Cibele
CONECTADOS,MAS ISOLADOS
FOTO:Reprodução: Internet
O celular é muito mais do que um simples telefoninho portátil: é um supercomputador tendo o telefone entre seus muitos aplicativos. Também tem relógio, bússola, máquina fotográfica, lanterna, redes sociais, correio eletrônico etc e tal. As pessoas vivem grudadas nele e já vi fotos elo quentes retratando grupos sentados em silêncio, cada um entretido com seu próprio celular. Por causa dessa característica, ele, o telefoninho, tem sido acusado de promover o isolamento social, problema epidêmico na atualidade. Vejo continuados debates e estudos sobre o tema.
Há um argumento esclarecedor: a troca de mensagens, por exemplo, promove simultaneamente a conexão e o isolamento. Os telefonemas passaram a substituir as conversas ao pé do ouvi do. Tem gente que namora pelo telefone!
Com ele, ganha-se acesso rápido e que rompe a fronteira da distância física, mas perde-se o prazer do contato pessoal. Na minha opinião (que acredito não ser muito original), o baixo nível de interesse sexual que atualmente se vem notando em adolescentes e em jovens adultos deve ter relação com o fato desses pequenos grandes prazeres estarem caindo no esquecimento. O escurinho do cinema foi substituído por cada um assistindo ao filme de sua escolha em seu supercomputadorzinho portátil – nem mais os gostos pessoais são compartilhados…
Os mundos digitais, quase todos pagos, se alimentam do isolamento social que promovem, num círculo vicioso perverso. O celular nos retira do meio ambiente físico e, assim, nos vai “virtualizando”: vamos nos tornando seres sem corpo a navegar sinais eletrônicos.
VAMOS NOS TORNANDO SERES SEM CORPO A NAVEGAR SINAIS ELETRÔNICOS
A velocidade da comunicação e seu potencial alcance (a famosa “viralização”) promovem a homogeneização cultural, com seu notável efeito de desinteresse pelo debate de ideias. Aquilo que se espalha deixa de ser narrativa para se tornar fato. O fenômeno é gritante nas redes sociais politizadas, cada uma vendendo sua própria versão dos acontecimentos. Formadores de opinião muitas vezes desqualificados tomaram o lugar dos especialistas nos mais diversos assuntos.
Muita gente se expõe sem ter noção de para qual audiência, criando riscos pessoais nunca dantes imaginados. É claro que gente mal-intencionada aprendeu rapidamente a tirar proveito das inúmeras novas possibilidades. Assim como há vantagens maravilhosas, também ocorrem impensados perigos. É bom usar o celular e aplicativos com cautela, como quase tudo na vida.
