Comportamento

POR QUE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER ?

vb ed280 junho 24 basta a violencia

Reprodução\ Internet

A pergunta insiste: por que essa violência?

 

Volto ao século 19, pouco antes de Freud, quando Stuart Mill, filósofo britânico, publica A sujeição das mulheres. Àquela altura, algumas vozes femininas já se erguiam em direção à emancipação.

Mill considerava a subjugação de um sexo ao outro um entrave ao progresso humano – uma permanência da escravidão primitiva. Não apenas na esfera doméstica, mas também no cerceamento da educação feminina.

Antes da psicanálise, Mill reconhecia nas mulheres uma “sagacidade intuitiva” que, aliada ao saber, poderia lhes abrir um lugar decisivo na sociedade. Ele escreve que as mulheres não se prendem às regras quando estas falham, ao contrário dos homens, que nelas insistem mesmo quando conduzem ao fracasso.

Em 1837, muitas jovens sequer podiam pensar livremente: a ignorância lhes era imposta. Além disso, o domínio masculino nem sempre era imposto pela força: muitas mulheres o aceitavam voluntariamente.

AINDA ASSIM, NO ENTANTO, RESTOS DESSA SUBMISSÃO PERSISTEM NO INCONSCIENTE CULTURAL

Hoje, mais de um século depois, as mulheres já não se submetem da mesma forma e muitos homens ainda não se deram conta de que eles não são seus donos. Ainda assim, no entanto, restos dessa submissão persistem no inconsciente cultural, manifestando-se, por exemplo, em papéis como o da esposa que abdica de si. Embora essa questão seja antiga, mudanças na organização dos lugares sociais são lentas. A própria vida, contudo, acaba por nos deslocar das posições em que nos acomodamos.

A psicanálise oferece outra perspectiva: não a dos costumes, mas a que aposta na abertura de um espaço nas relações entre homens e mulheres – um intervalo – onde algo novo possa emergir no campo das velhas repetições.

Compartilhe