuar juntos: pelos filhos, pela estabilidade econômica ou pelo temor de enfrentar a reprovação social, memória ainda fresca para quem tem mais de 60 anos.
A longevidade humana continua aumentando a cada nova geração – e este fator parece estar pesando na decisão de manter ou não o casamento, já que há potencialmente outras décadas de vida à frente.
O que se espera do casamento tem sofrido um desvio para valorizar mais questões como o afeto, o companheirismo, a autorrealização. A tolerância para permanecer em um casamento apenas morno está diminuindo. A geração do pós-guerra (dos revolucionários baby boomers) quer viver melhor daqui em diante. A idade provecta traz vantagens para quem quer aproveitar a vida, já que os filhos estão criados e, oxalá, independentes.
A TOLERÂNCIA PARA PERMANECER EM UM CASAMENTO APENAS MORNO ESTÁ DIMINUINDO
No pós-menopausa, as mulheres não mais toleram ser tratadas como quem tem o dever de cuidar de todos da família; elas precisam – e querem – cuidar de si. Os homens, por sua vez, não costumam tolerar bem a aposentadoria e podem se sentir frustrados nessa etapa da vida. Em vez de sucumbirem à depressão, homens e mulheres andam querendo sacudir a poeira e dar a volta por cima. Começar um novo capítulo em suas vidas, talvez um novo volume ou, quem sabe, um outro livro?
Divórcios são onerosos, tanto emocional como financeiramente. Apesar das dificuldades, o que se tem visto é cada vez menos gente querendo manter casamentos de fachada ou, como têm sido chama dos atualmente, casamentos “casca vazia” – relacionamentos que mantêm a estrutura externa, mas que já perderam seu conteúdo interno.
