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PAIS E FILHOS (IM)PERFEITOS
Imagem criada por IA:Microsoft Copilot
Filhos perfeitos existem apenas no imaginário dos pais – antes de nascerem. Vamos, então, falar dos filhos a partir de suas (e nossas) imperfeições. Ou melhor: dos filhos como eles realmente são, uma combinação de características irrepetíveis em sua singularidade, mesmo no caso de gêmeos idênticos.
A criação dos filhos é uma oportunidade para os pais elaborarem os resquícios de narcisismo que nos acompanham vida afora. Desejamos filhos extraordinários, mas o frágil recém-nascido, com toda sua dependência, nos dá um banho de realidade. Aprendemos que há muito a aprender. Entre noites mal dormidas e o cansaço sem fim, somos levados a revisitar nossas próprias limitações e vulnerabilidades, ao mesmo tempo em que descobrimos em nós surpreendentes reservas de generosidade, carinho, atenção e doçura.
A chegada de um bebê provoca grandes conflitos emocionais. Às expectativas frustradas ao perceber que criar um filho não é um passeio no parque, somam-se as imensas exigências de dedicação ao recém-nascido. Experimenta-se uma constante tensão entre sentimentos antagônicos: amor e raiva, carinho e irritação.
Os primeiros meses revelam inseguranças nos pais que até então jamais haviam dado sinal de vida. A intensificação das emoções costuma impactar e desestabilizar temporariamente a relação do casal, bem como sua convivência com outros filhos, caso existam.
ENTRE NOITES MALDORMIDAS, SOMOS LEVADOS A REVISITAR NOSSAS LIMITAÇÕES
Há cenários ainda mais complexos: alguns bebês apresentam problemas de saúde desde o nas cimento ou que surgem com o passar do tempo. Nem sempre os problemas são temporários.
É preciso lembrar que entre os pais (em especial as mães) e os bebês existe inicialmente um estado fusional, uma indistinção emocional. O sofrimento de um é o sofrimento de todos. Um tanto dessa proximidade permanece pela vida inteira, e grandes desafios sempre podem gerar profundos níveis de angústia em todos os envolvidos.
Situações extraordinárias demandam apoio extraordinário. A sustentação e a recuperação dessas famílias dependerão da rede de afeto e cuida dos a que elas tiverem acesso: a família estendida, os profissionais de saúde, os recursos da comunidade. Como no ditado, é mesmo preciso toda uma aldeia para cuidar de uma criança.
