
Cibele
Casar outra vez
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Casar de novo raramente tem… algo de novo.
Via de regra, é repetição – das mesmas ilusões, dos antigos problemas, das surradas decepções, da contumaz falta de entendimento mútuo. É raro que de fato se aprenda alguma coisa com o declínio e queda das experiências passadas.
Na maior parte dos divórcios, não há desejo de se livrar do casamento em si. As pessoas costumam encarar o casamento com bons olhos e a vontade de casar é quase universal. O que em geral ocorre é a esperança de encontrar parceiro melhor para um relacionamento futuro. Romances são irresistíveis, mas traiçoeiros.
Tiram os pés da terra e botam a cabeça nas nuvens. Reacendem a tola certeza de que a relação sendo vivida é única e, o que é mais fascinante, trazem a sensação de completude, esse desejo atordoante que nos habita, uma eterna usina de sonhos e fantasias. E lá se vai outra vez, de olhos fechados. De nada valerão as experiências anteriores.
ROMANCES SÃO IRRESISTÍVEIS, MAS TRAIÇOEIROS. TIRAM OS PÉS DA TERRA E BOTAM A CABEÇA NAS NUVENS
Fortalecidos pela sensação maravilhosa de estar amando novamente, os candidatos ao segundo casamento reforçam sua crença de que o da vez anterior não funcionou por culpa do parceiro. A atribuição de causalidade constrói ótimos argumentos para quem tenta mascarar a realidade. No Brasil quase metade dos casamentos acaba em divórcio e cada vez mais precocemente. Estatísticas norte-americanas mostram que essa porcentagem aumenta nos matrimônios subsequentes.
Os terapeutas especialistas no atendimento de casais constatam que são os mesmos erros, inconscientes, que continuarão sendo repetidos, não importa o número de relacionamentos matrimoniais anteriores. A terapia ajuda a superá-los. Os erros mais básicos resultam de expectativas irrealistas de perfeição e eternidade.
Nenhum relacionamento é capaz de manter o mesmo nível de entusiasmo através do tempo. Há um declínio de intensidade que é natural – e deveria ser esperado, podendo mesmo representar um espaço para a evolução do relacionamento. Para as pessoas impulsivas, sempre insatisfeitas e irrequietas, aí pode ter início a rota que levará ao divórcio. O desgaste natural trará infelicidade se não der ocasião à construção de parcerias mais maduras, baseadas em companheirismo, ajuda mútua e planos realistas. A insatisfação não exige esforço; o contentamento, este sim, precisa ser buscado e construído.